Os colombianos vão às urnas neste domingo (31) para escolher o próximo presidente do país. A votação ocorre em meio a denúncias de ingerência estrangeira, ameaças vindas dos Estados Unidos e articulações da direita colombiana para impedir a vitória de Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e da Aliança por la Vida.
A eleição marca uma disputa decisiva para a Colômbia. De um lado, Cepeda defende a continuidade das políticas iniciadas pelo governo de Gustavo Petro. De outro, a extrema direita tenta retomar o controle do Executivo com candidaturas como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, apoiadas por setores ligados ao imperialismo norte-americano e ao uribismo.
Cepeda encerrou sua campanha após nove meses de atividades em todo o território colombiano. O candidato e sua vice, Aida Quilqué, realizaram 155 atos públicos, com a participação de mais de um milhão de pessoas. Em sua mensagem final, Cepeda convocou a população a votar em massa para consolidar as transformações sociais, combater a desigualdade e avançar na construção de um novo governo progressista.
O programa apresentado por Cepeda afirma como prioridade o acesso a direitos, bens e serviços básicos para a população mais pobre. O candidato também prometeu manter os avanços salariais, previdenciários e de condições de trabalho, além de fortalecer a presença do Estado nos territórios.
A disputa, no entanto, está longe de ocorrer em condições normais. Nas semanas anteriores à votação, cresceram as denúncias de ingerência dos Estados Unidos no processo eleitoral colombiano. O senador republicano Bernie Moreno, nascido na Colômbia, anunciou viagem ao país na última semana de campanha e fez declarações abertas contra a candidatura de Cepeda.
Moreno afirmou que a Colômbia “tomaria o caminho equivocado” caso Cepeda vença e associou o governo de Gustavo Petro à Venezuela. O senador também declarou que os Estados Unidos poderiam não reconhecer o resultado caso a eleição não seja, em sua avaliação, “transparente”. Na prática, trata-se de uma ameaça direta contra a soberania do povo colombiano.
A ingerência norte-americana aparece acompanhada de outra manobra regional. O presidente do Equador, Daniel Noboa, reuniu-se com Abelardo de la Espriella, candidato da direita colombiana, poucos dias antes da votação. Segundo comunicado divulgado pelo próprio Noboa, os dois discutiram cooperação em comércio, energia e segurança. O anúncio foi interpretado na Colômbia como interferência direta no processo eleitoral, pois vinculou compromissos bilaterais ao resultado da eleição. O caso é ainda mais grave porque Noboa havia aumentado tarifas contra produtos colombianos. Agora, às vésperas da eleição, o governo equatoriano aparece ao lado de um candidato da direita colombiana anunciando medidas que entrariam em vigor depois do pleito.
A campanha contra Cepeda tem como objetivo impedir a continuidade do ciclo político aberto com a vitória de Gustavo Petro. O atual presidente presidiu a abertura das eleições e chamou os colombianos a votar e decidir o “futuro real da Colômbia”. O governo Petro, apesar de suas limitações, expressou uma ruptura parcial com o controle tradicional da direita colombiana, historicamente subordinada aos Estados Unidos.
A Colômbia sempre foi uma das principais bases políticas e militares do imperialismo norte-americano na América Latina. Durante décadas, os governos ligados ao uribismo sustentaram uma política de repressão interna, alinhamento com os Estados Unidos e perseguição a movimentos populares.





