Cocaleiros cercaram a entrada da base da Unidade Móvel de Patrulhamento Rural em Chimoré, no Trópico de Cochabamba, na Bolívia, na quarta-feira (27), após um apagão regional. A mobilização ocorreu em meio a rumores de uma operação militar, com possível apoio dos Estados Unidos, para prender Evo Morales, que permanece protegido por setores aliados em Lauca Ñ.
O cerco à base da Unidade Móvel de Patrulhamento Rural (Umopar) elevou a tensão política no Chapare. Segundo relatos, moradores e cocaleiros instalaram vigílias e bloquearam acessos ao recinto policial, exigindo explicações sobre o corte de energia elétrica e denunciando supostos movimentos de forças de segurança na região. Até a tarde de quarta-feira, não havia registro oficial de confrontos ou feridos.
A ação ocorreu em uma área de forte presença de setores ligados a Evo Morales. O ex-presidente enfrenta ordem de captura em um caso de tráfico. Não foi apresentada nenhuma evidência sólida que sustente a ação, de modo que o ex-presidente e seus apoiadores tratam como perseguição política. Refugiado em Lauca Ñ, Morales é protegido por dirigentes e comunidades que mantêm sistemas de vigilância para impedir eventual intervenção policial ou militar.
O apagão funcionou como gatilho imediato para o cerco. Em um cenário de desconfiança, o corte de energia foi interpretado por parte dos mobilizados como possível preparação para uma operação. Rumores circularam durante a noite sobre deslocamento de tropas do Exército boliviano e presença de assessores dos Estados Unidos em uma eventual tentativa de capturar Morales e retirá-lo do país.
Gastón Ledezma, secretário-geral da Federação Carrasco Tropical, denuncia sobre a chegada de um avião militar de transporte pesado da Força Aérea dos Estados Unidos ao aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. Segundo o dirigente, a aeronave do tipo Hércules teria transportado munições e pessoal militar, fato que aumentou a preocupação entre organizações mobilizadas.
Ledezma convocou o povo boliviano e as organizações em luta a manterem unidade diante do que chamou de tentativa do governo de impor um estado de sítio. A fala expressa o clima de confronto entre o governo e setores do movimento cocaleiro, base histórica de Morales. Nos últimos meses, bases policiais e postos antidrogas no trópico cochabambino já haviam sido alvos de cercos e tomadas por moradores.
A Umopar tem papel sensível na região por atuar no combate às drogas, área frequentemente atravessada por conflitos entre comunidades produtoras de coca, polícia e governo central. Em Chimoré, a presença de grupos mobilizados manteve as forças de segurança em alerta também em municípios próximos.
A proteção física ao ex-presidente virou pauta de mobilização territorial, com bloqueios, vigílias e resposta imediata a sinais de movimentação estatal. O apagão, em vez de ser tratado apenas como problema de energia, foi lido por seus apoiadores como possível preparação para prisão, o que levou os cocaleiros a cercarem a base policial.





