A psicóloga Selina Lázari, diretora da Associação de Mulheres Mátria, denunciou em entrevista ao canal Galo Preto casos de pessoas submetidas a processos, punições profissionais e outras formas de pressão depois de se manifestarem contra posições defendidas pelo movimento transativista.
Durante a conversa com o jornalista Leandro Fortes, foram citados episódios ocorridos em universidades e locais de trabalho. Segundo Selina, casos semelhantes chegam com frequência à Mátria, que procura orientar as pessoas atingidas e prestar auxílio quando há risco de demissão, processo administrativo ou ação judicial.
A maior parte desses atendimentos nem sequer se torna pública. Selina estimou que apenas cerca de 10% chegam às redes sociais da entidade. Muitos dos envolvidos preferem o anonimato porque temem consequências profissionais e novas perseguições.
A dirigente criticou particularmente a dificuldade de discutir o tema dentro da esquerda. Segundo ela, há militantes e dirigentes que concordam privadamente com determinadas críticas ao identitarismo, mas recusam-se a assumir a mesma posição em público, principalmente durante as eleições, por medo de ataques e acusações.
Essa situação ajuda a entregar o debate à direita. Selina também criticou essa apropriação, afirmando que há projetos apresentados por parlamentares direitistas de maneira oportunista ou com formulações que não correspondem às reivindicações da Mátria.
Na entrevista, Fortes destacou Rui Costa Pimenta como uma das poucas figuras conhecidas da esquerda que abordam abertamente o identitarismo. Para Selina, porém, a questão mais elementar é recuperar o direito ao próprio debate, sem transformar qualquer discordância em motivo para cancelamento, perseguição no trabalho ou processo judicial.
A Mátria possui atualmente 453 mulheres associadas e, segundo sua diretora, está presente em quase todos os estados brasileiros. A entidade atua em casos individuais e em disputas políticas e jurídicas relacionadas às reivindicações que considera fundamentais para mulheres e crianças.
O quadro descrito por Selina mostra até onde chegou a política identitária quando deixa de responder aos seus críticos no terreno político. A divergência passa a ser tratada como infração, e a intimidação substitui a discussão.





