A maioria da esquerda pequeno-burguesa tem se transformado em uma espécie de comunidade hippie que, em vez de compreender os problemas e soluções que todos os avanços demandam, se limita a ficar apontando apenas para os defeitos.
Esse é o caso do artigo Proibições a data centers de IA estão se espalhando rapidamente pelos EUA, publicado no sítio Esquerda Online neste sábado (23).
O parágrafo inicial diz que “o número de proibições contra data centers está crescendo nos EUA, com um levantamento apontando 14 novas restrições entre março e abril.” Diz ainda que “segundo o U.S. Data Center Moratorium Tracker (Rastreador de Proibições de Data Centers dos EUA), atualmente existem 50 proibições ativas espalhadas por diferentes regiões do país, além de quatro governos locais que adotaram uma proibição permanente dentro de suas áreas de atuação”, bem como há também “três novas proibições em discussão, além de várias outras em diferentes estágios, incluindo regiões criando novas restrições, avaliando a possibilidade de barrar data centers e algumas onde as proibições já expiraram”.
Como toda inovação tecnológica, sempre surgem alguns aspectos negativos. Mas existem também os positivos. Hoje, por exemplo, a demanda pela impressão de arquivos e documentos é cada vez menor. Então, isso abre perspectivas para que se utilize cada vez menos papel. Serviços que exigiam o deslocamento de pessoas podem ser feitos remotamente, o que diminui a necessidade de uso de transporte, com menos queima de combustível, etc.
Segundo o artigo, “muitas gigantes da IA nos EUA estão correndo para construir data centers pelo país inteiro, principalmente na disputa para se tornarem líderes do mercado de inteligência artificial. Porém, essa onda desenfreada de investimentos está começando a gerar a escassez de vários recursos. Hoje já existe uma grande escassez de chips de memória e armazenamento, e em breve também pode haver falta de CPUs, especialmente com o aumento das cargas de trabalho ligadas à inferência de IA. Além disso, a construção desses data centers de IA afeta diretamente as comunidades ao redor, principalmente por causa do aumento no custo da eletricidade, além da poluição sonora e do ar”.
Essas questões levantadas não são difíceis de serem resolvidas, o problema está em como funciona o capitalismo. A produção de chips, por exemplo, poderia estar completamente solucionada. O próprio Brasil poderia estar produzindo, não fosse o boicote sofrido desde o governo Collor de Mello, que destruiu a reserva de informática.
O aumento do custo de energia nos EUA é um problema do setor ser predominantemente privado. Setores como o de energia deveriam estar todos nas mãos do Estado, que tem capacidade de investimento e não tem interesse imediato pelo lucro. Conforme aumenta a procura, os empresários querem apenas lucrar, por isso não surpreende que “os preços da energia elétrica no mercado atacadista dispararam em até 267% nos últimos cinco anos”.
Com relação à poluição sonora, bastaria buscar soluções para o isolamento acústico que, provavelmente, não é prioridade para quem quer apenas lucrar.
Subsídios
Um dado que não aparece muito, mas que é real, são os subsídios estatais, tanto que, como diz o artigo, “a situação chegou a tal ponto que o presidente Donald Trump se reuniu com as maiores empresas de tecnologia voltadas à IA na Casa Branca e fez elas prometerem que ‘arcariam com os próprios custos’, dentro do ‘compromisso de proteção aos consumidores de energia’”.
Com parte dos custos recaindo sobre o contribuinte, é claro que “quase metade da população do país é contra ter um data center perto de casa”. E também é compreensível que “as discussões sobre a infraestrutura de IA ficaram acaloradas, principalmente porque muitos moradores estão preocupados com os impactos ambientais e com os impactos em suas carteiras”.
É preciso considerar também que existe uma grande campanha nos meios de comunicação contra as inteligências artificiais que, na verdade, são ferramentas muito úteis com o potencial muito alto de promover novos avanços.
Por conta dessas campanhas contrárias, “a casa de um político de Indiana foi alvo de disparos feitos por um agressor desconhecido, que deixou um bilhete com a frase ‘NO DATA CENTERS’ (‘SEM DATA CENTERS’) na porta de sua casa. Também houve casos de membros de conselhos municipais que aprovaram esses projetos que acabaram renunciando aos cargos ou sendo expulsos em massa, à medida que comunidades locais se revoltaram contra o que enxergam como uma ameaça ao seu modo de vida”.
Crise do imperialismo
O imperialismo, conforme aumenta sua crise, está avançando contra a China e vem promovendo inúmeras sanções que acabam atrasando o desenvolvimento tecnológico e mesmo a produção de chips.
A produção de energia elétrica com os avanços em energia nuclear, ou em países com grandes recursos hídricos como o Brasil, não seria em si um problema se não enfrentasse a oposição de ONGs “ambientalistas” financiadas pelo grande capital financeiro.
“As proibições contra data centers estão surgindo em pequenas regiões” dos Estados Unidos. De oito proibições em maio de 2025, esse número já chegou a 78.
O que está acontecendo com os data centers não é um problema da tecnologia, é um problema político que mostra o esgotamento do capitalismo em desenvolver a humanidade.
Fica provado que apenas uma economia planificada, com vistas ao interesse geral das pessoas, é que pode de fato abrir caminho para que novas tecnologias floresçam. Elas são fundamentais para o desenvolvimento humano.
A esquerda não pode ficar do lado do atraso, reclamando dos impactos ambientais, etc. É justamente o desenvolvimento tecnológico que trará maior proteção para a natureza, pois será capaz de extrair o melhor de cada técnica com o maior aproveitamento de materiais e consumo energético.



