A esquerda tem empobrecido completamente o debate político, entrou na onda de acusar seus oponentes de crimes e os processar. A bola da vez é Olímpio Rocha (PSOL-PB), que acionou o Ministério Público Estadual (MPE) contra Renan Santos, alegando que o candidato cometeu injúria eleitoral durante debate presidencial da TV Bandeirantes.
Pelo menos os leitores ficam informados de mais um tipo de injúria. No Brasil, existem 4 tipos principais de injúrias: injúria simples, injúria real, injúria preconceituosa ou qualificada (por religião, idade ou deficiência) e injúria homofóbica/transfóbica (LGBTIfóbica). E todas elas acabam resultando em multas e penas. Xingar alguém de burro, ladrão ou incompetente, por exemplo, pode render detenção de 1 a 6 meses, além de multa. Uma injúria, dependendo dos agravantes, pode colocar uma pessoa por até 9 anos atrás das grades, mais grave que um homicídio simples, cuja pena mínima é de 6 anos. Em vez de denunciar essas aberrações, a esquerda pequeno-burguesa ainda fica atrás de novos crimes e aumento de penas.
Segundo reportagens do sítio Poder360, “o candidato ao governo da Paraíba, Olímpio Rocha (Psol-PB), protocolou, nesta 2ª feira (24.ago.2026), uma representação contra Renan Santos (Missão) no MPE (Ministério Público Eleitoral). O documento questiona declarações feitas pelo candidato sobre a primeira-dama, Janja, durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (23.ago)”.
A representação de Olímpio pede a apuração de possível injúria eleitoral e de “eventual violação ao artigo 243 do Código Eleitoral, que proíbe propaganda que deprecie a condição feminina”. Como tudo virou misoginia para a esquerda, o psolista aproveitou para acrescentar isso em sua manifestação.
Apesar de tudo, Olímpio Rocha publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que “pode criticar Lula, pode criticar Janja. O debate e a crítica fazem parte da democracia. Outra coisa é transformar uma mulher em objeto de humilhação para atacar o marido”. Sim, pode criticar, desde que não se critique, pois sempre haverá um “esquerdista” de plantão para acionar a justiça.
A reportagem diz também que “durante o debate, Renan criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez referências à primeira-dama. Ele disse que Lula teria ficado com ‘aquela Janja’ e que encontraria ‘companhias melhores’ no evento. Posteriormente, declarou: ‘Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado’”.
Para o candidato do PSOL, “as declarações teriam ultrapassado os limites da crítica política ao utilizar Janja como forma de constrangimento ao presidente. ‘Renan Santos não atacou uma ação política de Janja, ele disse, diante do Brasil inteiro, que seria melhor estar bêbado do que estar na companhia dela’”. Fica claro que esse tipo de “crime” é subjetivo e não objetivo, como reza o Direito; muita gente poderia simplesmente não ligar para esse tipo de declaração.
Os crimes subjetivos interessam à burguesia, pois os réus ficam inteiramente nas mãos dos juízes, que fazem a interpretação que bem entenderem. Condenarão ou absolverão também com base em fatores “subjetivos”. Obviamente, pessoas com poucos recursos tenderão a ser condenadas, como é praxe no Brasil.
A representação também cita a Lei 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir e combater a violência política contra as mulheres.
Inquisição
A esquerda pequeno-burguesa está entrando em um atoleiro e não se dá conta; ela deve estar com a ilusão de que o PT ficará para sempre no poder e que controla o Judiciário. Todas essas arbitrariedades vão se voltar contra a esquerda e contra a classe trabalhadora.
As mulheres não têm seus direitos assegurados, continuam em duplas e até triplas jornadas de trabalho. Falta a elas acesso a creches, saúde etc. Ainda assim, Olímpio Rocha declara demagogicamente que “democracia também significa garantir que nenhuma mulher seja utilizada como um instrumento de humilhação no debate público”.
É ridículo, e o resultado é que a classe trabalhadora se afasta mais e mais da esquerda, que identifica como o sistema, no que acerta, pois a esquerda eleitoreira se tornou defensora das instituições do Estado burguês. Enquanto o povo detesta o STF, os esquerdistas elegem Alexandre de Moraes, o Xandão, como heroi da democracia.
A população também não concorda com essas atitudes histéricas de querer prender as pessoas por qualquer coisa que diga.
O identitarismo, uma ideologia amplamente rejeitada pela classe trabalhadora, tomou conta da maioria da esquerda, que tem se especializado em inventar crimes e fazer alarde sobre aquilo que as pessoas falam ou postam em suas redes sociais.
Essa política focada na punição, na verdade, é uma maneira de ocultar o fato de que essa esquerda não tem verdadeiras propostas para os trabalhadores.
Os identitários não lutam pela classe trabalhadora; querem “resolver” a vida de setores da sociedade, o que é típico de reformistas e oportunistas. Hoje, há candidatos na esquerda que se apresentam não como defensores da emancipação da classe trabalhadora, mas como “não binários”, “não monogâmicos” etc., o que é uma abordagem despolitizada. Ser não binário ou ter mais de um parceiro não significa que uma pessoa seja de esquerda, e muito menos que vá lutar pelos direitos dos trabalhadores.
A esquerda inquisitorial é a favor da censura e contra a liberdade de expressão, uma bandeira tradicional da esquerda. Estamos diante de uma falência. Com isso, pode-se esperar que a direita avance no Congresso, visto que aumenta a rejeição popular dessa esquerda cada vez mais aburguesada e que não tem nada para oferecer à população.




