Guerra contra o Irã

Cai a máscara dos esquerdistas apologistas do imperialismo

Angela Davis, Judith Butler e Michael Löwy atacam o Irã em plena ofensiva dos EUA e de “Israel”; Mumia Abu-Jamal toma posição contra o Império

A carta publicada pelo jornal inglês The Guardian na quinta-feira (20), com nomes como Angela Davis, Judith Butler e Michael Löwy, expôs a posição política de algumas das figuras mais cultuadas pela esquerda pequeno-burguesa brasileira.

Em plena guerra de agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, o documento apresenta a população iraniana como estando entre “duas lâminas de uma tesoura”: de um lado, as potências que atacam o País; de outro, o próprio regime iraniano.

A fórmula transforma agressor e agredido em forças equivalentes. O Irã, que apoia a resistência palestina e enfrenta militarmente os Estados Unidos e o Estado sionista, é colocado no mesmo terreno que aqueles que bombardeiam seu território.

Não se trata de uma novidade na trajetória política desses intelectuais. Angela Davis, Judith Butler e Michael Löwy são há muito tempo referências da esquerda universitária e identitária no Brasil. O conflito iraniano apenas tornou mais evidente o conteúdo de suas posições.

O caso de Angela Davis é particularmente revelador.

Davis é tratada por setores da esquerda brasileira como uma das maiores figuras revolucionárias contemporâneas. A candidata da Unidade Popular ao governo de São Paulo chegou a afirmar, em entrevista a Breno Altman, que ela seria mais revolucionária que Rosa Luxemburgo.

A trajetória de Davis desmente essa caracterização. Há anos, ela apoia o Partido Democrata dos Estados Unidos. Votou em Barack Obama, apoiou Hillary Clinton e, mais recentemente, Kamala Harris.

O Partido Democrata é um dos partidos fundamentais do imperialismo norte-americano e participou diretamente de guerras, golpes, sanções e operações contra povos de todo o mundo.

Diante do ataque ao Irã, Davis permaneceu entre os signatários da carta. Não retirou seu nome e não se pronunciou contra o conteúdo do documento.

Sua posição, portanto, não pode ser apresentada como um desvio ocasional. Ao apoiar uma declaração que responsabiliza também o país atacado no momento de uma ofensiva dos Estados Unidos, Davis serve de cobertura política à agressão.

Judith Butler aparece no mesmo documento. Outra referência central da esquerda acadêmica e identitária, Butler também subscreveu a tese de que o povo iraniano estaria submetido a duas forças comparáveis.

O efeito político é evidente: em vez de apontar contra o imperialismo, desloca-se parte da condenação para o país que está sendo bombardeado.

Michael Löwy cumpre o mesmo papel.

Apresentado por seus admiradores como marxista e trotskista, Löwy tornou-se um dos principais propagandistas do chamado “ecossocialismo”, uma revisão do marxismo adaptada ao ambiente universitário e à política pequeno-burguesa. Ele também é um sionista “de esquerda” – como se isso fosse realmente possível, pois o sionismo é uma política de dominação colonial promovida pelo imperialismo.

Quando a guerra coloca concretamente o imperialismo e o Estado sionista de um lado e o Irã do outro, toda a aparência radical dessa política desaparece.

O contraste com Mumia Abu-Jamal é completo.

O nome do preso político norte-americano apareceu entre os signatários da carta do Guardian. Mumia, no entanto, não autorizou o uso de sua assinatura.

Posteriormente, enviou uma mensagem escrita em dois pratos de papel, na qual apresentou uma posição oposta à do documento.

“Meus jovens amigos,

O Irã está mostrando ao mundo (especialmente ao Terceiro Mundo) como lutar contra o Império. Seus drones estão reescrevendo as regras da guerra. E países do Sul Global estão estudando essa fase da guerra para esse fim!

Eles me lembram do Vietnã, um país pobre que derrotou o exército mais poderoso da Terra… É aí que estamos hoje.

Amor… Mumia Abu-Jamal”

Mumia não apresenta o Irã como parte de uma tesoura que esmagaria seu próprio povo. Compara sua resistência à luta do Vietnã contra os Estados Unidos e destaca o significado da guerra para os países oprimidos.

A diferença é decisiva.

Enquanto intelectuais cercados de prestígio universitário ajudam a atacar politicamente o Irã no momento em que o País enfrenta os Estados Unidos, Mumia, preso há décadas pelo próprio Estado norte-americano, defende abertamente a resistência iraniana.

A situação torna ainda mais grave o uso de seu nome na carta. Se Mumia não autorizou sua assinatura, é necessário saber quem assinou por ele.

Outro signatário original, Robin D. G. Kelley, retirou seu nome. Angela Davis não fez o mesmo.

Mumia Abu-Jamal está há décadas submetido ao sistema prisional norte-americano e enfrenta uma situação de saúde extremamente grave. Mesmo nessas condições, não abriu mão de seus princípios.

De um lado, Mumia identifica no Irã um exemplo para os povos oprimidos que enfrentam o imperialismo. De outro, Davis, Butler e Löwy ajudam a apresentar a heroica resistência iraniana como tão opressora contra seu povo quanto os assassinos de crianças.

A guerra contra o Irã expôs, assim, o verdadeiro conteúdo político de uma parcela da esquerda pequeno-burguesa que se apresenta como radical, mas que, diante de um confronto real entre o imperialismo e uma nação oprimida, se coloca ao lado da propaganda do agressor.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.