O novo governo da Bulgária anunciou, na terça-feira (9), o fim do envio de armas à Ucrânia. A decisão foi apresentada pelo ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, que defendeu negociações e afirmou que a guerra não pode ser resolvida militarmente, pois o principal problema ucraniano é a falta de soldados, não de armamentos.
A Bulgária, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia (UE), vinha sendo um dos fornecedores de armamentos e munições para a Ucrânia desde a escalada do conflito com a Rússia, em 2022. A interrupção anunciada rompe com a orientação do governo anterior, que colocou o país entre os principais fornecedores de munição de padrão soviético para a Ucrânia.
Stoyanov declarou que o conflito se transformou em uma guerra de desgaste. Para ele, o envio de mais armas apenas amplia a perda de vidas humanas. O ministro defendeu que chegou a hora de sentar à mesa de negociações em busca de uma paz definida pelas duas partes. A fala vai contra a política de envio contínuo de armas adotada pelos principais países imperialistas europeus.
Sob o governo anterior, a Bulgária forneceu munições de padrão soviético usadas intensamente pela Ucrânia. Segundo declarações atribuídas ao ex-primeiro-ministro Kirill Petkov e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, projéteis búlgaros responderam por cerca de um terço da munição utilizada pela Ucrânia no primeiro ano do conflito.
Rumen Radev já havia criticado a política da UE em relação à Ucrânia. Quando ocupou a Presidência entre 2022 e 2025, opôs-se ao embargo búlgaro à energia russa, bloqueou proposta de envio de veículos blindados à Ucrânia e defendeu uma solução negociada.





