Organizações populares bolivianas mantiveram bloqueios em 64 pontos de estradas de seis departamentos da Bolívia, na quinta-feira (28), contra o governo de Rodrigo Paz. A greve completou 28 dias e manteve La Paz como o departamento mais afetado, com 22 pontos bloqueados. Potosí registrou 15, Cochabamba 11, Oruro 10, Chuquisaca três e Santa Cruz três.
A Central Obrera Boliviana (COB) convocou greve por tempo indeterminado, com atos, concentrações e bloqueios de vias. Os protestos reúnem trabalhadores, camponeses, transportistas, mineiros, professores e outros setores atingidos pela crise econômica. As organizações exigem a renúncia de Rodrigo Paz e denunciam a falta de combustível, o aumento do custo de vida e a repressão contra organizações populares.
O transporte público entrou no segundo dia de paralisação por tempo indeterminado em 28 de maio. Os motoristas cobram respostas sobre o atraso no pagamento de ressarcimento pela gasolina subvencionada e reclamam dos problemas de abastecimento causados pelo cerco a La Paz. O ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, anunciou que chamaria dirigentes do transporte para discutir uma saída, mas a data do encontro ainda não havia sido formalizada.
A crise também chegou aos hospitais. Médicos e trabalhadores da saúde realizaram marcha em La Paz por causa da falta de alimentos, medicamentos e oxigênio nos centros públicos. Dirigentes do setor afirmaram que alguns hospitais tinham oxigênio para poucos dias e que o racionamento poderia voltar. A escassez de insumos médicos, combustíveis e alimentos agravou a situação nas cidades afetadas pelos bloqueios.
Em Cochabamba, produtores do Trópico intensificaram bloqueios na rota que liga a região a Santa Cruz. A medida cresceu após um apagão de mais de duas horas. Moradores se concentraram diante do Comando da Unidade Móvel de Patrulhamento Rural (Umopar), em Chimoré, montaram barricadas com pedras, acenderam fogueiras e declararam alerta diante da possibilidade de repressão policial.
Mulheres e trabalhadores ligados às Seis Federações do Trópico de Cochabamba protestaram contra ameaças de uso da força pelo governo de Paz. Outra concentração ocorreu na ponte Phankuruma, no km 23, no município de Sipe Sipe. Em Chuquisaca, organizações camponesas instalaram piquetes em Imilla Huañusca e Qhepu Pampa.
Evo Morales afirmou que a rebelião em curso é contra o neoliberalismo e o Estado neocolonial. O ex-presidente declarou que o governo de Rodrigo Paz está submetido aos Estados Unidos e que os setores mobilizados defendem a economia dos trabalhadores, das famílias e os recursos naturais. Morales negou dirigir os bloqueios, embora seus apoiadores participem das ações, e afirmou que existe um plano para prendê-lo com apoio da agência antidrogas dos Estados Unidos e do Comando Sul norte-americano.
O governo convocou representantes da COB e dos camponeses Tupac Katari para uma mesa de diálogo em La Paz, em meio a pedidos de garantias para dirigentes que enfrentavam ordens de apreensão. A tentativa de negociação ocorre sob pressão das estradas fechadas e do desabastecimento. Os setores mobilizados afirmam que manterão os bloqueios enquanto não houver acordo.





