Parceria DCO-Arte da Guerra

Bolívia, Colômbia, Ucrânia e Irã: assista à Análise Internacional

Programa contou com a participação dos comentaristas fixos Rui Costa Pimenta e comandante Robinson Farinazzo

A escalada da tensão na Bolívia foi grande assunto do programa Análise Internacional, do canal Diário Causa Operária e em parceria com o canal Arte da Guerra. Diante da decisão do Parlamento local de autorizar o emprego das Forças Armadas para reprimir grevistas e manifestantes, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, explicou que a situação é fruto de “uma enorme mobilização popular comandada pelas organizações operárias, camponesas e populares tradicionais da Bolívia”. De acordo com o dirigente, o governo está “completamente encurralado”, enfrentando o bloqueio de mais de 70 estradas e protestos massivos em La Paz. Ele ponderou que, embora as forças repressivas possam desbloquear vias pontuais, o governo precisaria impor um estado de exceção permanente, correndo o risco iminente de provocar um massacre.

O comandante Robinson Farinazzo complementou a análise criticando a formação histórica e a mentalidade das Forças Armadas latino-americanas, ironizando a influência da antiga Escola das Américas. Ele relembrou episódios sombrios, como o bombardeio da Força Aérea Argentina contra civis peronistas na Plaza de Mayo em 1955. Farinazzo foi categórico sobre o papel dos exércitos na região:

“Enquanto exércitos latino-americanos forem instrumento da miséria do seu próprio povo, nós não vamos chegar em lugar nenhum.”

O comandante expressou o desejo de que o exército boliviano recue para evitar um “banho de sangue” contra seus próprios compatriotas, cuja mancha histórica seria indelével.

Outro ponto debatido foi o envio de ajuda humanitária e mantimentos por parte do governo brasileiro ao governo boliviano. A medida foi criticada por ocorrer justamente quando o bloqueio de estradas e a greve geral são as principais armas dos trabalhadores para pressionar o governo local.

Rui Costa Pimenta manifestou surpresa e indignação com a postura do presidente Lula. Segundo ele, ao enviar os mantimentos, o Brasil assume uma clara política de “fura-greves” e se alinha à repressão contra os movimentos camponês e operário da Bolívia. O presidente do PCO ironizou a contradição do PT, que critica o neoliberalismo de figuras como Javier Milei, mas apoia o governo boliviano, que segue a mesma política.

No bloco dedicado à guerra no Oriente Próximo, o programa debateu o comportamento contraditório de Donald Trump, que alterna diariamente entre ameaças de destruição total e anúncios de acordos iminentes na região. Farinazzo revelou dados da imprensa militar norte-americana indicando uma grave crise nos estoques bélicos dos Estados Unidos: o Pentágono gastou mais de mil mísseis Tomahawk contra o Irã e, dado o ritmo de fabricação de apenas 86 unidades por ano, precisará de quatro a dez anos para repor os arsenais.

Para o comandante, a retórica agressiva de Trump serve sobretudo para manipular o mercado financeiro e especular com o preço do barril de petróleo, movimentando fortunas na bolsa de valores. No entanto, o analista militar pontuou que os capitalistas estão deixando de acreditar nas ameaças norte-americanas, já que o preço do barril se mantém firme na casa dos 90 dólares. Rui Costa Pimenta concordou que a tática de Trump visa manipular o mercado financeiro, mas também destacou a crise política do trumpismo:

“Independentemente das idas e vindas do Trump, a questão está liquidada. Trump sofreu uma derrota e essa derrota mostrou os limites da capacidade militar do imperialismo.”

A situação da Guerra na Ucrânia foi analisada a partir de uma nova medida do governo de Vladimir Zelensqui, que passou a prometer o perdão de dívidas financeiras para os cidadãos que aceitarem se alistar no combate contra a Rússia. Farinazzo explicou que ambos os lados utilizam incentivos econômicos, mas sublinhou que a situação da Ucrânia é desesperadora devido ao colapso demográfico do país, que já registrou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas.

O comandante alertou que a estratégia russa de apostar puramente no esgotamento populacional do adversário é arriscada. Ele criticou a condução militar da Rússia, afirmando que já passou da hora de mudar sua abordagem e “liquidar a fatura” com ataques devastadores que anulem a capacidade bélica ucraniana. Ele apontou o envolvimento crescente da Suécia — que anunciou o envio de caças Gripen e realiza voos de espionagem no Mar Negro — e os ataques a civis russos como justificativas para uma reação mais enérgica.

O programa também examinou a operação de busca e apreensão realizada pela polícia espanhola na sede do PSOE, partido do governo de Pedro Sánchez. O comandante Farinazzo classificou o episódio como o típico escândalo fabricado em vésperas eleitorais pelas “democracias” imperialistas. Ele traçou um paralelo com a asfixia econômica imposta pela União Europeia ao coronel suíço Jacques Baud devido às suas posições políticas, afirmando que a Europa caminha para suprimir qualquer tipo de oposição interna.

Por fim, os comentaristas denunciaram o boicote da imprensa internacional em relação às eleições na Colômbia. Dados trazidos pelo programa mostram que Ivan Cepeda, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, lidera as pesquisas de intenção de voto com cerca de 40% na véspera do primeiro turno. Para atrair o eleitorado, Petro concedeu recentemente um aumento real de 17% no salário mínimo.

Pimenta advertiu que “o imperialismo está jogando pesado para ele perder”, prevendo um segundo turno polarizado contra a extrema direita unificada.

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