O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba provocou prejuízos recordes de US$ 8,083 bilhões entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026. Os danos acumulados em mais de seis décadas de cerco já chegam a US$ 178,7 bilhões a preços correntes.
Mais do que um prejuízo contábil, o bloqueio é uma política deliberada de asfixia da população cubana. Os Estados Unidos procuram impedir o acesso do país a combustível, alimentos, medicamentos, equipamentos e matérias-primas, usando a fome, os apagões e a deterioração dos serviços públicos como instrumentos de pressão contra a Revolução Cubana.
Os efeitos são particularmente graves na saúde. Mais de 98,5 mil cirurgias programadas, entre elas 12 mil pediátricas, deixaram de ser realizadas por falta de recursos e energia nos centros cirúrgicos. Cerca de 34 mil mulheres grávidas ficaram sem ecografias pré-natais e 67 mil crianças não puderam manter atualizado seu esquema de vacinação.
Mais de 7 mil contêineres com cargas indispensáveis permanecem retidos em portos de outros países porque companhias marítimas temem sofrer represálias de Washington caso transportem mercadorias para Cuba. Entre as cargas estão alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e matérias-primas necessárias à fabricação de remédios.
O cerco energético tornou a situação ainda mais grave. A falta de combustível mantém cerca de 1.400 MW de capacidade de geração fora de operação e provoca apagões que ultrapassam 20 horas. A interrupção da eletricidade atinge o bombeamento de água, hospitais, transportes, a produção de alimentos e praticamente toda a economia.
A ministra das Comunicações de Cuba, Mayra Arevich, denunciou ainda que as sanções impedem a modernização das redes de telecomunicações, dificultam o acesso a programas de computador e equipamentos de segurança digital e prejudicam infraestruturas fundamentais. “O maior genocídio é contra nosso povo pelas enormes carências que causa em cada família”, afirmou.
O presidente Miguel Díaz-Canel classificou a ofensiva norte-americana como um “genocídio silencioso”. Sem lançar bombas sobre a ilha, Washington procura destruir as condições materiais de vida do povo cubano, atingindo diretamente a geração elétrica, a produção de alimentos, a saúde, a educação e o transporte.
É uma política de punição coletiva. Crianças, doentes, mulheres grávidas e trabalhadores são privados de bens e serviços básicos porque os Estados Unidos usam seu peso sobre o sistema financeiro e o comércio internacional para perseguir empresas, bancos e governos que mantenham relações com Cuba.
Nos dias 27 e 28 de outubro, Cuba levará novamente o tema à Assembleia Geral das Nações Unidas, onde apresentará o relatório sobre os efeitos do bloqueio e exigirá o fim do cerco econômico, comercial e financeiro imposto há mais de seis décadas pelos Estados Unidos.



