Cuba deixará de processar operações com cartões Visa e Mastercard a partir deste sábado (6), como consequência direta do endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos contra a ilha. A decisão foi anunciada pelo Banco Central de Cuba (BCC), depois que o banco estrangeiro responsável por intermediar essas transações informou que encerraria sua relação com a Fincimex S.A., empresa cubana encarregada desse tipo de operação.
Na prática, a medida significa que turistas, empresas e demais usuários de cartões internacionais dessas bandeiras não poderão utilizá-los em operações dentro de Cuba. Segundo o BCC, o país fica impossibilitado de receber receitas da venda de bens e serviços por meio de cartões de alcance internacional como Visa e Mastercard.
O banco estrangeiro comunicou que, com a entrada em vigor das novas medidas norte-americanas, tornou-se “ilícito e impossível” manter os acordos com a entidade cubana. Agora, o imperialismo impede empresas norte-americanas de negociar com Cuba, como ameaça empresas e bancos estrangeiros que mantenham relações com a ilha.
A nova etapa da ofensiva foi aberta pela Ordem Executiva 14404, assinada por Donald Trump em 1º de maio de 2026. O texto, publicado no Registro Federal dos Estados Unidos, amplia as sanções contra Cuba e autoriza medidas contra pessoas e instituições estrangeiras que realizem determinadas operações com entidades cubanas sancionadas.
Com a interrupção das transações, Cuba manterá como meios de pagamento em divisas o dinheiro em espécie, os cartões pré-pagos nacionais Clásica e Tropical e os cartões internacionais Mir, da Rússia, e UnionPay, da China.
Nas últimas semanas, o governo Trump intensificou a perseguição econômica contra Cuba, atingindo setores estratégicos da economia, sobretudo o turismo, o transporte, as finanças e o fornecimento de combustível.
O setor turístico, uma das principais fontes de divisas de Cuba, foi duramente atingido. A rede espanhola Meliá anunciou o fechamento de operações em 15 dos 34 hotéis que administra no país. Outras empresas hoteleiras, como Blue Diamond e Iberostar, também foram afetadas pelas novas restrições impostas pelos Estados Unidos.
A ofensiva também se combina com o bloqueio energético. Cuba enfrenta grave escassez de combustível, o que atinge a geração elétrica, o transporte, a distribuição de alimentos, o abastecimento de água, o funcionamento de escolas, hospitais e outros serviços essenciais. A política norte-americana busca estrangular a economia cubana por todos os lados, criando artificialmente uma situação de colapso social.
O caso também deixa claro o papel das chamadas sanções secundárias. Mesmo empresas que não são norte-americanas passam a ser coagidas pelos Estados Unidos. Bancos, hotéis, companhias aéreas e empresas de transporte marítimo que mantêm algum vínculo com Cuba são ameaçados de punição.
Cuba vive sob bloqueio norte-americano há mais de seis décadas. A nova ofensiva de Trump não representa uma mudança de natureza, mas um aprofundamento da mesma política: sufocar economicamente o país para tentar impor uma derrota política à Revolução Cubana.





