A Polícia Federal conseguiu produzir uma acusação extraordinária em sua “investigação” contra o Partido da Causa Operária: o Facebook teria enviado mais de R$100 mil ao PCO durante a campanha eleitoral de 2022.
É isso mesmo. Segundo o Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 2522309/2023, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo aparece entre as pessoas jurídicas que teriam transferido recursos ao Partido.
A realidade, infelizmente, é um pouco menos cinematográfica. O PCO havia pago ao Facebook por um serviço. O serviço não foi realizado. O Facebook devolveu o dinheiro. Fim do mistério.
No dia 5 de agosto de 2022, entrou na conta partidária uma transferência de R$100.874,39 feita pela Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. A movimentação correspondia justamente à restituição de uma quantia anteriormente paga pelo Partido. O dinheiro já era do PCO e simplesmente voltou para sua conta porque o serviço contratado não foi prestado.
A Polícia Filial, porém, conseguiu olhar para um estorno e enxergar uma contribuição empresarial. No relatório, Facebook, FM Impressos e Iugu aparecem entre empresas de porte significativo que teriam enviado recursos ao Partido sem que esses valores constassem como receitas na prestação de contas.
Pelo raciocínio (ou falta dele) dos agentes da PF, se alguém compra uma geladeira, cancela a compra e recebe o dinheiro de volta, acaba de ser financiado clandestinamente pelo Magazine Luiza.
No caso do PCO, a conclusão fica ainda melhor: a Meta, conglomerado que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, teria decidido despejar mais de R$100 mil na campanha eleitoral de um partido operário brasileiro que é sistematicamente perseguido pelo algoritmo das plataformas.
Uma operação clandestina audaciosa. Tão clandestina que consistiria numa devolução bancária perfeitamente identificada.
Assim nasceu a mais nova organização auxiliar do movimento operário brasileiro: o Facebook.
A Polícia Filial descobriu uma conspiração tão secreta que nem Mark Zuckerberg sabia que fazia parte dela.




