O artigo Bets: a saúde e o bem-estar dos brasileiros em jogo, publicada na Folha de S. Paulo nesta terça-feira (19), e assinada por Paulo Chapchap e Rebeca Freitas e Armínio Fraga, mostra que o Brasil é um país peculiar, onde até banqueiro se diz preocupado com a saúde e o bem-estar dos brasileiros.
A preocupação se baseia, na alegação de que “o Brasil vive uma expansão acelerada das apostas online. Em poucos anos, as chamadas bets passaram a fazer parte do cotidiano nacional, estando acessíveis a qualquer pessoa com um celular na mão. Movimentam bilhões de reais, estão estampadas nas camisas de clubes de futebol, patrocinam grandes festas populares e são amplamente promovidas por influenciadores digitais”.
Essa questão das apostas sempre volta à tona. Como sempre, se trata de uma questão moral, ainda que digam que “o que se apresenta como entretenimento, porém, já revela um custo social preocupante: transtornos do jogo, endividamento de famílias, sofrimento mental e perda de renda. Estimativas divulgadas em dossiê lançado em dezembro de 2025 pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) indicam que apenas os danos à saúde podem custar mais de R$ 30 bilhões por ano ao país”.
Quando um banqueiro se preocupa com R$30 bilhões gastos em saúde, fica pensando que esse dinheiro deveria fluir para os seus cofres, que mordem mais da metade do orçamento público. Talvez Armínio Fraga não se dê conta, mas muita gente joga para ver se consegue uma grana milagrosa, pois, com a péssima remuneração, que piora a cada dia, fica difícil pagar as contas.
“Os impactos vão além da saúde”, continua o texto, que diz que “as apostas já afetam negativamente a economia real e o futuro dos jovens brasileiros: bilhões deixam de circular no comércio, e 1 em cada 3 jovens afirma que precisaria ter interrompido os gastos com apostas online para conseguir iniciar a faculdade em 2025”.
Se houvesse preocupação real com os jovens frequentarem faculdades, essa gente militaria em favor do ensino público gratuito, mas isso esbarra novamente na questão dos gastos públicos.
O banqueiro Armínio Fraga presidiu o Banco Central durante a catastrófica gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC), que destruiu a indústria nacional, e tem na conta o triste número de 300 crianças morrerem de fome por dia no País.
Fraga defendeu no ano passado, 2025, que o salário mínimo no Brasil ficasse congelado por 6 anos.
A declaração foi feita durante um evento da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
“Eu acho que precisa de uma reforma grande. Uma boa já seria, provavelmente a mais fácil, congelar o salário mínimo em termos reais. Seis anos congelados já ajudaria”, declarou Fraga.
Isso que é preocupação com o bem-estar da população, com o salário já insuficiente congelado, e com os preços subindo sempre, em pouco tempo, muitos brasileiros passariam desta vida para a melhor. Esse deve ser o plano.
Existe uma tara na burguesia de querer tutelar as pessoas. Querem proibir o cigarro, por exemplo, mas essa também é uma preocupação que só diz respeito às seguradoras, que ganham menos quando pacientes precisam utilizar seus planos de saúde ou hospitais.
Do ponto de vista do indivíduo, se uma pessoa quiser fumar, é um problema pessoal, tem o direito.
Quando se lê o artigo, toda hora se fala em custos, ou saber “quem está ganhando com as bets”. O próprio governo tem loterias. A verdade é que se as pessoas não estivessem mergulhadas em dívidas, ou vivendo uma vida precária, não recorreriam a apostas, drogas, etc.
As pessoas ficam mais deprimidas por não terem trabalho, por não terem perspectiva na vida do que qualquer outra coisa.
Voltemos ao tema de jovens irem para as faculdades. Além de a maioria não ter como pagar, muitos não acreditam que vale o esforço, pois o mercado de trabalho não está absorvendo profissionais. Soma-se a isso as faculdades caça-níqueis, com cursos de péssima qualidade e que não formam bons profissionais.
O artigo diz que “as ações recentes do governo, como a criação de plataforma nacional de autoexclusão, a oferta de teleatendimentos e a formação de profissionais do SUS para acolhimento e cuidado de pessoas com problemas relacionados às apostas, foram passos importantes, mas ainda insuficientes para proteger a população. Em um país onde cassinos e bingos físicos são proibidos, é contraditório permitir que o acesso ao jogo esteja disponível de forma irrestrita na palma da mão, 24 horas por dia”.
O que não está dito é que os banqueiros, como Armínio Fraga, são defensores do teto de gastos, ou seja, o governo não vai gastar em Saúde, Educação, pois é preciso garantir o pagamento da dívida pública criminosa.
Enquanto aplaudem um determinado atendimento do SUS, trabalham pelo sucateamento do sistema que deteriora a passos largos.
É preciso acabar com essas falsas preocupações que, no fundo, não estão voltadas para os cidadãos, mas para o favorecimento do grande capital financeiro.





