Ativistas da Flotilha Global Sumud, missão internacional que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, denunciaram uma série de agressões cometidas por forças israelenses após a interceptação de seus barcos em águas internacionais. Segundo relatos de participantes e organizadores da flotilha, os detidos foram espancados, atingidos por balas de borracha, privados de atendimento médico adequado e submetidos a agressões sexuais, incluindo estupro.
As embarcações seguiam da Turquia em direção a Gaza quando foram abordadas pela Marinha israelense. De acordo com os ativistas, a operação ocorreu a mais de 500 quilômetros da costa palestina. As comunicações teriam sido cortadas antes da invasão dos barcos por soldados israelenses.
O belga Julian Cabral, um dos deportados que chegaram a Istambul na quinta-feira (21), apareceu com ferimentos visíveis, incluindo hematomas no olho e lesões na cabeça e no ombro. Ele afirmou que os passageiros estavam com as mãos erguidas e não ofereceram resistência quando os soldados abriram fogo com munição de borracha.
Cabral relatou que os ativistas foram amarrados, transferidos violentamente para uma embarcação de detenção e mantidos dentro de contêineres. Segundo ele, havia pessoas com fraturas e outros ferimentos, mas o atendimento médico foi negado ou insuficiente. Os detidos também teriam enfrentado falta de comida, água e itens básicos de higiene.
As denúncias foram reforçadas pelos organizadores da flotilha. Em nota publicada nas redes sociais, a Flotilha Global Sumud afirmou haver “pelo menos 15 casos de agressões sexuais, incluindo estupro”, além de disparos de balas de borracha à queima-roupa e dezenas de pessoas com ossos quebrados.
O italiano Luca Poggi, economista que estava entre os detidos, disse ao chegar a Roma que os ativistas foram despidos, jogados ao chão e chutados. Segundo ele, muitos foram atingidos por armas de choque, alguns sofreram violência sexual e outros ficaram sem acesso a advogados.
Também houve relatos de hospitalizações após a deportação. Organizadores informaram que cinco franceses foram internados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou fraturas nas vértebras. Entre os australianos detidos, todos teriam precisado de primeiros socorros, e três foram levados ao hospital.
A ativista australiana Juliet Lamont afirmou que soldados israelenses espancaram 180 pessoas no navio-prisão onde ela estava, deixando ao menos 40 com ossos quebrados. Ela também denunciou casos de tortura, agressão sexual, uso de armas de choque e sedação forçada.
Outro australiano, Zack Schofield, afirmou que os detidos foram obrigados a dormir por dois dias no chão frio e molhado, sem cobertores ou colchões, usando roupas de prisão. Segundo ele, os guardas mantinham os presos algemados por longos períodos, restringiam o acesso à água e os forçavam a permanecer em posições dolorosas.
As denúncias surgiram após o ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, divulgar imagens de ativistas detidos, ajoelhados e imobilizados, enquanto eram provocados verbalmente. O vídeo provocou condenações diplomáticas e aumentou a pressão internacional contra o governo israelense.
Governos europeus manifestaram preocupação com o tratamento dado aos detidos. A Itália informou que países da União Europeia discutem a possibilidade de impor sanções contra Ben-Gvir. Espanha, França e outros países acompanharam a chegada de seus cidadãos deportados e registraram casos de atendimento médico a participantes feridos.
O governo de “Israel” nega as acusações. O serviço prisional israelense afirmou que as denúncias são “falsas” e que os detidos foram tratados conforme a lei, com respeito a direitos básicos e acesso a atendimento médico.
A flotilha reunia centenas de ativistas de vários países em cerca de 50 embarcações. Seu objetivo era desafiar o bloqueio imposto a Gaza e levar ajuda humanitária à população palestina. Ao todo, cerca de 430 pessoas foram detidas por Israel durante a operação.
Mesmo após as agressões denunciadas, ativistas afirmaram que pretendem continuar participando de missões para romper o bloqueio contra Gaza. Cabral disse que retornará à Bélgica para exames médicos, mas pretende embarcar novamente em futuras ações humanitárias.





