O Ministério da Justiça abriu, nesta quarta-feira (24), investigação contra a CazéTV por suposta “publicidade abusiva” de bets nas transmissões da Copa do Mundo. A Senacon aponta três episódios — em jogos como Inglaterra x Gana e Argentina x Áustria — nos quais narradores e comentaristas teriam estimulado apostas. A Fazenda, em paralelo, notificou plataformas de bets.
A campanha contra as bets é moralista. Repete o roteiro das cruzadas contra o cigarro e contra o álcool. Quem a promove são os grandes bancos. Basta olhar os seus porta-vozes: Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e homem do mercado financeiro, encampou a campanha, ao lado de figuras como Caetano Veloso e Paula Lavigne, alinhados ao Banco Itaú.
A investigação contra a CazéTV revela a outra face da mesma operação. Trata-se também de um serviço prestado à Globo. Durante décadas, a emissora dos Marinho deteve sozinha a transmissão da Copa. A Internet quebrou esse monopólio: a CazéTV exibe os 104 jogos do Mundial pelo YouTube, e a Globo sente o golpe em plena decadência econômica.
A Globo é um monopólio. Controla partidos, dita a imprensa, faz e desfaz governos. A CazéTV não tem esse peso. O governo ataca a CazéTV para proteger a Globo, a emissora dos grande capital.
O episódio também escancara o motivo da censura à Internet. O governo Lula vem adotando, de forma sistemática, uma política de controle da rede, sempre vendida como combate a abusos. Por trás dela está a defesa dos grandes capitais ameaçados pela concorrência. A “regulação” das bets e a investigação contra a CazéTV são capítulos da mesma ofensiva.
Enquanto se encena a cruzada moral contra as apostas, o saque verdadeiro corre solto no sistema bancário. O endividamento das famílias bateu 80,9% em abril, recorde da série histórica, segundo a CNC. Os juros do rotativo do cartão de crédito chegaram a 451,5% ao ano, segundo o Banco Central. Quase 30% da renda das famílias está comprometida com dívidas. O empobrecimento da população é obra dos bancos, e sobre isso a campanha nada diz.
O governo ainda paga o preço político. Casimiro Miguel apoiou Lula em 2022, e o presidente agradeceu publicamente o gesto. A medida é impopular, serve ao monopólio e corrói a base que elegeu o petista — sinal da tendência do governo a perder o seu próprio apoio.





