O banqueiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, começou a financiar seus candidatos nas eleições de 2026. Foram R$135 mil distribuídos entre três nomes: R$100 mil para Tabata Amaral (PSB-SP), R$25 mil para Felipe Rigoni (PSB-ES) e R$10 mil para Marcelo Freixo (PT-RJ).
Questionado sobre as doações, Fraga afirmou que os três são “bons candidatos” e informou que ainda pretende apoiar outros nomes no Rio de Janeiro.
A escolha diz muito sobre os candidatos e sobre a chamada frente ampla. Fraga é um banqueiro ligado há décadas ao grande capital financeiro internacional. Antes de presidir o Banco Central, trabalhou no fundo de investimentos de George Soros. Comandou o BC entre 1999 e 2003, durante o segundo governo FHC, um período marcado pelas privatizações, pelos juros elevados e pela abertura cada vez maior da economia brasileira ao capital financeiro internacional. Depois, fundou a Gávea Investimentos.
Fraga tornou-se um dos principais expoentes da política neoliberal no Brasil. Mesmo depois do fim do governo tucano, continuou defendendo ajuste fiscal, cortes nos gastos públicos e medidas exigidas pelos banqueiros. O DCO já mostrou, em diferentes ocasiões, seu apoio às políticas de austeridade que fazem os trabalhadores pagarem pela crise econômica.
É esse banqueiro que decidiu colocar R$100 mil na campanha de Tabata Amaral.
A relação não começou agora. Fraga já havia financiado a deputada em eleições anteriores e voltou a contribuir com sua campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024. Na ocasião, chegou a apresentar Tabata como um investimento político para o futuro.
O apoio combina com a trajetória da parlamentar. Eleita inicialmente pelo PDT com uma propaganda de renovação política, Tabata votou em 2019 a favor da reforma da Previdência do governo Bolsonaro, uma das principais reivindicações do grande capital e dos bancos. A reforma aumentou as dificuldades para a aposentadoria dos trabalhadores e retirou direitos conquistados durante décadas.
O DCO denunciou desde então o verdadeiro conteúdo político da deputada, apesar da propaganda que procurava apresentá-la como integrante de uma nova esquerda.
Sua posterior filiação ao PSB aprofundou esse caminho. O partido, apesar do nome socialista, participou do golpe de Estado de 2016 contra Dilma Rousseff e tornou-se depois um dos principais abrigos da velha direita tucana dentro da aliança comandada pelo PT. Geraldo Alckmin, durante décadas dirigente do PSDB, terminou no PSB e chegou à Vice-Presidência da República na chapa de Lula.
O próprio partido também recebeu dinheiro de Armínio Fraga. Antes das contribuições individuais anunciadas agora, o banqueiro havia destinado R$100 mil ao PSB.
Marcelo Freixo percorreu caminho semelhante.
Durante anos uma das principais figuras do PSOL, Freixo deixou o partido em 2021 e ingressou justamente no PSB para disputar o governo do Rio de Janeiro. A mudança, sob a justificativa de formar uma frente contra o bolsonarismo, finalmente desmascarou a farsa que esse político lavajatista sempre foi.
Depois de passar pelo PSB, Freixo entrou no PT, partido que ele ajudou a derrubar do governo em 2016, a fim de limpar a sua imagem. Mas isso não significa que ele “voltou a ser de esquerda”: pelo contrário, mostra o quão o PT está caminhando para a direita. Freixo nunca deixou de ser um direitista que se passa por esquerdista. Pelo contrário.
O dinheiro de Armínio Fraga acompanha esse processo. Em 2022, o banqueiro já havia destinado R$200 mil à campanha de Freixo. Naquele ano, o DCO publicou a matéria Banqueiro de FHC, Armínio Fraga despeja 300 mil em Freixo e Molon, mostrando como candidatos apresentados como representantes da esquerda recebiam financiamento de um dos principais representantes da política genocida neoliberal.
Agora, Fraga volta a financiar Freixo, desta vez candidato a deputado federal pelo PT.
As contribuições ajudam a esclarecer o conteúdo da frente ampla. Sob o pretexto de combater Bolsonaro, o PT formou uma aliança com antigos integrantes da direita tradicional, políticos ligados aos grandes empresários e partidos responsáveis diretamente pelo golpe contra Dilma Rousseff.
O resultado não foi apenas uma composição eleitoral. Políticos apresentados durante anos como integrantes da esquerda passaram a conviver cada vez mais abertamente com os representantes políticos e econômicos da burguesia.
Tabata Amaral está no PSB e recebe R$100 mil de Armínio Fraga. Marcelo Freixo passou pelo mesmo partido, ingressou no PT e também recebe dinheiro do banqueiro. O PSB, por sua vez, recebeu uma contribuição direta de Fraga.
O banqueiro não esconde sua satisfação com esses nomes. Ao classificá-los como “bons candidatos”, deixa claro que vê neles políticos compatíveis com os interesses que representa.
Para os trabalhadores, a informação serve para mostrar o que existe por trás da propaganda da frente ampla. Um dos maiores expoentes do neoliberalismo brasileiro, ligado ao governo das privatizações de FHC e ao capital financeiro internacional, não está colocando dinheiro em adversários dessa política. Está financiando Tabata Amaral, Marcelo Freixo e o PSB para que apliquem essa política de extermínio da população.




