Mar Vermelho

Arábia Saudita cria nova rota para contornar crise em Ormuz

Ligação entre Jidá, Salalah e Djibuti expõe o impacto da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã sobre os aliados do imperialismo na região

A Autoridade Portuária da Arábia Saudita, Mawani, anunciou em 21 de maio a criação de um novo serviço marítimo ligando o Porto Islâmico de Jidá, no Mar Vermelho, ao porto de Salalah, em Omã, e ao Porto de Djibuti, no Chifre da África. A linha terá capacidade para até 1.730 TEUs, unidade equivalente a contêineres de 20 pés, e foi apresentada oficialmente como uma medida para “fortalecer a conectividade” marítima do reino.

O anúncio corre em meio à crise aberta no Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes do comércio mundial de petróleo, após a ofensiva norte-americana e israelense contra o Irã e a resposta iraniana contra a navegação ligada à agressão imperialista. O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã se mantém desde 7 de abril, mas a situação em Ormuz segue no centro da crise regional.

A nova linha saudita integra uma tentativa de acelerar corredores alternativos pelo Mar Vermelho. Poucos dias antes, a Mawani já havia lançado o serviço Red Sea Express, conectando o porto industrial Rei Fahd, em Yanbu, aos portos de Ain Sokhna, no Egito, e Aqaba, na Jordânia, com capacidade de até 1.100 TEUs.

Na prática, a Arábia Saudita procura reduzir sua dependência das rotas do Golfo Pérsico, onde a pressão militar dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã produziu um efeito contrário ao desejado: em vez de isolar a República Islâmica, a guerra passou a ameaçar diretamente os interesses econômicos dos próprios aliados norte-americanos no Golfo.

O preço do petróleo permanece acima de 100 dólares o barril, pressionado pela guerra e pelas interrupções no Estreito de Ormuz. O conflito já provocou forte aumento dos custos de energia, rompeu cadeias de suprimentos e afetou empresas em diversos países.

A monarquia saudita também pressiona os Estados Unidos a encerrar o bloqueio contra os portos iranianos e a retomar negociações. A preocupação central é que a continuidade da escalada leve o Irã ou seus aliados regionais, em particular o Ansar Alá, no Iêmen, a atingir também o Estreito de Babelmândebe, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.

Caso o estreito também seja fechado ou se torne inseguro, a principal alternativa saudita a Ormuz ficaria ameaçada. Autoridades árabes citadas pelo Wall Street Journal demonstraram preocupação justamente com esse cenário, pois a Arábia Saudita depende do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para manter parte de suas exportações de petróleo fora da rota do Golfo Pérsico.

Durante o auge da guerra, a Arábia Saudita teria acionado o oleoduto Leste-Oeste para transportar petróleo até Yanbu, desviando milhões de barris da rota de Ormuz. Os Emirados Árabes Unidos também recorreram a alternativas próprias para escoar petróleo por terminais fora do Golfo, em uma tentativa de reduzir os danos causados pela crise.

Ao mesmo tempo, a disputa pelo Mar Vermelho se intensifica. Emirados Árabes Unidos e “Israel” vêm ampliando sua cooperação militar e de inteligência na região, especialmente no entorno do Iêmen, de Babelmândebe e do arquipélago de Socotra.

A criação de novas rotas sauditas mostra que toda a arquitetura regional montada pelos Estados Unidos, por “Israel” e pelas monarquias do Golfo está sob pressão. A tentativa de atacar e estrangular o Irã acabou transformando as principais vias de comércio de petróleo do mundo em pontos de tensão permanente.

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