Emmanuel Macron admitiu “falhas de antecipação e inteligência” depois que a polícia perdeu o controle de parte dos protestos do fim de semana na França. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, ofereceu sua renúncia; o presidente recusou. Em vez de recuar na repressão, o governo anunciou que vai rever a preparação das operações policiais e endurecer as punições.
As manifestações de 17/10 reuniram estudantes, trabalhadores, agricultores e integrantes dos Coletes Amarelos. A Confederação Geral do Trabalho e outras organizações calcularam cerca de 800 mil participantes; o Ministério do Interior informou 550 mil em 110 passeatas. A revolta estudantil, iniciada semanas antes, levou às ruas denúncias de falta de professores, prédios deteriorados e restrições ao ingresso no ensino superior. Os trabalhadores acrescentaram reivindicações contra a carestia, os baixos salários e os cortes nos serviços públicos.
A polícia respondeu com detenções em massa. O governo atualizou para 2.397 o número de pessoas detidas na jornada de sábado. Em Saint-Étienne, uma granada policial arrancou a mão de um manifestante. Antes daquele fim de semana, quase oito mil passagens de estudantes e outros manifestantes pela custódia policial já haviam sido contabilizadas desde o início da mobilização, segundo o levantamento noticiado pelo DCO. A maioria dos detidos nesse período era menor de idade.
Macron falou em falhas porque a polícia não conseguiu conter os confrontos. Não reconheceu como falha o envio de policiais contra estudantes nem as mutilações provocadas pelas armas usadas nas manifestações. Anunciou, ao contrário, a possibilidade de proibir concentrações e cobrou maior rapidez nas punições.
A palavra “inteligência”, no pronunciamento presidencial, diz respeito a preparar melhor o Estado para a próxima jornada. Professores, alunos e trabalhadores continuam sem resposta para as reivindicações que os levaram às ruas.





