O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou neste domingo (18) novas medidas repressivas após as manifestações contra a carestia que reuniram cerca de 800 mil pessoas no sábado (17). Em pronunciamento à noite, prometeu punições judiciais e afirmou que as autoridades poderão proibir concentrações. Na Itália, milhares de jovens também foram às ruas contra os salários baixos, o encarecimento dos combustíveis e a deterioração dos serviços públicos.
“Quem destruiu deve pagar. Quem saqueou deve ressarcir”, declarou Macron. O presidente atribuiu os confrontos a grupos de “ultraesquerda” e a delinquentes, exigiu rapidez nas investigações e cobrou maior severidade judicial. Determinou ainda que o governo reveja os procedimentos dos serviços de inteligência e a preparação das operações policiais.
O Ministério do Interior atualizou para 2.397 o número de detenções realizadas no sábado em toda a França. O mesmo balanço contabilizou 997 policiais e gendarmes feridos, sete deles gravemente. Os números substituem as estimativas preliminares divulgadas durante a jornada, quando o ministro Laurent Nuñez falava em cerca de 400 detidos.
As organizações da mobilização, entre elas a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a União Estudantil, anunciaram cerca de 800 mil participantes. O governo contabilizou 550 mil pessoas em 110 passeatas, com 110 mil em Paris. Secundaristas, universitários, integrantes dos Coletes Amarelos, agricultores e militantes ambientalistas se uniram contra o custo de vida e os ataques ao ensino público.
A revolta estudantil começou no fim de setembro, com bloqueios em centenas de liceus. Os alunos denunciam falta de professores, prédios degradados e instalações inadequadas. Enquanto exigem recursos, o governo prepara dezenas de bilhões de euros em cortes no orçamento de 2027.
Ameaças contra a mobilização
Macron anunciou que os prefeitos departamentais, representantes do governo central, poderão proibir determinados atos. Exigiu que partidos e sindicatos condenem os confrontos e anunciou reuniões com organizações políticas, estudantis, sindicais e patronais. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu comandará uma célula de crise a partir de segunda-feira (19).
As ameaças se somam à violência policial das últimas semanas. Em Saint-Étienne, uma granada policial arrancou a mão de um manifestante no sábado. Nuñez confirmou o caso e anunciou uma investigação. No começo do mês, um adolescente de 15 anos já perdera uma mão, levando o governo a anunciar a suspensão do uso de granadas atordoantes em atos estudantis.
O governo emprega as depredações como justificativa para restringir o direito de manifestação, enquanto a polícia mutila os jovens que saem às ruas. A condenação dos confrontos ocupa o centro do pronunciamento presidencial, mas os cortes que atingem o ensino e os demais serviços públicos continuam de pé.
A secretária-geral da CGT, Sophie Binet, criticou a ausência de medidas concretas para atender às reivindicações da juventude, combater a carestia, recuperar os serviços públicos e impedir as demissões. A central convocou uma jornada nacional de greves e manifestações para 5 de novembro.
Jovens nas ruas da Itália
Na Itália, o movimento Italia in Piazza convocou manifestações no sábado contra a carestia. Em Milão, cerca de 5 mil pessoas participaram da passeata, que denunciou também as condições da saúde e das escolas públicas. Houve protestos em Turim, Bolonha, Brescia e Bérgamo.
A polícia realizou cargas em Milão e empregou jatos d’água e gás lacrimogêneo em Bolonha. Os confrontos se estenderam por diferentes pontos das cidades. Segundo o balanço policial divulgado no domingo, 197 pessoas foram identificadas e conduzidas a dependências policiais no país; 28 foram presas, entre elas 12 menores de idade.
A primeira-ministra Giorgia Meloni condenou os confrontos e convocou para segunda-feira uma reunião sobre ordem pública. Em Milão, os manifestantes carregavam uma faixa que exigia mais dinheiro para as famílias e menos para as guerras.





