Polêmica

Apocalipse climático é demagogia pró imperialista

Os defensores do clima querem salvar a Terra, mas se esquecem justamente do ser humano, o que mostra que essa é uma política reacionária

Apocalipse

O artigo Quando a Terra perde a paciência: crise climática e extinções globais, de Luis Pellegrini, publicado no Brasil 247, é parte de uma tendência catastrofista que promete que, se nada for feito, a extinção da vida na Terra é questão de tempo, e a culpa seria dos seres humanos, que estariam queimando muito combustível fóssil, consumindo demais e alterando o clima.

A questão sobre o clima, ou daqueles que alertam para um caminho de não retorno, é que nunca tocam na questão crucial: o capitalismo a ser derrotado.

Segundo o artigo, “a ciência começa a mostrar uma realidade bem mais inquietante: a Terra não é um termômetro. É um sistema vivo, complexo e cheio de limiares. E, quando determinados limites são ultrapassados, as mudanças podem deixar de ser graduais.” Quais seriam os tais limites? A quantidade de dados a se examinar é gigantesca; tirar conclusões é, no mínimo, temerário. Além disso, a ciência tem obtido avanços que há pouco tempo seriam inimagináveis, como a recuperação de solos contaminados por produtos sintéticos de alta complexidade — o benzeno é um exemplo — com o uso de fungos.

Pellegrini cita o pesquisador Daniel Rothman, que “estudou grandes perturbações do ciclo do carbono ocorridas ao longo de centenas de milhões de anos.” E que teria encontrado “uma espécie de assinatura matemática das grandes crises ambientais do passado.”

Ainda que Pellegrini vá alertar que não se trata de uma “profecia do fim do mundo”, o teor do seu texto caminha nesse sentido. Utiliza expressões como “empurrar uma porta até ela ceder”, “caminhar em direção ao precipício”, “corrida contra a extinção” e “a Terra perde a paciência” (como no título). Tudo isso induz o leitor à ideia de um colapso iminente e inevitável, e não de um problema técnico escalável.

Além disso, Pellegrini constrói um cenário de “Sem Volta”, um ponto de inflexão quando enfatiza repetidamente que os sistemas complexos não respondem de forma proporcional e que a natureza “não negocia”. A mensagem implícita aí é a de que, ao cruzar a linha (é isso que o texto sugere que a humanidade vem fazendo), a engrenagem do fim já foi acionada e não há como frear.

Em seu artigo, Pellegrin faz uma analogia com a “Maior Extinção em Massa da História”, traçando um paralelo direto entre a atividade humana de hoje e a Extinção do Permiano (que dizimou 95% da vida). Dessa maneira, cria uma equivalência visual na mente de quem o lê. Por mais que o autor diga “não é uma profecia para 2100”, a imagem que fica gravada no leitor é a da maior catástrofe biológica da história da Terra.

Mistificação

É preciso fugir dessas tendências semirreligiosas que dizem que a Terra “perde a paciência” ou “se defende”; é uma linguagem baseada na hipótese de Gaia, e não se deve personificar o planeta. O sistema climático terrestre opera por mecanismos de retroalimentação físicos e químicos, sem qualquer tipo de “vontade”, “intencionalidade” ou “equilíbrio moral”. O planeta não “reage contra a humanidade”; ele apenas responde a forças físico-químicas de entrada e saída.

Essa mistificação da Terra é um dos suportes ideológicos para sustentar que os seres humanos estão à beira do Apocalipse.

Recapitulando a questão da Extinção em Massa a que o texto faz referência, em termos de volume acumulado total de gases e aumento da temperatura global absoluta, a Terra ainda está longe das condições do Permiano.

A extinção do Permiano envolveu não apenas CO₂, mas colapsos por envenenamento maciço de enxofre, erupções vulcânicas de escala continental durante centenas de milhares de anos e emissões de metano a partir de clatratos marinhos. Traçar uma equivalência exata sem considerar a diferença de magnitude total é um alarmismo cientificamente impreciso.

Outro ponto mistificador é o trecho que diz que “durante séculos, a humanidade imaginou que a natureza precisava se adaptar a nós. Construímos cidades, estradas, fábricas e megacidades. Extraímos petróleo e carvão. Transformamos florestas em áreas agrícolas. Alteramos rios. Aquecemos a atmosfera. Acidificamos os oceanos. E chamamos tudo isso de progresso.” Pellegrini impõe um dilema moral que insinua que a alternativa à exploração desenfreada seria o retorno a uma vida pré-civilização.

Devemos retornar aos tempos em que uma pessoa morria no meio do mato aos trinta anos de idade de infecção dentária? Será que devemos ignorar que uma cirurgia com anestesia, com assepsia, é um progresso? E o que dizer da capacidade humana de alimentar bilhões de pessoas? Ninguém vai querer voltar aos tempos em que havia fome crônica, analfabetismo, pragas, mortalidade infantil altíssima, viver sem eletricidade, sem saneamento básico.

E também não adianta ter os recursos para apenas uma parte da população; é preciso que a humanidade toda desfrute de todos os avanços.

Os críticos do clima, os catastrofistas, falam em nome do planeta e tiram os olhos dos problemas sociais que a humanidade sofre. Ou seja, é uma política elitista e extremamente reacionária. Nenhum desses críticos aponta para o fato de que é necessário derrotar a burguesia e implementar o socialismo para que até mesmo o planeta seja beneficiado.

A esquerda deve rejeitar essas teorias apocalípticas, mesmo as que digam que não são, pois elas criam um ambiente de paralisia política e fazem com que boa parte das pessoas acabem aderindo às políticas de “proteção climática” impostas pelo imperialismo, que nada mais fazem que condenar a maioria da população mundial ao atraso.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.