Candidatos norte-americanos poderão aparecer menos vezes ao lado da sigla AIPAC sem deixar de receber apoio de seus financiadores. A organização anunciou que encerrará os endossos eleitorais e as contribuições diretas feitas por seu comitê, além de parar de encaminhar doações destinadas previamente a determinados políticos. O United Democracy Project (UDP), fundo que compra propaganda eleitoral, seguirá em atividade.
A decisão foi divulgada depois que mais de US$ 90 milhões já haviam sido destinados a candidatos por integrantes da rede da AIPAC neste ciclo, segundo levantamento publicado pela Al Mayadeen. Os gastos do comitê e do UDP passaram de US$ 100 milhões. Na mesma semana do anúncio, o UDP destinava recursos a um grupo favorável ao republicano Mike Rogers, candidato ao Senado em Michigan. O dinheiro continuará sujeito a registros eleitorais, mas parte do apoio deixará de passar visivelmente pelo nome da AIPAC.
A organização financia políticos dos dois grandes partidos em torno de uma exigência comum: defender “Israel”. Seus documentos pedem a manutenção da ajuda militar norte-americana, combatem limites à venda de armamentos e apoiam sanções contra quem colabore com investigações do Tribunal Penal Internacional. Democratas e republicanos também votaram juntos pela ampliação da ajuda a “Israel” na Câmara em 2024.
O recuo na publicidade do endosso tem uma razão eleitoral. Cresceu a rejeição a “Israel” entre os norte-americanos, e candidatos contrários à AIPAC venceram disputas internas mesmo quando grupos sionistas gastaram milhões para derrotá-los. Para parte dos políticos, receber esse apoio abertamente deixou de ser uma vantagem.
O lobby procura conservar sua influência afastando a sigla da campanha. O UDP poderá comprar anúncios; os doadores poderão contribuir diretamente; os eleitos continuarão votando projetos sobre armas, ajuda militar e Palestina. É nesses registros de financiamento e nessas votações que a mudança anunciada pela AIPAC deverá ser examinada.





