A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos caiu para 282,7 milhões de barris, o nível mais baixo desde outubro de 1982, segundo dados do Departamento de Energia citados pela Reuters em 19/10. A redução acompanha as retiradas feitas por Washington para tentar conter os preços internacionais durante a guerra desencadeada pelos Estados Unidos contra o Irã.
Em março, Donald Trump anunciou a liberação planejada de 172 milhões de barris. A medida integrou uma operação coordenada pela Agência Internacional de Energia, na qual cerca de 30 países assumiram o compromisso de disponibilizar, em conjunto, 400 milhões de barris de estoques de emergência.
A dimensão das retiradas mostra o efeito da guerra sobre o abastecimento de energia. A ofensiva norte-americana não conseguiu eliminar a capacidade de resposta iraniana, e as perturbações na circulação de petróleo, particularmente pelo Estreito de Ormuz, pressionaram os preços dos combustíveis. Para amortecer as consequências econômicas de sua política militar, Washington passou a gastar reservas acumuladas para situações excepcionais.
Criada em 1975, após a crise energética da década anterior, a reserva norte-americana foi concebida para enfrentar interrupções graves no fornecimento. Utilizá-la pode aumentar a quantidade de petróleo disponível no curto prazo, mas deixa menos barris armazenados para uma nova emergência.
A operação anunciada por Trump seria a segunda maior liberação já planejada a partir dos estoques estratégicos. Em 2022, Joe Biden havia autorizado a retirada de 180 milhões de barris durante a crise relacionada à guerra na Ucrânia. Em ambos os casos, os efeitos de confrontos internacionais chegaram ao abastecimento interno norte-americano.
Mesmo depois da queda para o nível mais baixo em 44 anos, o Departamento de Energia anunciou em 16 de outubro uma nova oferta de até 17 milhões de barris por meio de empréstimos a empresas. Nesse modelo, as companhias recebem petróleo e assumem a obrigação de devolvê-lo posteriormente, com um acréscimo. Enquanto o produto não retorna, porém, ele deixa de estar disponível na reserva para atendimento imediato de emergências.
Uma iniciativa semelhante teve adesão pequena em junho, quando empresas aceitaram obter aproximadamente 500 mil barris sob condições que exigiam devolução futura. As dificuldades para realizar essas trocas acrescentam incerteza ao ritmo de recomposição dos estoques.
A guerra também cobra um preço direto dos trabalhadores norte-americanos. Combustíveis mais caros elevam os gastos com transporte e encarecem mercadorias cuja produção ou distribuição depende do petróleo. Os recursos consumidos pela política militar são retirados de uma estrutura que deveria servir à segurança energética da população.
Em julho, o deputado republicano Thomas Massie criticou os prejuízos da guerra, mencionando o desgaste das defesas antimísseis, as despesas militares, a alta dos combustíveis e a redução das reservas de petróleo. Ao atribuir esses custos à política de apoio ao Estado sionista, resumiu sua crítica com a frase: “Tudo por “Israel””.
A queda dos estoques não significa que os Estados Unidos tenham ficado sem petróleo, mas reduz sua margem para enfrentar uma interrupção adicional. O dado de 282,7 milhões de barris expressa um limite concreto da guerra: enquanto Washington ameaça novas operações contra o Irã, suas reservas destinadas a situações de emergência já recuaram a um patamar não registrado desde 1982.




