O Brasil enfrenta um momento de enorme aprofundamento da crise do regime com o início da campanha eleitoral, marcado pelo encerramento das convenções partidárias no dia 5 de agosto. A crise política se agrava, refletindo um cenário de isolamento e denúncias que envolvem os principais candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro e Lula, enquanto a burguesia busca impor uma “terceira via”.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL, fracassou na tentativa de formar coligações com outros partidos de direita, resultando em uma chapa “puro-sangue”, com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. Tal isolamento é fruto de um intenso cerco ao bolsonarismo — desde os processos e a prisão do ex-presidente até as denúncias —, que buscou promover a desistência ou um enfraquecimento significativo de sua candidatura. No entanto, as pesquisas indicam uma disputa acirrada, mostrando que a base bolsonarista mantém seu apoio.
Paralelamente, intensificam-se as denúncias contra pessoas próximas a Lula, incluindo seu filho, “Lulinha”, seu ex-líder no Congresso, Jaques Wagner, e seu ex-chefe de gabinete, “Marcola”. A imprensa capitalista, agrupada no “Partido da Imprensa Golpista” (PIG), explora relatos de tráfico de influência e corrupção, forçando Lula a adotar uma postura defensiva. As investigações, que ainda não resultaram em acusações formais, são usadas para desgastar a candidatura de Lula, também em favor da política da “terceira via”.
É evidente que a burguesia não abriu mão de impor sua política de “terceira via”, seja se livrando de um ou dos dois candidatos com base popular, seja colocando-os em posições muito defensivas, desgastando-os para forçar um acordo em torno de um possível apoio que signifique uma ampla capitulação, maior do que a que vemos no governo atual e no anterior.
Nessas condições, independentemente de quem ganhe as eleições, o País terá pela frente um governo que será pressionado a realizar um duro ataque contra os trabalhadores, a pretexto de fazer um novo “ajuste nas contas públicas”, como reconheceu o atual ministro da Fazenda. Na realidade, trata-se da imposição de novos cortes de direitos e de gastos públicos para manter a roubalheira em favor dos bancos e especuladores internacionais que saqueiam o País, principalmente por meio da fraudulenta dívida pública, das maiores taxas de juros do mundo e da entrega da economia nacional.
São esses interesses hostis aos do povo brasileiro que devem reger a campanha eleitoral que começa oficialmente no próximo dia 16. O governo e a maioria da esquerda parlamentar já deram mostras de sua disposição em capitular, seja realizando todo tipo de acordo que só favorece a direita, como no caso da chapa tucana e golpista que o PT lançou em SP e nas alianças com a direita em quase todo o País, seja nas declarações entreguistas, como as do ministro da Defesa, que, sem qualquer pudor, afirmou que, diante de uma invasão do Brasil pelos EUA, a única saída seria “abrir os portões” e, obviamente, entregar tudo.
O povo brasileiro não merece um governo disposto a ceder ainda mais do que já foi feito; se ele vier, precisará ser enfrentado com uma grande mobilização.
É preciso usar as eleições para denunciar essa política capituladora, defender um programa em defesa dos interesses da maioria da nação, dos direitos democráticos e das reivindicações populares e apontar que a derrota da ofensiva que virá contra o País depende da mobilização dos trabalhadores, da juventude, de todos os setores oprimidos e de suas organizações de luta, e não apenas do voto nas “sagradas” urnas eletrônicas.





