No artigo Super El Niño: crônica de uma tragédia anunciada, publicado no sítio Revista Movimento nesta quinta-feira (16), o clima serve de pretexto para o MES, corrente do PSOL, juntar-se aos golpistas da Rede Sustentabilidade.
Em abril de 2016, Marina Silva recomendou à Rede Sustentabilidade que votasse a favor do impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Para disfarçar seu golpismo, a ex-senadora defendia a cassação da chapa Dilma-Temer, uma versão rebaixada do “Fora todos” do PSTU.
O texto, como convém aos chamados “ecossocialistas”, faz alarde em torno do clima, mas não aponta a causa real dos problemas que descreve. Diz que “para enfrentar a catástrofe climática, acelerada pelo negacionismo neofascista, o freio de emergência está na luta e na mobilização de maioria social”.
Há décadas anunciam o fim dos tempos e agora recorrem ao chamado “negacionismo neofascista”. Mesmo que não houvesse o tal “negacionismo”, a situação não seria melhor. O problema não é o clima, mas a crise capitalista e o domínio dos bancos, que levam os Estados à falência e impedem os investimentos necessários à prevenção de desastres.
Prosseguindo no catastrofismo, o artigo afirma que “o Brasil deverá enfrentar um fenômeno climático sem precedentes com a chegada, no segundo semestre, do que os meteorologistas apelidaram de ‘Super’ El Niño”.
O alarde é apresentado como uma conclusão científica:
“Tomando dados do Centro de Previsão Climática (CPC), do órgão responsável pela previsão oceânica e atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade do El Niño se enquadrar na categoria ‘muito forte’ é de 81%. Ou seja, cientificamente, estão dadas as condições para um dos maiores eventos climáticos do século, com fortes desdobramentos no Brasil.”
As condições climáticas são variáveis e difíceis de prever. De todo modo, qualquer política séria de prevenção no Brasil esbarra na drenagem do orçamento público pelo capital financeiro. Mais da metade do orçamento da União é entregue aos bancos.
Para o MES, “parece estranho que, num cenário onde o debate pré-eleitoral já domina a situação, pouco ou nada se discute em relação ao que fazer diante desse cenário”.
Mais estranho, porém, é fazer tamanho barulho em torno do clima, reproduzindo uma política do imperialismo, sem discutir a essência do problema e transformando o tema em instrumento eleitoral. É o que aparece no trecho a seguir:
“Estamos diante de gravíssimos eventos climáticos ao redor do Planeta. Cabe um debate mais sério sobre a centralidade da pauta ambiental em geral, e dentro da esquerda, sobre uma saída Ecossocialista tendo em vista o debate programático e eleitoral programado.”
Para a esquerda pequeno-burguesa, tudo se transforma em um meio de conseguir votos e cargos no aparelho estatal. Essa esquerda vende a ilusão de que, por meio do Parlamento, será possível proteger a natureza e até controlar o clima.
A burguesia dá o tom
Não é novidade que a burguesia orienta essa esquerda ecológica. Por isso, o artigo declara:
“Chamou atenção a capa da Folha de São Paulo do domingo, 12 de julho. A manchete alertava para uma grande dificuldade na pecuária, um provável atraso no plantio de grãos, atrapalhando e reduzindo a safra. A ameaça combinaria as chuvas excessivas na região sul, condenando o plantio de trigo, com as ondas de calor no Centro-Oeste, debilitando a soja, que tem o plantio previsto para o intervalo entre setembro e dezembro.”
Não importa que tudo permaneça no terreno das hipóteses. Se a grande imprensa anunciou, o MES corre a repetir e trata a catástrofe como fato consumado.
Como diz o próprio artigo: “o alerta de setores importantes da imprensa, dos governos e da esfera da ciência, não pode ser minimizado”.
Em vez de denunciar os bancos, o MES afirma que “a grande questão é o papel que o agronegócio tem na economia nacional. A um só tempo, ele é um dos principais responsáveis pela devastação que causa o profundo desequilíbrio ambiental e diante do El Niño buscará reparação com pesados investimentos públicos”.
O sistema financeiro drena bilhões de reais dos cofres públicos diariamente. Somente os juros da dívida pública já ultrapassam R$1 trilhão.
Voltado para as eleições, o texto declara que “nas eleições, tanto o negacionismo bolsonarista quanto a linha auxiliar do ‘centrão’, convocados pela coalizão da bancada BBB – Boi, Bíblia e Bala – vão defender fielmente os interesses do agro. De outra parte, o PT e partidos que são parte do governo cedem e rebaixam suas agendas para buscar supostamente mais dividendos eleitorais”.
O programa do PSOL também é rebaixado e inteiramente eleitoreiro. O artigo chega a afirmar que o partido “é visto, junto com sua federação com a Rede Sustentabilidade, por centenas de milhares de pessoas como o Partido capaz de encarar sem medo a discussão ambiental, levando para o centro da agenda política a necessidade de uma profunda mudança”.
E acrescenta: “esse desafio terá lugar nas próximas eleições”.
Nenhum deputado do PSOL tomará qualquer medida efetiva de proteção ambiental, pois, para isso, seria necessário enfrentar os bancos e o grande capital. O partido não o fará, ainda mais depois de se federar à Rede Sustentabilidade, uma organização golpista.
Marina Silva, da Rede, além de ter apoiado o golpe de Estado, mantém sua ONG, o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), financiada por um dos donos da Natura, por George Soros e pela herdeira do Banco Itaú, Neca Setubal. Mais recentemente, tentou impedir a prospecção de petróleo pela Petrobrás na Margem Equatorial, em uma política de sabotagem à economia nacional e de ataque à soberania do País.



