11 de Setembro

25 anos de derrotas do imperialismo no Oriente Médio

Episódio abriu um período de guerras devastadoras, mas as ofensivas dos EUA terminaram fortalecendo a resistência regional e aprofundando sua própria crise

Nesta sexta-feira (11), completam-se 25 anos da chamada Ghazwat Manhattan, ou Incursão de Manhattan, denominação utilizada por Osama bin Laden e pela Al-Caida para os ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e o Pentágono.

Durante todo esse período, a propaganda imperialista procurou transformar o episódio no ponto de partida de uma luta dos Estados Unidos em defesa da “liberdade” e da “democracia”. A versão oficial apaga deliberadamente tudo o que ocorreu antes de 2001: décadas de guerras, golpes militares, ocupações, bombardeios e sanções econômicas impostos aos povos árabes e islâmicos.

O Oriente Médio já havia sido transformado numa das principais áreas de intervenção do imperialismo. Governos que contrariavam os interesses norte-americanos eram derrubados, atacados ou submetidos a bloqueios; outros eram sustentados justamente porque aceitavam a submissão política e econômica aos EUA. O petróleo e as principais rotas comerciais da região estavam no centro dessa política.

“Israel”, por sua vez, funcionava há muito tempo como o principal instrumento militar do imperialismo contra os povos árabes.

O Iraque oferece um dos exemplos mais brutais. Depois da Guerra do Golfo de 1991, o país permaneceu submetido durante anos a sanções devastadoras. A população iraquiana sofreu com fome, doenças e destruição enquanto a Casa Branca mantinha o cerco contra Bagdá. Mais de meio milhão de crianças morreram devido às sanções da ONU no final dos anos 90, conforme reconhecido pelas próprias autoridades.

Foi nesse quadro de décadas de agressão que ocorreu o 11 de Setembro.

Desde então, jornalistas, pesquisadores e analistas levantaram dúvidas sobre diferentes aspectos da versão apresentada pelo governo norte-americano, incluindo as falhas dos serviços de inteligência e segurança e aquilo que setores do aparelho de Estado poderiam saber antes dos ataques. Existem até mesmo suspeitas de que o governo George W. Bush tenha forjado aqueles acontecimentos, mas é indiscutível que eles foram imediatamente utilizados para executar uma política de guerra preparada anteriormente pelos falcões do aparato estatal americano.

Poucas semanas depois, em outubro de 2001, começou a invasão do Afeganistão. Em março de 2003, veio a invasão do Iraque, justificada pela acusação de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. As armas nunca foram encontradas.

A chamada “guerra ao terror” serviu para uma ofensiva destinada a reorganizar politicamente o Oriente Médio pela força, derrubar governos, ampliar o controle sobre os recursos naturais e instalar regimes dependentes da Casa Branca.

A enorme superioridade militar norte-americana permitiu vitórias iniciais rápidas. O problema apareceu depois.

No Afeganistão, o Talibã foi retirado do poder em 2001. Os norte-americanos ocuparam o país, instalaram um governo fantoche e permaneceram ali por quase duas décadas.

Mas nem o enorme aparato militar do Pentágono nem os bilhões gastos na ocupação conseguiram destruir o Talibã. Em agosto de 2021, o regime montado pelos EUA desmoronou diante do avanço da organização. Cabul foi retomada e as forças norte-americanas abandonaram o país às pressas. Depois de quase 20 anos de guerra, a força que deveria ter sido eliminada voltou ao governo.

A ocupação destruiu o Afeganistão, matou milhares de pessoas e consumiu recursos gigantescos, mas fracassou em seu objetivo político fundamental.

No Iraque aconteceu algo semelhante.

A invasão de 2003 destruiu o Estado iraquiano, devastou a infraestrutura do país e provocou uma quantidade enorme de mortos direta e indiretamente. Saddam Hussein caiu rapidamente, mas a ocupação encontrou uma resistência que os norte-americanos jamais conseguiram eliminar.

A maior parte das tropas foi retirada em 2011. Os EUA voltariam a ampliar sua presença a partir de 2014, sob o pretexto da luta contra o Estado Islâmico, sem recuperar o domínio político dos primeiros meses da ocupação.

Ao mesmo tempo, cresceu no Iraque a influência do Irã e das organizações integrantes ou próximas do Eixo da Resistência. As próprias negociações para a retirada das forças norte-americanas mostram o fracasso do projeto lançado em 2003.

A invasão destinada a consolidar o domínio dos EUA acabou favorecendo o crescimento da influência de Teerã, justamente o principal adversário do imperialismo na região.

As guerras também cobraram um preço dentro dos próprios Estados Unidos. Milhares de soldados morreram, dezenas de milhares ficaram feridos e os gastos militares alcançaram cifras gigantescas. A ocupação do Iraque provocou manifestações de massa e crescente repúdio internacional. Os enormes gastos de guerra somaram-se aos problemas econômicos que desembocariam na crise de 2008.

A dificuldade norte-americana em impor sua vontade pela força apareceu novamente no Líbano.

Em 2006, “Israel” lançou uma grande ofensiva com o objetivo de destruir o Hesbolá. O Exército sionista possuía enorme superioridade em aviação, blindados, artilharia e tecnologia.

Depois de 34 dias de guerra, teve de se retirar sem destruir a organização libanesa.

A guerra mostrou que a superioridade técnica de “Israel” não era suficiente para esmagar uma força armada organizada e enraizada na população.

A tentativa de reorganizar a Síria produziria outro conflito prolongado.

A partir de 2011, as potências imperialistas apoiaram grupos armados empenhados em derrubar Bashar al-Assad. A intervenção do Irã e do Hesbolá e, posteriormente, da Rússia impediu durante anos a tomada de Damasco.

Assad foi derrubado somente em dezembro de 2024. Mesmo assim, a Síria não se transformou num país controlado de maneira estável pelo imperialismo. O território permanece dividido entre diferentes forças, com grande influência da Turquia, presença militar norte-americana e repetidas agressões de “Israel”.

No Iêmen, a tentativa de esmagar o Ansar Alá terminou em outro fracasso. O movimento tomou Saná em 2014. No ano seguinte, a Arábia Saudita iniciou uma guerra apoiada política, financeira e militarmente pelos Estados Unidos e pelas demais potências imperialistas.

Durante anos, o Iêmen sofreu bombardeios e bloqueio econômico. Apesar da enorme diferença de recursos, o Ansar Alá preservou o controle da capital e das regiões onde vive a maior parte da população e neste exato momento está realizando uma grande ofensiva para libertar o restante do país.

Em 7 de outubro de 2023, o Dilúvio de al-Aqsa abriu uma nova etapa da crise.

A operação palestina destruiu, em poucas horas, a imagem de invulnerabilidade construída em torno do aparato militar e de inteligência de “Israel”. A guerra iniciada em seguida levou o Estado sionista à maior crise de sua história.

O conflito rapidamente se espalhou para além da Faixa de Gaza.

O Hesbolá abriu uma frente no Líbano. O Ansar Alá passou a atacar embarcações ligadas a “Israel” e interferiu em uma das principais rotas marítimas do comércio mundial. Organizações iraquianas atacaram instalações norte-americanas. O confronto entre Irã e “Israel” tornou-se direto e, posteriormente, envolveu os próprios Estados Unidos.

Depois de um quarto de século de invasões e ocupações, o imperialismo encontra-se novamente tentando pela força aquilo que não conseguiu obter no Afeganistão, no Iraque, no Líbano, no Iêmen e em outros pontos da região.

Em 2001, os Estados Unidos apareciam como a potência incontestável surgida da dissolução da União Soviética. A burguesia norte-americana acreditava possuir condições para reorganizar o mundo inteiro sob seu comando.

O próprio ataque contra Nova Iorque e o Pentágono mostrou que essa aparência de poder absoluto escondia fragilidades profundas. Para milhões de pessoas submetidas durante décadas às guerras e humilhações impostas pelo imperialismo, o episódio demonstrava que a potência responsável por submeter e humilhar os povos do mundo inteiro também podia ser atingida.

Bush tentou responder transformando o 11 de Setembro no pretexto para uma ofensiva mundial.

O declínio do imperialismo, no entanto, é inevitável. E esses 25 anos expressaram um declínio acelerado do imperialismo. A Incursão de Manhattan abriu com chave de ouro o século da queda do imperialismo.

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