No último dia 29, foi publicado no portal Brasil 247 o texto do sociólogo Oliveiros Marques com o título Por que é importante falar sobre Marina?, que buscou reduzir o ocorrido com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na sessão na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal a um episódio de misoginia, usando da demagogia do identitarismo para ocultar a defesa a política imperialista de se opor ao desenvolvimento nacional.
No começo de seu texto ele busca lembrar episódios selecionados do passado de Marina Silva, convenientemente omitindo seu papel nas eleições de 2010 e de 2014, e o apoio ao golpe de 2016. O objetivo é óbvio: sensibilizar o leitor mais desinformado, fazendo-o acreditar que a “tartaruga sem casco” é uma mulher que enfrentou o sistema, para ocupar o espaço que ocupa hoje e que a sua história é igual ao restante das mulheres trabalhadoras. Diz Marques:
“Não apenas da Marina Silva -ministra, ex-senadora, seringueira e lutadora pela causa do meio ambiente e da justiça social. Falo das Marinas que, como ela, “ousaram” ocupar um lugar de destaque em nossa sociedade machista, e daquelas que seguem na luta pelo jazigo deste mundo em que o gênero representa privilégios e discriminação.”
Para defender a ministra, o autor vai além da suposta misoginia e apela que ela seja apoiada por causa de sua função de “defender a legislação ambiental”:
“A ira manifesta por aqueles senadores não estava dirigida a alguém que cumpre a sua função de defender a legislação ambiental em nosso país e provocar que todo o debate sobre desenvolvimento seja feito também sob o prisma das futuras gerações.”
Trata-se de uma falsificação, pois mesmo que os senadores que estavam presentes, são de direita e portanto, contra os interesses nacionais, no momento eles defendem a exploração do petróleo na Margem Equatorial, o que traria muitas riquezas para o Brasil e principalmente para a Região Norte e o estado Amapá. Marina está na linha de frente dos opositora da exploração, não por “defender a legislação ambiental”, mas por ser uma funcionária do imperialismo e defender que essa exploração seja feita por petroleiras estrangeiras e com que elas fiquem o lucro dessa operação. No final, é permissão da continuidade do assalto das riquezas pelo imperialismo e a continuidade da miséria no País.
Para desviar o foco do assunto principal que é o entrave ao desenvolvimento econômico que Marina representa, o autor conclui o texto reafirmando o suposto caráter misógino do episódio e que a ministra saiu vencedora da sessão:
“O espetáculo misógino assistido neste dia não é a exceção que confirma a regra. Ele é a própria regra. Resta presente em exemplos diários, em todos os ambientes. Não é à toa que mulheres em posição de comando, nas organizações públicas e privadas, são casos raros. A sociedade patriarcal cria todo tipo de obstáculo para as mulheres – e, quando elas os vencem, sobra a violência, como vimos nesta sessão no Senado Federal.”
É uma conclusão muito rasa diante do que aconteceu. É reduzir o ocorrido como um simples confronto de uma mulher contra vários homens, sem levar em consideração os interesses políticos reais que cada um defende. Marina deixou a sessão após o Senador Plínio Valério (PSDB-AM) fazer a distinção.
“Ao olhar para a senhora, eu estou vendo uma ministra. Não estou falando com uma mulher. Porque a mulher merece respeito, ministra não. Por isso que eu quero separar”. O que não deixa de ser verdade, pois Marina estava naquela sessão como uma ministra que trabalha pelo entrave do desenvolvimento nacional e pela manutenção da miséria, uma política que quem a leva adiante, não merece respeito e que deve ser combatida.





