Nessa sexta-feira (30), foi publicada no Brasil 247 uma carta aberta intitulada Aos especuladores Faria Limers, de autoria de Oliveiros Marques e endereçada a Luís Stuhlberger, tido como guru do mercado financeiro paulista.
No olho da publicação, lê-se que “quem define a política econômica do país, pelo menos neste governo, não é a Faria Lima”. Se é assim, para que se dar ao trabalho de contestar? Em outras palavras, esse olho demonstra, sem querer, que o governo Lula é refém dos banqueiros.
O primeiro parágrafo diz o seguinte:
“Não tenho procuração para falar em nome do Partido dos Trabalhadores, tampouco para interpretar o que ele pensa sobre os ricos – preocupação que você demonstrou recentemente ao criticar medidas adotadas pelo governo Lula. Mas tenho clareza de como acredito que o PT deveria enxergar a elite brasileira – se é que já não a enxerga assim. Uma elite da qual você se apresenta como porta-voz, representante intelectual e entusiasta declarado”.
Como o próprio texto demonstra, os banqueiros estão assanhados e muito confiantes, sinal de que estão conseguindo emparedar o governo. Quanto ao modo como o PT enxerga a burguesia brasileira, é seguro dizer que as opiniões divergem bastante.
Vejamos: o governo da Bahia tem colocado sua polícia – que compete em matança com Rio de Janeiro e São Paulo – a serviço do latifúndio e da repressão de índios e trabalhadores sem terra.
Senadores do PT aprovaram a criação de um dia nacional para comemorar a amizade entre Brasil e “Israel”, um país artificial que vem provocando um dos piores crimes contra a humanidade em tempo real a mando do imperialismo.
Na visão de Oliveiros Marques, “o PT – e todo o campo democrático – deveria encarar a elite verde e amarela, especialmente a financeira, como um câncer social”. No entanto, o “campo democrático” está recheado de representantes da elite e, inclusive, mal consegue esconder que até ontem era “verde e amarela”. Esse campo democrático é uma grande lata onde cabe todo tipo de lixo político.
De qualquer modo, é preciso concordar com Marques quando ele diz que “há séculos, essa elite se vende como moderna (…). Enquanto isso, olha para o povo (…) como o ‘corpo’: algo a ser explorado, sugado, usado apenas por sua força bruta, sua irracionalidade, suas poupanças, para que cresçam as fortunas dos especuladores de plantão”.
Oliveiros Marques aponta que “essa elite espolia o país, suga sua economia por meio de juros extorsivos sobre uma dívida pública que já passou da hora de ser auditada. E ainda quer ditar os rumos do Brasil”. O problema é que essa “elite” não fica apenas no desejo e efetivamente dita os rumos da economia, basta ver que colocou no comando do Banco Central um subordinado seu, Gabriel Galípolo.
O autor da carta lembrou bem que o capital financeiro, “ao menor sinal de crise, corre para o Estado em busca de socorro — como ocorreu com o Proer, o famoso programa criado em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, para salvar bancos quebrados”.
Sim, é verdade o que foi dito. A burguesia é uma classe parasitária. Na crise de 2008, por exemplo, trilhões de dólares de dinheiro público foi despejado nos mercados para salvar investidores privados da falência. A pergunta é: quem pode impor uma derrota a essa gente?
Oliveiros Marques diz na carta que, “quanto ao controle de capitais, senhor Stuhlberger, não cabe ao mercado decidir se o Estado brasileiro deve ou não utilizar essa ferramenta – e em que medida”, deveria ter dito que não “caberia”, pois está enganado quando diz que “quem define a política econômica do país, pelo menos neste governo, não é a Faria Lima”.
Como Oliveiros Marques percebeu, o Stuhlberger está fazendo campanha. Não apenas ele, a burguesia de conjunto está empenhada nessa tarefa.
Os noticiários estão cada vez mais hostis ao governo Lula. Aparecem escândalos, como o recente do INSS, que visam minar a popularidade do governo. E, quem vive no Brasil, sabe que, até às eleições, aparecerão novos escândalos guardados para a ocasião oportuna.
O STF anda cada dia mais autoritário. A coisa é tão escancarada que praticamente fechou o Congresso.
Nos ministérios, há todo tipo de sabotadores, como Sônia Guajajara e Marina “Soros” Silva. Esta última protagonizou recentemente um bate-boca no Congresso, uma “lacração”, como dizem os identitários, para fugir ao debate sobre sua obstrução à exploração de petróleo em águas profundas do litoral brasileiro.
As medidas da equipe econômica vão de mal a pior. Agradam a Faria Lima, que mesmo assim não deixa de reclamar, e penaliza o pobre.
O povo é a única força capaz de deter a burguesia, mas o governo Lula fez questão de não se apoiar na classe trabalhadora para dar sustentação a seu governo combalido e a cada dia mais fraco.
A Faria Lima anda assanhada porque já sentiu o cheiro de sangue. A única solução possível para combater esses tubarões seria o governo Lula dar uma guinada e se voltar para os trabalhadores. Não dá sinais de que irá fazê-lo e, mesmo que o fizesse, talvez não haja muito tempo.
Escrever uma carta para um parasita da Faria Lima não resolve nada, essa gente não liga e até dá risada. É preciso questionar a esquerda pequeno-burguesa e perguntar por que ela anda se comportando como um puxadinho do Partido Democrata americano. Perguntar por que apoia um ditador como Alexandre de Moraes e ainda o trata como um defensor da democracia.





