Redator do Poder 360, Marcelo Tognozzi, afirma que a culpa do atual estado de coisas é dos brasileiros de meia idade e que a “demos a eles [próxima geração] um Brasil perdido entre a polarização tóxica da política e um novo poder que emerge do Judiciário com toda força simbolizado pelo ministro Alexandre de Moraes, um homem com virtu, cujos limites desconhecemos”.
Segundo o redator, que é jornalista, Alexandre de Moraes “ocupou um vazio de poder deixado pelos políticos da nossa geração, não tem feito nada de diferente, nada do que não se possa esperar de alguém com talento para mandar e se fazer obedecer, nada do que não se possa esperar de alguém que sabe se impor pela força e, em troca, recebe respeito e temor”.
Tognozzi desconhece, por completo, as leis sociais que levaram Alexandre de Moraes a ocupar o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e aparecer como um elemento dissociado das classes sociais e defensor de um programa próprio.
Alexandre de Moraes e o STF são representantes da burguesia mais poderosa do Brasil. Não se trata de um elemento neutro e que está agindo de maneira autoritária para combater o bolsonarismo ou mesmo esquerda.
Moraes, e as decisões do STF, respondem aos interesses daqueles que sempre mandaram no Brasil, dos bancos, da Rede Globo e demais capitalistas ligados diretamente aos interesses internacionais. É isso que explica o golpe contra o PT (Partido dos Trabalhadores) em 2016, a prisão de Lula, e, agora, o processo contra Bolsonaro. Tudo chancelado pelo STF. A ditadura de 1964-1985 também foi chancelada pelo STF.
O redator do Poder360 apresenta uma confusão comum, que a própria esquerda também apresenta, que é o fato de que Alexandre de Moraes, agora, seria uma espécie de entidade vinda de outra galáxia com a missão de estabelecer a sua democracia sobre o País.
Por isso ele afirma, ao final, que “se você acha que nossa democracia está em risco depois de 40 anos de liberdade, seja por causa do bolsonarismo, do petismo ou ainda pela força do Judiciário, lembre-se do ex-presidente Fernando Henrique, integrante da geração dos meus pais, para quem democracia só se conserta com mais democracia”.
E a conclusão do redator entrega, de fato, o que está acontecendo. A citação do homem que praticamente vendeu o Brasil todo, FHC, é a dica para descobrir os planos da burguesia para o Brasil, e que a Revista Veja chamou de “Plano T”.
A polarização, criticada por Tognozzi, é um fator positivo para o desenvolvimento político do país, não o contrário. Trata-se de um processo de esclarecimento geral dos acontecimentos e as posições políticas que estão sendo adotadas, de direita e de esquerda.
A crise do imperialismo e seus representantes fiéis, como Joe Biden nos EUA, fez surgir toda uma camada social que leva adiante interesses populares, mesmo que, em ideologia, se apresentam como de direita. É o caso de Donald Trump e Jair Bolsonaro.
Ambos não representam fielmente o que o imperialismo pretende fazer nestes países. No Brasil, o plano T é o ideal para os donos do mundo neste momento. Nem Bolsonaro nem Lula, ou seja, o fim da polarização, para que gente da estirpe de FHC possa voltar a comandar o Brasil, por exemplo.
Aparentemente o redator é contra Jair Bolsonaro, Lula e contra o próprio Alexandre de Moraes, e apresenta essa posição em defesa da “democracia”. Embora não compreenda, essa é a mesma democracia defendida por Moraes, a dos poderosos de sempre, contra a polarização, contra os políticos que de fato possuem apoio popular (Bolsonaro e Lula) e a favor da volta de gente como FHC, com procuração do imperialismo para terminar de vender o Brasil.
Ele acerta em trechos em que denuncia as arbitrariedades do STF, como este: “agora, temos um Judiciário comportando-se como ator político, não só relevante, mas hipertrofiado. Nesta semana, assistimos uma romaria de advogados se queixando dos exageros no julgamento que tornou Bolsonaro e sua turma réus, enquanto a OAB fazia cara de paisagem e a acusação dava um baile”.
Mas fica por entender o que está acontecendo no País, citando os exemplos recentes de escândalos políticos como “anões do Orçamento, Mensalão, Petrolão e emendas secretas”, sem perceber que por trás de cada medida dessas estava um interesse maior, como os apresentados disfarçadamente, agora, por Alexandre de Moraes e o STF.
Um truque do caso Jair Bolsonaro e o STF é justamente esse: esconder quem está dando as cartas do jogo. É realmente incrível que os golpistas de 2016 estejam, agora, puxando o tapete de Jair Bolsonaro, pois o processo-farsa do STF é isso, um tapetão. E isso se passa como se fosse uma mudança de posição política da corte, quando, na verdade, estão tentando tomar as rédeas do país de uma vez por todas.





