Covid-19

Crise da AstraZeneca revela importância da liberdade de expressão

AstraZeneca começa retirada de vacinas produzidas de circulação em decorrência de efeitos colaterais graves, que resultaram em processos contra a empresa

A empresa farmacêutica britânica AstraZeneca, que produziu vacinas para o combate da gripe Covid-19, solicitou em 5 de março de 2024, a retirada da vacina de circulação de todo o mundo, alegando que existe vacinas mais atualizadas disponíveis e que a demanda por sua vacina. A Vaxzevria, vacina contra Covid-19 da AstraZeneca, não está mais sendo fabricada, e o processo de retirada da vacina dos postos de imunização teve início em maio (7). No Brasil, a produção da Vaxzeria era dirigida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Serum Institute da Índia (SII), que produzia a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca sob o selo Covishield, interrompeu sua produção e fornecimento de doses já desde setembro de 2021, como vieram a público afirmar os porta-vozes da SII.

“Como várias vacinas variantes contra a Covid-19 foram  desenvolvidas desde então, há um excesso de vacinas atualizadas disponíveis”, afirmou a empresa, que admitiu anteriormente em documentos judiciais a existência de efeitos colaterais como a formação de coágulos e baixa contagem de plaquetas. 

A empresa afirma também que houve uma baixa na demanda, justificando então a retirada da sua vacina de circulação. Foram fornecidas pela empresa mais de 3 bilhões de doses de imunizantes em todo globo, com estimativas apresentadas pela mesma de que 6,5 milhões de pessoas teriam sido vacinadas no primeiro ano de lançamento da vacina Vaxzevria.

Com declarações na imprensa de que estava “incrivelmente orgulhosa” com o desempenho da vacina, a empresa disse que a decisão seria comercial.

A vacina, que foi desenvolvida no tempo recorde de 10 meses na corrida para acabar com os lockdowns impostos ao redor do mundo, causou coágulos sanguíneos, e alguns, fatais. Sendo anunciada em 2020 como “uma vacina para o mundo”, com baixos custos de produção e armazenamento, o plano da AstraZeneca era produzir em massa a Vaxzevria. 

“A verdade é que fez uma enorme diferença, foi o que nos tirou da catástrofe que se desenrolava naquela época, combinada com a outra vacina, da Pfizer”, afirma Adam Finn, professor da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Contudo, efeitos colaterais graves da vacina começaram a aparecer no decorrer do processo de vacinação, em especial a presença de coágulos sanguíneos, o que forçou o Reino Unido a recorrer a alternativas.

“Acho que a retirada da vacina (do mercado) simplesmente reflete que ela não é mais útil”, avalia Finn, professor britânico.

A Astrazeneca, em sessão num tribunal do Reino Unido, declarou que a Síndrome de Trombose com Trombocitopenia (STT) “poderia” ser um dos efeitos colaterais do imunizante, conforme relata o jornal britânico The Telegraph, publicado na última semana, antes do início da retiradas das vacinas de circulação. Em parceria com a universidade de Oxford, a estimativa é de que o efeito colateral afetaria uma a cada 100 mil pessoas vacinadas pela Vaxzevria, porém, a empresa farmacêutica é alvo de uma ação coletiva no Reino Unido que alega que a vacina causou ferimentos graves e morte em dezenas de pessoas no país.

O The Telegraph revelou a afirmação da defesa da farmacêutica em sessão na Suprema Corte Britânica, realizada em resposta ao processo movido pela família de Jamie Scott, vítima que ficou com lesão cerebral permanente após uma hemorragia, que ocorreu um dia após a vacina ter sido ministrada.

“Admite-se que a vacina AZ pode, em casos muito raros, causar STT. O mecanismo causal não é conhecido. Além disso, a STT também pode ocorrer na ausência da vacina AZ (ou de qualquer imunizante)”. Em 2023, a empresa declarou que não acredita “que a STT seja causada pela vacina”

Em março de 2021, a aplicação do imunizante da Astrazeneca chegou a ser suspensa em países da União Europeia após a ocorrência de casos de coágulos sanguíneos atribuídos à vacina.

A retirada do imunizante de circulação na Europa e Reino Unido está diretamente ligada aos processos relacionando à ocorrência de efeitos adversos graves da vacina, como a Síndrome de Trombose com Trombocitopenia (TTS, na sigla em inglês). Em 2021, a EMA (agência de medicamentos europeia, na sigla em inglês, que regulamenta drogas no continente) identificou pelo menos 142 casos da síndrome, em um universo de mais de 21 milhões de doses aplicadas.

A retirada do mercado da vacina da AstraZeneca mostra a importância da liberdade de expressão e da luta contra a censura que foi travada no auge da pandemia da COVID-19. É preciso questionar tudo.

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