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Governo Lula está ameaçado

Unidade Nacional, desculpa para a capitulação da esquerda

Passadas duas semanas dos acontecimentos de 8 de janeiro um enorme setor da esquerda ainda não compreendeu que é necessário travar uma luta política contra os militares


Os atos bolsonaristas do dia 08 de janeiro tornaram público a guerra que existe entre as Forças Armadas e o governo de Lula. Ficou claro que esse setor do Estado, que é quase a direção do movimento bolsonarista, está atuando abertamente contra o governo Lula na tentativa de desestabilizá-lo para derrubá-lo. Se tratando de um país da América Latina uma investida militar contra um governo nacionalista de esquerda deveria acender o alerta vermelho para todos, mas não é o que acontece com a maioria do PT. Um exemplo é Jairo Menegaz, da coordenação de Meio Ambiente do PT que tenta evitar que a esquerda lute contra a intervenção militar.

O texto em questão foi publicado no Brasil 247: “O caos da direita foi dominado Falta controlar os ânimos da esquerda”. Só pelo título já é possível ver que ele se embasa em um erro fundamental. O caos da direita está longe de ser dominado, e a única coisa que pode impedir o seu avanço são os “ânimos” da esquerda, isto é, a mobilização popular. O artigo se introduz com uma explicação do porquê da tese: “Alguns jornalistas progressistas, alguns políticos importantes, que pregam  que o Lula tome medidas para enfrentar o militarismo e coloque a questão militar no centro de sua complexa agenda.” O que Jairo não entendeu é que não são os jornalistas que colocam a questão militar no centro mas sim a realidade,desde o dia em que os militares organizaram uma invasão da sede do governo. Nos EUA aconteceu um evento semelhante há dois anos que segue sendo um marco na história política.

Ele segue então explicando o porquê de ser contra um movimento contra os militares em defesa de Lula: “Este movimento em última análise se constituirá numa situação paradoxal, onde a esquerda produzirá a crise que a direita tentou e não conseguiu.” Aqui o grande erro é que ele acredita que o governo Lula está estável, que não é um governo ameaçado por todos os lados e que a crise com os militares já se acabou, é uma total ingenuidade. Basta ver todos os países da América Latina em que os governos nacionalistas são atacados constantemente, inclusive, há pouco mais de um mês um presidente foi derrubado em um golpe de Estado com a conivência dos militares, Pedro Castillo.

Sigamos então para a explicação em si: “Na conjuntura surgida depois de 8 de janeiro os jornalistas e a sociedade  identificaram uma série de denúncias contra Militares Bolsonaristas que estariam  sendo coniventes com o golpe e um forte movimento de setores da esquerda nas  mídias alternativas pedindo a exoneração do Ministro da Defesa José Múcio” e “Fazer a demissão de José Múcio e colocar um quadro ‘linha dura’ no  Ministério da Defesa seria um erro com proporções catastróficas pois certamente  se produziria uma crise política, que assumiria grandes proporções na mídia e na  sociedade que reforçará a unidade popular da direita e poderá afetar ainda mais a  já frágil a unidade nacional, podendo se desdobrar em graves conflitos como  provocar insubordinações e até uma insurreição militar que reergueria as ‘hordas’  Bolsonaristas já conhecidas, sob um comando que poderia facilmente resultar em  uma luta armada que logo se tornará uma guerra civil ou seja estaremos colaborando com a destruição da unidade nacional e cumprindo com os objetivos estratégicos das forças imperialistas, e por isto são extremamente perigosas.”

Aqui existem dois argumentos, que se colocar contra as Forças Armadas é ser contra a unidade nacional, uma farsa visto que o único país que derrubou a cúpula pró imperialista militar foi a Venezuela, país que tem a integridade mais garantida em toda a América do Sul. O outro é a repetição de que Lula não pode abrir uma crise. Esse é um argumento totalmente capitulador, Lula não poderia bater de frente com aqueles que o atacam, tem que abaixar a cabeça e aceitar. Aqui vale mais uma vez a comparação com o Peru, lá o presidente foi cedendo cada vez mais para a direita, e no fim a mesma direita que o pressionava o derrubou. A crise existe, ela precisa ser enfrentada e não ignorada e para enfrentá-la Lula tem que tomar uma política para ganhar popularidade e enfraquecer as Forças Armadas até eventualmente conseguir fazer uma grande reforma para que deixem de ser uma força golpista.

Menegaz segue tentando embasar o seu argumento: “Trazer a pauta militar agora para o centro do governo significaria um congelamento das pautas de interesse público. Este movimento unificaria a direita  em torno dos militares e nos levaria a derrota política fatalmente”. Aqui há uma falsa contradição, a de lutar politicamente contra os militares e em defesa dos trabalhadores, na verdade é a mesma luta. Lula deveria ter um grande programa social com aumento do salário mínimo, revogação das reformas trabalhista e da previdência etc. Isso em conjunto com uma campanha de ruas contra a intervenção militar, que estão contra as políticas econômicas do governo Lula. A farsa desse argumento é tão grande que agora, após a investida militar, Lula está com mais dificuldade de tomar as políticas econômicas necessárias.

Ele segue a tese da reação de sucesso do governo: “As manifestações golpistas foram enfrentadas com grande sucesso. A violência do golpe e a rápida resposta de nosso governo, graças à capacidade política de Lula Dino e do Ministro Presidente do STE e do conjunto do  governo recém instalado”. Essa é uma das piores análises divulgadas pelos intelectuais do PT, a reação do governo não ajudou em nada, principalmente de Dino e de Alexandre de Moraes que deixaram tudo acontecer. O governo Lula se desmoralizou tanto com a manifestação, que não era uma tentativa de golpe, que está há 2 semanas paralisado. Esse munda da fantasia de que Lula está fortíssimo e os militares enfraquecidos é o principal erro que leva a essas análises perigosíssimas de que não é preciso lutar contra os militares.

O texto então fecha com uma série de pontos absurdos a serem seguidos pelo governo: ”Esta agenda (reforma nas forças armadas) destruirá a frente ampla construída por Lula e pelo governo. Não é  possível uma unificação do governo em torno desta agenda, ou seja ela provocará  uma ruptura no árduo processo de negociações que Lula buscou para obter a  governabilidade.” A frente ampla construída pelo governo é justamente a sua fraqueza, Dino e Alexandre de Moraes não ajudam em nada e saem como heróis, os ministros bolsonaristas dentro do governo, GSI e Defesa, também não. A verdade é que é preciso uma frente única da esquerda para a defesa do governo Lula e não uma frente ampla com parasitas e infiltrados que enfraquecem o governo Lula.

O texto segue para o ponto mais absurdo de todos:”A sociedade brasileira sempre lutou por reformas do estado, e este são os  motivos dos golpes de 54, 64, e 2016, ou seja, quando a sociedade estava em  condições de implementar mudanças estruturais no estado houve intervenção  militar. No episódio do golpe de 64 João Goulart evitou um confronto entre as forças aliadas e os setores militares golpistas, em nome da unidade nacional.” De acordo com o Jairo Menegaz foi correto não reagir ao golpe de 1964 em nome da “unidade nacional”, não importa a ditadura fascista de 21 anos que massacrou a classe trabalhadora, os camponeses, os índios e todo o povo brasileiro. Aqui o coordenador de meio ambiente do PT basicamente afirma que não existe luta contra golpe, quando os militares quiserem eles derrubam o governo e os trabalhadores devem aceitar uma ditadura em nome da unidade nacional, uma monstruosidade.

Jairo Menegaz se junta a outros setores do PT e da esquerda com essa política totalmente capituladora e perigosa. Os militares se organizam contra o governo Lula, isso ficou claro no dia 08 de janeiro, é dever se toda a esquerda se organizar contra os ataques dos militares. Na América Latina quando os militares entram de cabeça na luta política todos sabem o resultado, eles produziram regimes equivalentes ao nazismo em quase todo continente. Não há tempo a perder, é preciso lançar um movimento de ruas em apoio ao governo Lula que denuncie as intenções dos generais de derrubar o presidente eleito pelos trabalhadores. Não há outro caminho, a crise se abriu e ela se fechará com a vitória da ditadura militar ou da classe operária.

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