Bomba atômica

Os efeitos da bomba atômica iraniana em Israel

A mudança de posição de Netanyahu, que apesar de ser extremamente direitista, vem indicando uma aproximação com a Rússia, é uma demonstração deste problema.

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Um dos principais jornais israelenses, Haaretz, publicou nesta última semana uma reportagem a respeito das relações do Estado de Israel com o Irã, e a tendência a uma gradual, porém extremamente importante, mudança política na orientação internacional do regime israelita.

Segundo o ex-chefe militar de Israel, Tamir Hayman, os dois maiores princípios da estratégia israelense contra o Irã, estão abalados. Até hoje, Israel manteve sua política om duras sanções e um dispositivo militar de contenção por parte dos EUA, contudo, toda esta operação não é capaz de produzir mais resultados, e vem se mostrando um completo fracasso. O novo ingrediente que vem tornando tudo mais complicado para Israel, é o anúncio da bomba atômica iraniana. Ainda não se sabe se ela já foi concluída, contudo, fato é que o Irã está muito próximo de ser o próximo país a possuir verdadeiras ogivas nucleares em seu armamento de guerra.

Em meio a este cenário, o novo governo de Israel vem dando sinais no sentido de alterar a sua política em relação ao país persa. Como todas as formas de contenção tornaram-se inviáveis, e fica cada vez mais claro que os Estados Unidos não irão se envolver uma guerra direta contra o Irã, Israel se vê totalmente vulnerável.

O que fica implícito é que os EUA não conseguem impedir esta ameaça. O imperialismo não tem poder de pressão e nem de barganha contra o Irã, dessa maneira Israel fica totalmente exposto. Quando Qasem Soleimani, major-general iraniano da Guarda Revolucionária Islâmica, foi assassinado pelos EUA, ficou evidente a força do aparato iraniano, que não foi desmantelado e ainda fez retaliações à ação norte-americana, da qual o imperialismo precisou ceder.

Estes casos mostram que o controle do imperialismo sobre o Irã está cada vez mais frágil, demonstrando a debilidade do imperialismo. O imperialismo está apostando na queda do regime político iraniano, o que até o momento parece uma vã esperança.

Este problema é fundamental, não apenas para os países do oriente-médio, mas também para a América Latina. A força dos acontecimentos vem provocando uma alteração na linha política dos governos de países atrasados, e isto será um problema fundamental para o próximo período.

A mudança de posição de Netanyahu, que apesar de ser extremamente direitista, vem indicando uma aproximação com a Rússia, é uma demonstração deste problema. Hoje, a imprensa burguesa internacional aumenta o tom de pressão contra o governo em Israel. Algo que até pouco tempo era tratado com muito mais sutileza pelo imperialismo. O caso evidência esta crise geral do controle imperialista que vem desestabilizando os regimes aliados aos Estados Unidos, sobretudo no oriente-médio, como no caso da Arábia Saudita e agora, de Israel.

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