Nesse dia 22, quarta-feira, o portal Brasil 247 publicou uma notícia sobre a carta que Lula enviou à UNESCO sobre o problema da regulamentação das redes sociais: “‘O 8 de janeiro foi gestado nas plataformas digitais’, diz Lula em carta à Unesco sobre regulação das redes sociais”.
Esse é um erro importante que vem comentando o novo governo do PT, atribuir às redes sociais a culpa pelos atos da extrema-direita, o que acaba implicando numa política de censura.
Em seu Twitter, Lula diz o seguinte:
“Em atenção ao convite que recebi da Diretora Geral Audrey Azoulay, enviei uma carta que será lida na abertura, defendendo esforço global para que as plataformas digitais garantam o fortalecimento dos direitos humanos, da democracia e do estado de direito, ao invés de enfraquecê-los”.
A ideia de que plataformas sociais são culpadas por “enfraquecer a democracia” é repetida pelo imperialismo como forma de defender um cerceamento à liberdade de expressão. Por trás dessa ideia estão as grandes corporações dos monopólios da imprensa capitalista.
Basta ver que no Brasil, a rede Globo e demais órgãos da imprensa golpista não são enquadrados entre as inimigas da democracia. Justamente aquelas que foram responsáveis diretas pelos golpes de Estado no país, incluindo o golpe militar de 64. Ninguém cogita regular essas verdadeiras inimigas da democracia, sendo que essas, sim, deveriam ter a concessão tomada pelo governo.
O que o imperialismo quer, ao espalhar a ideologia de que é preciso regular as plataformas sociais, é estabelecer uma censura contra o povo.
O suposto combate à extrema-direita é apenas um pretexto para essa censura que em breve se voltará contra a esquerda, as organizações populares e a população de modo geral.
A ideia de que impedir as pessoas de falarem o que quiser vai fortalecer a democracia é um contrassenso. É uma política muito parecida com as ditaduras que censuraram os jornais em nome da integridade do regime e das instituições.
A única arma que se pode ter contra a extrema-direita é a liberdade total. Quanto mais a população tem acesso à livre informação, melhor.
Ainda segundo o Brasil 247, Lula teria afirmado no documento enviado à UNESCO que as decisões sobre regulação das plataformas sociais deveriam ficar a cargo não apenas dos capitalistas.
“Não podemos permitir que a integridade de nossas democracias seja afetada pelas decisões de alguns poucos atores que hoje controlam as plataformas. A regulação deverá garantir o exercício de direitos individuais e coletivos. Deverá corrigir as distorções de um modelo de negócios que gera lucros explorando os dados pessoais dos usuários. Para ser eficiente, a regulação das plataformas deve ser elaborada com transparência e muita participação social. E no plano internacional deve ser coordenada multilateralmente”.
Nesse sentido, Lula tenta dar um caráter mais democrático para o problema. Mas nesse caso, o sentido geral da política não é correto. Seria mais democrático, por exemplo, se o governo brasileiro organizasse uma ampliação do acesso a canais de TV e de rádio, tirando o monopólio das mãos da meia dúzia de famílias.
A culpa pelo ocorrido em 8 de janeiro não foi das redes sociais nem foi “gestado” ali. Quem gestou a horda bolsonaristas são os que agora querem censurar as redes sociais supostamente contra os bolsonaristas, foram a imprensa golpista, os políticos do PSDB, do DEM, do MDB, os ministros do STF, o Judiciário. Foram eles que jogaram nas ruas a extrema-direita pedindo a queda de Dilma e a prisão de Lula. Foram eles que efetivamente prenderam Lula para que Bolsonaro ganhasse a eleição.





