"Toma lá dá cá" é tiro no pé

Mesmo com reformas e cargos, “centrão” continua hostil ao governo

Apesar da liberação de emendas parlamentares, e de todos os ministérios e cargos cedidos, a tendência é que o Congresso impeça o governo de implementar seu programa nacionalista

Desde o início do governo, a política de Lula para tentar implementar seu programa nacionalista vem sendo alvo do tradicional “toma-lá-da-cá”. Em outras palavras, a compra de votos através da liberação de emendas parlamentares e da cessão de ministérios, em vez de se apoiar na mobilização dos trabalhadores, mobilização esta que garantiu a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

Contudo, apesar de todo o dinheiro liberado aos congressistas, de todos os ministérios e cargos cedidos, o governo Lula, até o presente momento, não conseguiu de fato implementar seu programa nacionalista. E o cenário não tende a melhor nesse segundo semestre.

É sintomático que a própria burguesia, através de um de seus órgãos de imprensa, o jornal direitista “Gazeta do Povo”, já declare isto abertamente. Em coluna publicada na segunda (31), é dito que “Lula terá dificuldade em aprovar projetos com viés ideológico, mesmo após distribuir cargos”.

Somos obrigados a concordar. O mesmo cenário político que se desenvolveu no semestre passado tende a se repetir neste que se inicia. E como foi que as coisas se desenvolveram para o governo nos seus seis primeiros meses (e continuam se desenvolvendo), no âmbito do Congresso Nacional?

Os projetos de leis e medidas provisórias que trouxeram algum benefício para a população foram todos aprovados apenas após a liberação de bilhões de reais em emendas parlamentares e da negociação de ministérios e cargos vinculados.

Apesar de serem normas que resultariam em um aumento imediato da qualidade de vida, foram todas de caráter superficial, e, portanto, medidas instáveis. E, ainda assim, para serem aprovados, tais projetos foram modificados (alguns retalhados) pelo Congresso, reduzindo a extensão de seu conteúdo popular, a fim de ficarem palatáveis para a burguesia.

Quanto aos projetos de cunho mais profundo, ou seja, que poderiam, de alguma forma, alcançar a estrutura que configura o regime político brasileiro, ou seja, que poderiam, de alguma forma, trazer prejuízos à burguesia; tais projetos sofreram derrotas acachapantes (marco do saneamento, marco temporal).

Os que não foram derrotados, tal como o do arcabouço fiscal, foi tão alterado pelos parlamentares que ficou quase que inócuo. Através dele, o governo Lula pretendia estabelecer inúmeras exceções ao teto de gastos (aprovado pelo governo golpista de Michel Temer), a fim de poder ser realizado maiores investimentos e prol da melhoria da vida do povo.

Contudo, diante as alterações, restou ao governo Lula uma pequeníssima margem para furar o teto, de forma que alijou em grande parte seus planos de realizar um governo popular, do ponto de vista social.

O governo liberou emendas e negociou ministérios e cargos e, em troca, não recebeu quase nada. Um verdadeiro “toma lá, nada cá”.

E isto foi comemorado (e continua sendo) como uma grande vitória do governo.

No mesmo sentido, foi comemorada como grande vitória a aprovação da Reforma Tributária na Câmara dos Deputados. Novamente, após liberação de bilhões em emendas, e novas promessas de entregar ministérios e cargos, foi aprovada uma norma dentre dos parâmetros estabelecidos pela burguesia e pelo imperialismo no presente momento.

Embora nenhum ataque direito ao povo tenha sido feito através da Reforma Tributária, ela não melhorou em nada a vida dos trabalhadores, apenas servindo à burguesia.  E, mesmo assim, há conversas de que emendas poderão ser feitas no Senado, de forma que ela seja ainda mais benéfica à burguesia do que já é.

Assim vai seguindo o governo Lula.

Na tentativa de realizar seu programa de governo de cunho nacionalista, para que efetivamente governe em prol dos trabalhadores, do povo, comete o erro em apostar todas suas fichas na tradicional política burguesa do toma-lá-da-cá, dos conchavos, da compra de parlamentares.

Algumas medidas populares superficiais são aprovadas, com a permissão da burguesia. Medidas profundas são rejeitadas. E a aprovação de normas abertamente favoráveis à burguesia é comemorada como grande vitória.

Enquanto isto, o governo vai sendo progressivamente expropriado pela burguesa, através da cessão de ministérios e cargos.

Apesar de todos esses anos de política, Lula aparentemente não percebe que a política do toma-lá-dá-cá não traz resultados positivos, apenas o enfraquece.

Não importa quantos bilhões são liberados em emendas, ou quantos ministérios e cargos são cedidos. A burguesia e seus representantes nunca estão satisfeitos. E nunca estarão. Afinal, não querem Lula como presidente. Desejam alguém da terceira via, uma pessoa de estrita confiança do imperialismo, um novo FHC. Alguém que possa colocar em prática uma política neoliberal puro-sangue.

Assim, quanto mais o governo cede, mais continua sendo exigido dele, pois, ao ceder, o governo dá mostras de que não tem força institucional para enfrentar o Congresso e a burguesia. E, a cada capitulação, o governo sai mais enfraquecido. Sentindo que está mais fraco, acaba por ceder novamente, pois sabe tem menos apoio parlamentar do que tinha antes. E nisso entra em uma espiral da qual não consegue sair, pois insiste em ignorar as massas que constituem sua base social, depositando todas as esperanças na política parlamentar burguesa.

No início desse artigo mencionamos que a imprensa burguesa já constata que Lula terá dificuldade a por em prática seu programa nacionalista de governo, mesmo após distribuir cargos.

Não é apenas uma constatação, no entanto.

A coluna também serve como um aviso: “Lula, você terá dificuldades em aprovar projetos com viés ideológico, mesmo após distribuir cargos”. É uma clara declaração de intenções, de que a burguesia, apesar de corrupta, não irá abrir mão de seus interesses de classe, de nenhuma parte de seu poder político, em troca de dinheiro. E como Lula e o PT, através de sua limitada política e de seu pragmatismo, leem essa declaração? É preciso ceder mais, para podermos aprovar nossos projetos.

Nisto, o governo não consegue dar uma solução para os problemas fundamentais do povo; assim, acaba por perder força perante a população que o apoia, ainda dando pretexto para a burguesia lançar novas campanhas golpistas contra ele.

Portanto, deve ser reiterado: Lula precisa se apoiar nos trabalhadores; é deles que vem usa força política. Apenas através da mobilização das massas é que o programa nacionalista do governo poderá ser posto em prática, e desenvolver o país.

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