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Garimpeiros são trabalhadores

Crise ianomâmi: garimpeiros não passam de bodes expiatórios

A deflagração de operações para a retirada do garimpo ilegal não pode se exceder e atacar trabalhadores do garimpo que se encontram em situações de miséria


Com toda essa questão envolvendo os ianomâmis nas últimas semanas, os garimpeiros estão sendo responsabilizados e retirados das terras em que trabalhavam, acusados de poluir um território do tamanho de Santa Catarina, causando assim a fome dos ianomâmis.

A Polícia Federal está conduzindo operações para a retirada dos garimpeiros das terras. Na véspera da operação da polícia federal para retirada do garimpo, tivemos a denúncia do assassinato de indígenas.

Júnior Hekurari Yanomami disse que tentou ir no domingo aos locais onde teria havido as mortes, mas não conseguiu pousar, tamanha a concentração de garimpeiros. “Nosso medo é de que os corpos sejam queimados antes da chegada das autoridades. Ou pelos garimpeiros, ou mesmo pelos ianomâmis, já que há esse ritual depois de 72 horas da morte” alegou Hekurari.

A Força Aérea Brasileira, na busca de uma solução pacífica, determinou ontem a criação de três corredores aéreos para a saída voluntária de garimpeiros da terra ianomâmi. Muitos garimpeiros estão deixando voluntariamente as terras nas quais estavam trabalhando.

Os corredores criados pela FAB vão durar uma semana, e terão a largura de 11 quilômetros. Muitos garimpeiros que procuravam deixar a reserva e o próprio governo de Roraima já haviam levantado essa reivindicação. A abertura foi anunciada depois que o ministro Flávio Dino teria negado ajuda da FAB para transportar os garimpeiros.

“Todos que cometeram crimes como genocídio, crimes ambientais, o próprio garimpo, financiamento de garimpo, assim como lavagem de dinheiro, e que estão sendo investigados, continuarão a ser. São caminhos que seguem paralelamente. De um lado nós temos a desintrusão, a desocupação das terras indígenas. De outro, temos a investigação”, declarou Flávio Dino.

O ministro disse ainda que estimativas do governo federal apontam que até 80% dos garimpeiros deixarão a terra dos ianomâmi até o início das operações de retirada, e que boa parte dos cerca de 15 mil já começaram a se retirar. “A nossa previsão é de que esse fluxo de saída aumente nos próximos dias”, disse também Flávio Dino.

Homens e mulheres do garimpo publicaram pedidos de socorro nas redes sociais para deixar a terra ianomâmi. Em um vídeo, mulheres disseram que precisam enfrentar 30 dias andando para deixar o território e precisam pagar até R$ 15 mil para sair por um voo clandestino de helicóptero, depois do fechamento do espaço aéreo na terra ianomâmi na semana passada. Segundo a Folha de S. Paulo, parte dos garimpeiros tenta chegar à Venezuela, e há movimentos de fuga até para a Guiana, mais distante da reserva.

Fato é que os garimpeiros são trabalhadores e acabam sendo jogados nessa situação. Qualquer um que conheça superficialmente as condições de trabalho do garimpo consegue reconhecer que não é uma vida que alguém escolheria levar voluntariamente. O governo poderia ajudar a regularizar o garimpo, mandar ajuda técnica para que se possa explorar os recursos sem que se tenha de utilizar mercúrio. Os próprios ianomâmis seriam beneficiados. Não adianta ficar tratando essa gente de genocida, terroristas etc.

Vale lembrar que está presente nos garimpo a própria juventude ianomâmi, uma vez que essa população está estrangulada pela situação das próprias leis que não permitem que ela possa explorar sua terra ou ter acesso ao trabalho.

A esquerda não pode cair na histeria de querer tornar tudo crime, não pode se deixar levar apenas por aquilo que é divulgado na grande imprensa. Antes, é preciso saber o que está realmente acontecendo e propor soluções por meio do diálogo e não pela ameaça de colocar todo mundo na cadeia. Existem soluções e elas passam pela formação de comitês populares, é preciso ouvir os indígenas e também os garimpeiros. Apenas jogar a repressão em cima não vai resolver nada. Estamos diante de um problema social, não em um caso de policia.

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