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Antônio Carlos Silva

Professor de Matemática. Fundador do PCO, integra a sua Executiva Nacional. Atuou na fundação do Coletivo de Negros João Cândido. Liderou a criação e coordenação dos Comitês de Luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. Secretário Sindical Nacional do PCO, coordena a Corrente Sindical Nacional Causa Operária, da CUT.

Contra toda a direita

Congresso da APEOESP aponta tendências de mobilização

Mesmo em meio a enorme limitações burocráticas, maior Congresso sindical do País aprova resoluções que apontam uma enorme tendência de luta

Escrevemos essa coluna em meio à realização do XXVII Congresso da APEOESP, que realizado em Piracicaba, cidade na qual reside, lecionei e militei por quase 10 anos.

O maior sindicato do País, com cerca de 190 mil associados e mais de 3000 mil trabalhadores na base, entre ativos e aposentados, realiza o maior encontro de trabalhadores com mais de 1600 participantes, entre delegados, observadores e convidados e, provavelmente, só perde em importância para o Congresso Nacional da CUT (CONCUT) a ser realizado em outubro próximo.

O número de participantes, embora expressivo, também indica uma crise, comum em todo o movimento operário, parte do processo de burocratização das entidades sindicais e distanciamento das bases das estruturas sindicais. Há pouco mais de duas décadas esse Congresso era realizado com cerca de 5 mil professores e era, de fato, um fórum muito mais amplo, com enorme repercussão nas, então, quase 4 mil escolas da rede estadual.

Hoje, como quase todos os congressos sindicais, o encontro está constituído – majoritariamente – por integrantes da estrutura do próprio sindicato, que tem mais de 900 conselheiros e 125 diretores. E o Congresso é ignorado pela maioria da categoria, que seque foi informado da sua realização. Os delegados outrora eleitos diretamente nas escolas na proporção um para cada dez associados, agora, são escolhidos em reuniões convocadas pelas 94 subsedes da entidade, reunindo uma maioria de conselheiros, aposentados e uma porção menor de pré-delegados eleitos nas escolas. Isso quando não se deu de que algumas subsedes, incluindo algumas das maiores dirigidas por setores do PSOL (como Itaquera e Sul/Santo Amaro) elegessem seus delegados de forma virtual, sem que o acesso fosse disponibilizado amplamente, quando a pandemia já acabou há anos e os professores estão todos os dias nas escolas.

Há no próprio congresso, muitas propostas (ainda em discussão) de maior burocratização da entidade, como mudanças estatutárias propondo maiores dificuldades para inscrição de chapas nas eleições, possibilidade de realização de assembleias remotas, etc. Mais isso reflete uma crise evidente, e de certa foram um esgotamento, da burocracia, diante das tarefas que estão colocadas para o próximo período, que precisam ser realizado por um amplo ativismo, com uma expressiva participação dos trabalhadores da ativa, os jovens (que são menos de 10% dos presentes no Congresso).

Mas esse quadro, que visto apenas de um ângulo restrito poderia parecer tenebroso e sem perspectiva (como alucinadamente “enxerga” uma parte da minoria oposição formada pelo PSTU, MRT e satélites), não da conta de conter totalmente as enormes tendências de mobilização que se mostram presentes na etapa atual, no sindicato que – por conta da luta política no seu interior e pela amplitude de sua base – foi nos últimos anos a ponta de lança da luta contra o golpe no interior do movimento sindical brasileiro; sendo o primeiro a liderar (com a CUT que veio junto) um ato contra o golpe de Estado que se articulava (em 2015); o que mais participou da luta contra a derrubada de Dilma e pela anulação do seu impeachment criminoso; que mais mobilizou contra a prisão de Lula, etc.

Agora, a APEOESP desponta como o Sindicato com condições para liderar, mais uma vez, a luta não apenas contra o governo direitista, tucano-bolsonarista, de Tarcísio Freitas (Republicanos/SP), que representa a continuidade da política do PSDB contra a Educação, nas chacinas da PM, nas criminosas privatizações, etc. levantando um grande envolvimento dos professores e do funcionalismo de SP e de todo o país, como também caminha – pelas resoluções que estão para ser aprovadas – para ser o Sindicato que vai aprovar as resoluções mais combativas contra a política ato-nacional, do imperialismo e dos seus capachos no Brasil, incluindo os que se disfarçam de “progressistas”, “ambientalistas”, etc. Nesse sentido, dentre outras coisas, o Congresso da APEOESP deve firmar posição a favor da exploração de 100% do nosso petróleo em favor da geração de recursos para a Educação, Moradia, Saúde, etc. Vai se posicionar a favor da revogação de todas as reformas famigeradas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro; vai aprovar a luta pela reestatização da Eletrobras, Petrobrás, etc. Aprovar a solidariedade à luta dos povos africanos contra o imperialismo e contra o embargo à Cuba.

Sinais das contradições presentes atualmente, em que muitas vezes as posições mais importantes para a luta dos trabalhadores e dos povos oprimidos são tomadas por setores que mesmo expressando um certo nível de atraso politico (como o nacionalismo dos países atrasados) são expressam de uma fase de transição que preparam um grande levantamento da classe operária e demais explorados contra a dominação capitalista e abrem caminho para um desenvolvimento da organização revolucionária, da luta contra o capitalismo que como um Rei Midas ao contrário, destrói e faz retroceder tudo aquilo que “toca”.

Nos próximos dias, vamos começar aqui nesse Diário, as importantes decisões desse Congresso.

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