Guerra na Ucrânia

A esquerda pró-imperialista e a paz

A esquerda pequeno burguesa se aproveita da mudança de conjuntura para defender a paz, escondendo sua posição pró imperalista que ficou clara no início da guerra

Com um ano de guerra da Rússia na Ucrânia, a esmagadora maioria da esquerda ainda não compreendeu o caráter da guerra, de luta da Rússia contra o imperialismo que é o verdadeiro agressor. Agora que a posição pela paz se torna mais popular, sendo expressa pelo governo Lula e por um grande movimento dos trabalhadores na Europa, ela é mais fácil de ser adotada pela esquerda. Mas semelhante ao fora Bolsonaro, o atraso de anos para puxar a palavra de ordem não veio com um acerto político. A guerra ainda é analisada de uma forma completamente errada, foi o caso do Esquerda Online em seu artigo “Um ano de guerra na Ucrânia: um novo mundo está surgindo. Mas qual?”.

O sítio ligado ao PSOL publicou no dia 24/02, aniversário de um ano da Operação Militar Especial russa. O texto já começa com um ataque direto ao governo Putin por meio do livro O dia de um oprítchnik, do escritor russo contemporâneo Vladímir Sorókin, que descreve uma “distopia” russa em 2027. É a campanha tradicional de que Putin seria um ditador, uma campanha que provem do imperialismo e atinge todos que ousam se levantar contra a opressão, Putin, Maduro, Ortega etc. 

O texto faz a sua análise base da guerra: “Desde o seu início, o conflito se revestiu, portanto, de um duplo caráter: por um lado, tratava-se de uma guerra de agressão por parte da Rússia contra a Ucrânia, um país historicamente oprimido pelo nacionalismo grão-russo1. Por outro, a expansão da OTAN em direção ao oriente é um fato real, o que concedia à guerra um caráter de conflito interimperialista, ou seja, de um enfrentamento velado entre a Rússia e as potências ocidentais.” Os dois caracteres citados estão errados. Primeiro não existe guerra de agressão da Rússia, e sim o oposto, é uma guerra defesa. Putin, na verdade, esperou 8 anos desde o golpe de 2014 até não ter mais alternativas. Tentou todo tipo de acordo de paz e quando viu o tamanho das forças nazistas, a existência dos laboratórios de armas biológicas e as provocações da OTAN não pode mais esperar, tomou iniciativa e corretamente.

O segundo ponto começa citando a questão do avanço da OTAN, que está de acordo, mas coloca a Rússia como um pais imperialista, algo totalmente absurdo. Durante a Primeira Guerra Mundial a Rússia não era um pais imperialista, assim como não era o império Otomano, eles entraram na guerra com os blocos imperialistas. Depois da Revolução a URSS não se transformou em um pais imperialista, mesmo em seu auge nunca houve um controle econômico global, apenas uma influência política devido ao prestígio da Revolução Russa. A Rússia atual é ainda mais fraca que a URSS, que foi desmembrada e destruída por uma década do neoliberalismo mais violento da história, foi transformada em um país exportador de gás. Se nem nos períodos anteriores, que a Rússia era mais forte, chegou a ser um país imperialista, não é hoje que passou a ser.

Sendo assim, a Rússia não é nem um país agressor e nem um país imperialista, ela é uma nação oprimida que está sendo atacada pela OTAN. A posição da esquerda deveria ser a de defender a Rússia, assim como quando a Iugoslávia foi atacada, ou o Afeganistão, o correto era defender os países oprimidos. Esse erro foi o que fez no início da guerra a maioria da esquerda se pôr ao lado da OTAN pois a posição “pela paz” inicialmente era contra a ação dos russos e portanto a favor do imperialismo. O jogo virou, agora que a paz seria o fim do armamento da Ucrânia pela OTAN, e, portanto passou a ser uma posição que vai contra o imperialismo, apesar de não ser a melhor política, que é a defesa do país oprimido: a Rússia.

Essa caracterização equivocada da guerra leva a argumentos como: “a guerra se transformou em uma típica guerra por procuração, onde os ucranianos lutam por si, mas também lutam pela OTAN, que os utiliza para derrotar a Rússia”. Desde o princípio existia um confronto por procuração, o golpe de 2014 na Ucrânia, organizado pelo imperialismo era, na verdade, um ataque à Rússia. Os ucranianos, por sua vez, nunca lutaram por si, a Ucrânia, desde 2014, passou a ser um fantoche da OTAN para atacar a Rússia. Essa análise de que a Rússia é agressora leva as organizações que a defendem a ignorar a existência dos exércitos nazistas ucranianos financiados pela OTAN, que é o que faz a Esquerda Online nesse artigo.

O texto comete o seu maior erro ao considerar que Rússia e China são países imperialistas: “Este novo mundo não será um mundo livre da opressão imperialista, como pensam os mais ardorosos fãs de Putin e Xi Jinping, já que esses países, uma vez consolidada sua posição imperialista, devem estabelecer com suas semi-colônias relações tão injustas quanto quaisquer outras relações imperialistas.” Aqui, fica claro que o Esquerda Diário irá cometer o mesmo erro que a toda esquerda cometeu no início da guerra, não ficar ao lado da China e da Rússia. Se estes são países imperialistas, e não nações atacadas pelo imperialismo, eles, portanto, não deve ser defendidos, o que configura uma posição reacionária. Na questão de Taiuan por exemplo, é preciso apoiar a China em sua luta contra o imperialismo.

O Esquerda Online então ataca a posição de defesa da Rússia: “Aqueles entre a esquerda que pregam “guerra até a vitória!” (para um ou outro lado, não importa), só o fazem porque estão a 10.000 quilômetros dos acontecimentos e não têm a menor ideia do que significa uma guerra de verdade. Mais do que nunca, é necessária a paz. Uma paz difícil, complexa, que precisa atender aos interesses de distintos povos, com distintas culturas e percepções de si mesmo e de seus vizinhos”. Fica claro que é o EO que não entende o que é uma guerra, uma das formas que assume a luta política. A defesa da paz é ambígua e abstrata, como citado acima, no início da guerra tendia a uma oposição à Rússia e agora tende a ser uma defesa da Rússia. Mas as organizações da esquerda devem ter políticas bem definidas e não ficarem ‘isentas’ com medo da pressão da direita.

A “paz” é outra forma que assume a luta política da Rússia contra o imperialismo. O importante é que o imperialismo seja derrotado e a Rússia, e portanto todos os povos do mundo, saiam vitoriosos. Agora que a guerra começou, a melhor saída para a classe operária é a vitória da Rússia. Uma derrota da OTAN também desmoraliza completamente a maior maquina de guerra já criada pela humanidade, ou seja, no longo prazo é uma grande vitória da “paz”. No fim, o Esquerda Online apenas se aproveita da nova conjuntura para esconder o seu grande erro político, de se colocar contra a Rússia e também contra a China. A esquerda que não se coloca abertamente contra o imperialismo nos momentos críticos sempre fica a seu reboque e contra a classe operária.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.