Em um ato simbólico, com poucas dezenas de sindicalistas das chamadas “centrais sindicais”, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, divulgaram que “lançaram oficialmente” na última segunda-feira (3), na estação Brás, em São Paulo, a convocação para o 1º de Maio Unificado, a partir das 10h, no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, com uma panfletagem. Repetiram a prática tão comum, na atualidade, de realizar atos simbólicos. No caso, o simbolismo consiste no fato de que há décadas a maioria dessas entidades e seus sindicatos não realizam nenhuma campanha real de mobilização dos trabalhadores nos locais de trabalho, mas fazem um ato demonstrativo, para dizer que saíram na frente na convocação, distribuindo um punhado de panfletos e posando para fotos.
A ação é simbólica também porque os sindicalistas não apresentam nenhuma política capaz de levantar os trabalhadores para uma mobilização real, ou seja, para uma luta efetiva, como cabe no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. Em particular neste momento de enorme retrocesso das condições de vida da população e sob intensa pressão dos grandes capitalistas para não haver mudanças em questões centrais de interesse dos trabalhadores, como na questão do aumento do salário-mínimo, do cancelamento das privatizações, da derrubada dos juros que roubam os recursos públicos e assaltam a população cotidianamente me favor dos banqueiros etc.
Só 2,4%?
No mesmo dia, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, junto com dirigentes das “centrais” Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Pública, Intersindical, entregaram ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, no último dia 3, proposta de retomada da política de valorização do salário-mínimo.

O documento propõe uma política de “valorização” do salário mínimo para 30 anos. Segundo o diretor-técnico nacional do Dieese, Fausto Augusto Jr., a ideia seria retomar a política de valorização anterior, baseada na inflação dos últimos 12 meses, mais o PIB dos dois anos anteriores. “A diferença é que estamos propondo o piso mínimo de aumento real de 2,4%” (Portal da CUT, 4/3/23), média de crescimento do Brasil em quase 30 anos.
Se esta proposta dos sindicalistas fosse adotada imediatamente, o salário mínimo atual (R$ 1.302) deveria ser “aumentado” em cerca de R$ 31, cerca de R$ 1 por dia, o que na maioria das capitais do País, não seria suficiente para comprar um pão francês por dia. Seguindo a mesma politica em trinta anos, levaria a que – na mesa do trabalhador – houvesse, em termos de “aumento real”, pouco mais de R$ 900 a mais, mantendo o Brasil como um dos mais baixos salários-mínimos do mundo, mesmo que houvesse um crescimento real da economia de mais de 100%, fazendo aumentar – e muito – a riqueza dos grandes capitalistas.
Sem luta, se esmola
É uma proposta pífia, isso depois de uma brutal desvalorização dos salários e do retrocesso que levou o País a ter mais de 50 milhões de trabalhadores desempregados ou subempregados (“informalidade”), com salários miseráveis, sem direitos (com a “reforma” trabalhista) etc. E quando o DIEESE calcula que o salário mínimo necessário seria de R$ 6.547,58 para atender ao que estabelece a Constituição.
Pela proposta dos sindicalistas, seriam necessários mais de 200 anos para se chegar a esse valor, se o capitalismo em decomposição permitisse um crescimento dessa ordem. Um abandono da defesa do valor da força de trabalho, razão de ser dos sindicatos.
O valor do salário-mínimo é decisivo para dezenas de milhões de brasileiros e até mesmo para qualquer política real de combate à fome, já que o valor atual, de R$1.302, é suficiente para comprar cerca da metade das três cestas básicas, necessárias (segundo o DIEESE) para alimentar uma família trabalhadora.

Os “sindicalistas” estão propondo também ao governo Lula que aprove para o salário-mínimo uma política rebaixada em relação ao que já foi feito em gestões anteriores, como mostra o card da campanha de Lula.
1º de Maio de Luta por um aumento de verdade
Contra a política de capitulação dos sindicalistas, que é ditada pelos setores mais reacionários das “centrais” pelegas (Força, UGT etc.), é preciso realizar no interior do movimento operário uma mobilização real por um aumento emergencial imediato do salário-mínimo, a ser debatido nos sindicatos e entre os trabalhadoresque, ao nosso ver deveria ser maior do que 100%.
Este deve ser um eixo para impulsionar a mobilização no 1º de Maio de 2023 que terá ato nacional unificado, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.