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Copa do Catar

Vergonha é o seguidismo da esquerda pró-imperialista

A esquerda pequeno-burguesa embriagada pela campanha do imperialismo ataca cegamente o Catar e o futebol brasileiro, mais uma vez . . .


O imperialismo lançou uma verdadeira campanha de guerra de propaganda contra o Catar que se aproxima daquela feita à própria Rússia, durante a Copa de 2018 e a guerra contra a OTAN. A esquerda pequeno-burguesa, como de costume, caiu como um patinho e repete os ataques ao país árabe cada vez mais conforme passam os dias da Copa. Foi o caso do colunista do Brasil 247 Ivan Guimarães em seu artigo “A Copa da Vergonha” em que ele alega com todas as palavras que essa é a Copa com o histórico mais vergonhoso de todos. Um absurdo completo.

O artigo começa com a afirmação bombástica “Nenhuma Copa do mundo de Futebol tem um histórico tão vergonhoso quanto a atual” algo impressionante para um campeonato que já teve 22 edições em diversos momentos e diversos países diferentes. O primeiro argumento é um ataque direto ao Catar “Ela se dá no Catar, que diz ser um país, mas é uma empresa”. Mas o Catar é um país que existe desde 1971, tem um território e uma população. De fato é um país artificial, que deveria fazer parte de uma grande nação árabe, mas mesmo assim é um país. Se o Catar é uma empresa por ser um país capitalista governado centralizadamente, praticamente todos os outros países do mundo também são empresas, nesse raciocínio.

Para sustentar a sua tese extravagante de que a Copa está sendo sediada em uma empresa e não em um país, ele discorre sobre a história do Catar. “Essa verdadeira plataforma offshore é dirigida por uma família, os Al Thani. Seus negócios são principalmente com óleo e gás.” e depois “Em 1973 a família Al Thani foi oficializada como líder do Emirado, que se transformou num estado independente, uma monarquia autocrática, com sucessão hereditária.” Seguindo essa lógica quase todas as nações do golfo na verdade seriam empresas geridas por famílias, inclusive a própria Arábia Saudita.

A península arábica consiste do maior de todos os países, a Arábia Saudita e diversas pequenas nações todas governadas ou por reis ou por líderes aristocráticos. O Qatar é um emirado, governado por um emir (príncipe ou chefe em árabe), assim como os Emirados Árabes Unidos, o Barém era governado por um emir que se tornou rei, o Omã é governado por um sultão (sendo o Iêmen a única exceção por ter sido uma república e um país dividido a partir da década de 1960. Esses países que são monarquias todos têm como que praticamente única atividade a extração de petróleo e derivados, assim como o Catar.

É uma particularidade dos países do golfo pérsico, são nações muito atrasadas que estão sob o controle do imperialismo e por isso não conseguem utilizar esse recurso preciosíssimo para se desenvolver. O Iraque e o Irã também são riquíssimos em petróleo mas conseguiram diversificar um pouco mais as suas economias, principalmente o Irã que após a Revolução Islâmica passou a adotar uma política independente do imperialismo. E não é só com o petróleo que isso existe, é muito comum países atrasados serem exportadores de matéria-prima bruta, isso não os torna empresas, é um traço do domínio imperialista.

O texto segue, então, como papagaio da imprensa imperialista, atacando além do Catar a própria FIFA: “Eles encontraram na Fifa, um parceiro a altura, maior ONG do mundo – dependendo do critério maior que a ONU – tem sido alvo de denúncias há anos. De fraudes com ingressos a propinas para a escolha das sedes das copas, há um pouco de tudo.” O trecho final deixa claro o motivo por trás do ataque à FIFA, as denúncias de corrupção nos últimos anos aconteceram justamente quando as Copas saíram do eixo Europa-EUA-Japão e passaram a acontecer na África do Sul, no Brasil, na Rússia e no Catar. Fica também a pergunta ao autor: o Catar foi o único país sede de uma Copa que encontrou a FIFA como parceiro? Todos os países são parceiros da FIFA e para ser país sede é preciso entrar em um acordo com a FIFA. Alemanha, Itália, EUA etc. todos os países que sediaram a competição, portanto, são aliados da “corrupta” FIFA. Não é exclusividade do Catar.

O texto atinge o seu ápice de pró-imperialismo logo após: “Mas a escolha do Catar foi o ápice. Um país sem nenhuma tradição em Futebol fica à frente dos EUA. Ficou evidente que havia algo errado. O FBI Investigou o assunto e o departamento de justiça norte americano concluiu que houve corrupção na FIFA, com o pagamento de milhões para a escolha do Catar levando.” Ivan Guimarães aqui ignora completamente que os EUA tem zero tradição de futebol, é o único país no mundo que não usa a palavra futebol (usa soccer). E não só isso como ele se guia pelo FBI e pelo Departamento de Estado dos EUA, duas das mais repulsivas instituições criadas, responsáveis por assassinatos, golpes de Estado e ditaduras em todo o planeta.

Esse trecho deixa claro de onde vem a campanha contra o Catar e contra a própria FIFA. O imperialismo ataca a nação árabe pois ela é a quinta maior produtora de gás do planeta e se aproxima cada vez mais da China e também da Rússia. Não há preocupação nenhuma com a democracia e os direitos LGBT mas sim com os bilhões de dólares que estão indo para o lado errado do planeta. O mesmo vale para os casos Brasil, Rússia e África do Sul. Para o imperialismo a copa só é boa quando é feito em seu território e não no território dos povos que querem se libertar.

O autor do artigo nem sequer tenta esconder sua vassalagem aos Estados Unidos. Parece até que ele ficou magoado com o fato de os EUA ─ segundo ele, uma potência futebolística ─ terem sido preteridos pela FIFA. E vem exatamente dos EUA, e em segundo lugar da Europa, toda a campanha contra a FIFA e a Copa do Mundo do Catar.

Ele fecha com o argumento final, retirado direto da imprensa burguesa: “A Copa do Catar não deveria existir. Milhares de violações dos direitos básicos dos trabalhadores, inclusive trabalho equiparado ao escravo, mortes e lesões permanentes ficam na esteira dessa insanidade. Mas não só isso. O desrespeito as mulheres é gigantesco. E como costumam agir as ditaduras mais sangrentas, o regime não aceita críticas. Ah, é um governo homofóbico.” Essa é a campanha mais baixa de todas, o país precisaria ser perfeito para sediar uma Copa, segundo a ideia do autor. Vemos novamente repetida a ideia de que o Catar é o único lugar horrível do planeta, enquanto o restante dos países é um Paraíso na Terra.

E isso remete à própria abertura do texto “Nenhuma Copa do Mundo de Futebol tem um histórico tão vergonhoso quanto a atual”. É preciso avaliar portanto as Copas anteriores. Em 1938 a Copa foi realizada na Itália fascista e em 1978 pela ditadura de Videla na Argentina. Ou seja: quando o imperialismo apoia a ditadura, não há problema. Mas ainda pior que isso: a Copa já aconteceu nos EUA, na Inglaterra e na França ─ os maiores responsáveis pela opressão de toda a população mundial. Os mesmos que sustentaram todos os governos do golfo pérsico por décadas.

A Copa no Catar não é vergonhosa, é um grande evento esportivo que acontece em um país atrasado, assim como foram as últimas 3 copas. Vergonhoso é a esquerda se tornar um apêndice do imperialismo e atacar não só um país oprimido mas também a copa em que a Seleção Brasileira é a franca favorita para vencer, conquistar o Hexa e reafirmar a superioridade do futebol brasileiro, o futebol dos oprimidos.

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