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Futebol é luta de classes

Seleção brasileira, fascismo e luta contra o imperialismo

A Copa do Mundo vai chegando e a esquerda novamente indica que vai torcer contra o povo brasileiro


Não é de hoje que boa parte da esquerda nacional, pequeno-burguesa, faz campanha contra o futebol e a seleção “canarinho”. Para além dos latidos há muito batidos de que “o futebol aliena” ou que o esporte mais popular do mundo não passaria de “pão e circo”, um novo argumento tem sido utilizado nos últimos anos por esse setor da esquerda.

Seria de que os jogadores da seleção seriam de direita, ou mesmo bolsonaristas. É o caso, especialmente, do craque Neymar e do ex-craque Robinho ─ assim como já havia sido o caso e Pelé, que depois de velho ainda teve de ouvir tamanhas asneiras.

A esquerda cai novamente na emboscada de julgar as pessoas pelo que elas pensam e dizem, e não pelo que elas fazem. E não estamos falando de políticos, mas de pessoas que nada têm a ver com a política. Políticos devemos julgá-los pelo que pensam e dizem, em determinado grau, mas principalmente pelo que fazem. Mas jogadores de futebol, assim como artistas, não devem ser julgados por nada mais do que fazem.

Nossa esquerda tem um problema central que desconhece completamente a situação da classe trabalhadora. É uma esquerda acadêmica, mesmo a que se diz “revolucionária” ─ o “marxismo de cátedra”. Boa parte ligada aos cursos de Ciências Sociais, História e Filosofia. Contudo, se fossem coerentes esses esquerdistas com suas visões idealistas, deveriam então deixar de se interessar pelos grandes filósofos gregos, porque muitos defendiam a escravidão. Por que não o fazem? Ora, porque é “culto” citar e se masturbar intelectualmente com o excesso de pedantismo que lhes é comum.

Já quando se trata de pessoas que nunca se propuseram a fazer política ou a influenciar politicamente outros indivíduos, pessoas cuja área de atuação é outra, aí esses esquerdistas se transformam em policiais do pensamento.

Os jogadores de futebol devem ser julgados por sua capacidade de desempenhar a função que lhes cabe. Devem ser julgados se são bons ou maus jogadores de futebol. Nada mais do que isso. Assim como um cantor ou compositor deve ser julgado pela qualidade de sua música. A não ser que ele tenha uma vida política ativa, e, portanto, seja ele também um político, não deve ser julgado por suas posições políticas.

Pelo fato de o PCO defender que Neymar é um craque e o melhor jogador do mundo, esses setores de esquerda nos atacam, dizendo que protegemos um bolsonarista e um burguês, sonegador de impostos e corrupto. Não passam de ataques morais. O PCO não está defendendo o “bolsonarista”, o “burguês”, o “sonegador” ou o “corrupto” Neymar, mas sim o jogador Neymar. Porque é isso o que ele é.

A esquerda tem dedicado muito do seu tempo “combatendo o fascismo” de Neymar e de outros jogadores brasileiros, ao mesmo tempo em que cria teorias para defender a aliança com os verdadeiros fascistas, aqueles que deram o golpe de 2016 e foram responsáveis pela ascensão do bolsonarismo, os políticos da direita e as instituições do Estado, bem como os banqueiros e seus representantes diretos.

Torcer contra a seleção brasileira, assim, seria uma forma de resistência ao fascismo (!). E quem torce a favor estaria incentivando a direita e o bolsonarismo. Falta combinar com os russos ─ como diria Garrincha. Isto é, com o povo pobre e trabalhador do Brasil, que vê Neymar como ídolo, que ama o futebol e torce apaixonadamente pela seleção brasileira. Nas favelas, é absolutamente comum crianças e jovens vestindo a camisa da seleção com o nome de Neymar estampado nas costas, como era antes o de Robinho, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Romário.

Por quê? Porque o povo brasileiro se identifica com os jogadores de futebol, que são em sua esmagadora maioria negros, provenientes das favelas e quebradas, nasceram pobres e graças ao futebol conseguiram ascender na vida, driblando a ditadura imposta pela burguesia contra o proletariado, condenado a viver eternamente na pobreza dentro do sistema capitalista.

O povo brasileiro vê os seus ídolos do futebol de forma semelhante como vê o novamente eleito presidente Lula. Um dos seus. Alguém que lhes dá orgulho por pertencer à mesma classe social que a maioria do povo, a classe trabalhadora. Alguém que venceu a burguesia, de uma forma ou de outra. Aqui, o futebol deixa de ser apenas um esporte para ser uma expressão da luta de classes. Sendo a maior paixão nacional, que levou o Brasil a ser conhecido mundo afora como o campeão máximo, país pobre e oprimido que desbancou e humilhou as grandes potências capitalistas no futebol, este esporte é um fator de conscientização e politização da classe operária e do povo brasileiro.

Ademais, por ter se entranhado no povo, o futebol se tornou um dos maiores símbolos da cultura nacional. A esquerda está tão cooptada pelas ideias e políticas do imperialismo, tão animada em ajudar na entrega do País aos tubarões capitalistas ─ a Amazônia é o maior exemplo ─ que se esquece que a defesa da cultura nacional é uma luta tradicional dos mais diversos segmentos da esquerda. E a luta pela cultura nacional é uma luta para proteger os interesses nacionais, o povo brasileiro, do domínio do imperialismo.

Todos os esquerdistas hão de concordar que os palestinos torcem ─ e estão certos de torcer ─ para seus representantes nas competições esportivas. E que o mesmo vale para os africanos e os nossos irmãos latino-americanos. E quando seus países não participam, eles torcem precisamente para… o Brasil! Os cubanos torcem para o Brasil. Os negros de todo o mundo torcem para o Brasil. O Brasil, sendo um dos mais importantes países atrasados, é admirado e respeitado pelos nossos povos irmãos, que entendem que uma vitória do Brasil contra os países desenvolvidos é uma vitória dos países oprimidos contra as nações opressoras e imperialistas.

É exatamente por esse motivo que o PCO defende a seleção brasileira e que seus militantes irão torcer apaixonadamente pelo Hexa no Qatar. Não nos interessa o que pensa ou deixa de pensar um jogador como Neymar. O que importa é o que ele e os outros dez craques fazem em campo pelo povo brasileiro e pelo conjunto dos povos oprimidos do mundo todo. A realidade concreta é esta. O resto é o mundo dos sonhos e do idealismo reacionário de pequeno-burgueses que rejeitam a cultura nacional e o próprio povo.


COTV

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