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O falso debate

Quem fala bem nosso idioma é fascista?

Ian Neves, entra em um debate sobre 'preconceito linguístico, 'tecnologia fascista' e se esquiva de debater o que interessa: a necessidade de uma boa educação.

sopa de letras

O youtuber Ian Neves entrou em uma polêmica, um tanto esdrúxula, mas que, de certa forma, se insere no meio de outras que questionam até a validade do português como língua oficial do Brasil, a imposição da língua culta. Discutem se não deveria haver, línguas localizadas de acordo com suas diferenças regionais. Uma grande salada temperada com o identitarismo.

O curioso é que no Brasil, existe uma pressão enorme para que se fale a língua inglesa.  Hoje, existem por volta de dez mil ONGs atuando na Amazônia, e muitas delas ensinam o inglês para os nossos índios sem que ninguém ache isso estranho.

Voltando ao assunto, em um de seus vídeos no YouTube, Neves mostra uma outra youtuber, Cíntia Chagas, da qual tenta fazer um raio-X. Essa senhora é formada em Letras etc., e tem um canal no qual dá dicas para que as pessoas falem e escrevam direito. Segundo ela própria, se propõe a democratizar o acesso à língua portuguesa. Para o polemista, é um absurdo que essa senhora tente democratizar o acesso à língua porque o brasileiro já fala o português, quando, é óbvio, que não é disso que se trata.

Gostemos ou não do que faz Cíntia Chagas, o que ela pretende, não sabemos se consegue, é que as pessoas falem melhor, com menos erros gramaticais e, para desespero de Ian Neves, a senhora dá aulas de etiqueta como, por exemplo, pedindo às pessoas que evitem falar ‘Zap’, ou ‘Zap-zap’, em vez de WathsApp.

Ian Neves diz que Cíntia Chagas está cometendo “preconceito linguístico” e ele próprio entra no mérito de como se pronuncia corretamente ‘WhatsApp’, ou ‘Woody Allen’. 

Fascismo linguístico

O youtuber diz que não é apenas preconceito linguístico, mas que “os vídeos dessa mulher têm um ar muito forte de fascismo, porque o fascismo se manifesta na língua também. Lembrando que o Plínio Salgado era poeta. Um dos caras famosos por falar português erudito era Jânio Quadros (…)”. Mostra Collor de Mello falando de seu jeito esquisito e diz “língua é ideologia, língua é classe (social)”. Depois de passar pela lista de vídeos com entrevistas de Cíntia Chagas, na qual figuram Temer e outros direitistas, Neves diz que aquilo é a “tecnologia fascistas aplicada à língua”, porque a dona do canal diz que existe palavra cafona, o certo e o errado.

Surpreende que alguém ligue o falar corretamente  com o fascismo. Ora, devemos considerar Machado de Assis, Lima Barreto, Cecília Meireles, Patrícia Galvão, dentre tantos que falavam corretamente o nosso idioma, como sendo fascistas?

No Brasil existe um problema agudo na Educação. Inúmeros jovens estão saindo da escola sem que tenham aprendido a ler, saem analfabetos, e isso não é um exagero. A maioria não aprende Matemática, muitos completam o ciclo sem aulas de Química ou Geografia, não fazem ideia do que seja a Física. Eis a dura realidade.

Não haveria qualquer dificuldade de se aprender Gramática, qualquer um pode aprender, a questão é não se ensina. Ou melhor, se ensina para quem pode pagar. Em vez de cobrar o acesso à Educação, em vez de se exigir escolas públicas e de qualidade, o assunto descamba para o ‘autoritarismo’ da língua culta.

A partir do momento em que as escolas passem a educar efetivamente os nossos jovens, todas essas questões laterais, inúteis, vão desaparecer. Não é porque falava corretamente a nossa língua que Plínio Salgado enveredou pelo integralismo.

Não se debate

O fato é que a deficiência na formação básica nos acompanhará também na vida acadêmica. Muitos acadêmicos escrevem mal. Em vez de se enfrentar o problema de frente e assim solucionar essa grave questão do ensino, o que se vê é uma série de pessoas tentando transformar o que é deficitário em ‘normal’.

Quando Neves se irrita com a youtuber e diz que o brasileiro já tem acesso à língua portuguesa porque, afinal, não fala o Guarani, está simplesmente tratando de se esquivar do debate.

As aulas de Cíntia Chagas são ruins, ineficientes? Talvez sim, mas isso não vem ao caso. Tratar alguém que tenta dar dicas de gramática, seja ela quem for, de fascista é um verdadeiro exagero.

Uma língua é um ente vivo, com certeza, a todo momento surgem neologismos, regionalismos e assim ela vai se construindo. Por outro lado, a língua também serve para a comunicação, serve para se criar normas, para se escrever leis e, portanto, precisa ser também padronizada e, não custa repetir, qualquer pessoa pode aprender isso desde que se tenha uma boa educação.

É claro que se pode usar, e se usa, o falar bem como um distintivo social. Por outro lado, quem não sabe ler está sendo privado não apenas de conseguir empregos, mas de conhecer um sem número de obras artísticas.

A ignorância, como bem disse Marx, não nos leva a lugar nenhum. O papel da esquerda tem de ser o de elevar a consciência das pessoas e não ficar em debates inúteis que mais servem ao retrocesso.

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