Em coluna no jornal O Globo, Rony Vainzof, secretário da Confederação Israelita do Brasil (Conib), publicou a seguinte manchete: Antissemitismo, antissionismo e os limites da liberdade de expressão. Essa organização do sionismo tem atuado em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) no Brasil para reprimir as vozes críticas à selvageria promovida por “Israel” na Palestina ocupada. Dois militantes do Partido da Causa Operária (PCO), Henrique Áreas e Rui Costa Pimenta, foram recentemente denunciados pelo MPF a partir de representação apresentada pela Conib em 2013. Como apresentado pelo presidente do Partido no programa Análise política da 3ª, em maio:
“O antissemitismo aqui é uma coisa totalmente forçada. Nós nunca falamos nada contra o judeu enquanto comunidade. Nós não temos nenhum preconceito contra nenhum tipo de grupo social, de grupo nacional, de grupo religioso, de qualquer tipo de coisa. Nós somos um partido de esquerda revolucionário; nós somos contra essa discriminação. A nossa ideologia é uma ideologia que prega a união da classe trabalhadora de todos os países; portanto, qualquer tipo de discriminação em relação a países, grupos nacionais ou religiosos é absurda. Nós somos favoráveis à liberdade religiosa” (“‘A Conib toca o sininho e o MP vem correndo’, diz Rui Pimenta”, Diário Causa Operária, 20/05/2026).
O truque de estabelecer essa falsa equivalência entre antissionismo e antissemitismo já é bem conhecido, mas o cinismo dos agentes de “Israel” não deixa de impressionar. Esses propagandistas favoráveis à ocupação militar da Palestina e ao massacre do povo da região e dos países vizinhos apresentam um cenário fantasioso, onde judeus sofrem racismo no século XXI, inclusive no Brasil. A “indústria do Holocausto”, como chamou Norman Finkelstein, impulsiona essa farsa há muitas décadas para justificar os crimes dos sionistas no Oriente Médio. A tese apresentada na coluna de Vainzof mostra como o ataque à liberdade de expressão é uma ferramenta a serviço dos interesses mais escusos. Sobre o suposto limite necessário a esse direito fundamental, o colunista escreve:
“O limite é ultrapassado quando a crítica deixa de ser política e passa a atacar a própria existência de um povo ou o direito de um país existir. Quando símbolos nazistas são banalizados, quando o Holocausto é instrumentalizado ou quando se nega ao judeu o direito à autodeterminação, não se trata mais de liberdade de expressão, e sim de discriminação.
A comparação entre Israel e o nazismo ilustra esse desvio com precisão. Distorce a História e inverte papéis, transformando vítimas em algozes. O regime de Adolf Hitler tinha como objetivo o genocídio dos judeus, com escala e métodos historicamente singulares. Os conflitos atuais, embora com trágicas vítimas civis, têm como objetivo neutralizar terroristas e envolvem a defesa contra quem busca a sua aniquilação. Projetar sobre o Estado judeu a imagem do mal absoluto é violência moral e configura antissemitismo”. (Antissemitismo, antissionismo e os limites da liberdade de expressão, O Globo, Rony Vainzof, 13/06/2026).
Sob a chantagem emocional da perseguição aos judeus que ocorreu na primeira metade do século passado, procura estabelecer que críticas à existência de ‘Israel’ são tentativas de atacar a existência de um povo. Aproveita para chamar o genocídio palestino de “conflitos atuais” e as dezenas de milhares de palestinos assassinados de “trágicas vítimas civis”. Aqueles que pegam em armas para defender sua terra e seu povo são chamados de “terroristas”. Uma verdadeira inversão da realidade, pois o que os grupos armados palestinos estão fazendo é justamente lutar contra a aniquilação do seu povo. E, no estágio atual, não realizam ataques para matar civis israelenses, enquanto a máquina de guerra sionista ataca deliberadamente estruturas civis na Palestina e Líbano.
O melhor remédio para corrigir as distorções é justamente o debate público, aberto e irrestrito. Mas os sionistas não aceitam esse embate de ideias, até porque elas não se sustentam diante dos fatos. Por isso, a estratégia é choramingar e pedir pela repressão estatal contra quem os derrota neste debate político. A única forma de o discurso vazio dos sionistas se impor é se estiverem falando sozinhos. Na televisão, no cinema, nas rádios e na Internet. Com base num crime monstruoso cometido na Europa há quase um século, querem impedir a denúncia de um crime monstruoso cometido hoje na Palestina.
A “censura do bem” é sempre do mal. No começo dessa campanha no Brasil, a justificativa era o racismo contra os negros. Em pouco tempo, estamos assistindo ao absurdo de uma enxurrada de denúncias de racismo contra judeus. A ferramenta que deveria supostamente defender vítimas se mostrou um instrumento dos opressores. Obviamente, que essas denúncias não têm nada a ver com nenhum episódio real de discriminação contra algum judeu de carne e osso nos dias de hoje. Trata-se apenas de um esforço para impedir a denúncia do que a ocupação militar sionista faz com a população palestina, essa sim vítima real de discriminação e violência.




