Um tal G. Lessa publicou artigo no sítio do PCB que busca analisar a propaganda bolsonarista e as estratégias que a esquerda precisa utilizar para combatê-la.
Argumenta o autor que o fascismo ─ e, no caso, o bolsonarismo ─ faz uso de artimanhas para deslegitimar pensamentos racionais ou mesmo instituições como “a Universidade, as igrejas progressistas [quais?] e outros pólos de produção cultural”.
“Portanto, para fazermos uma crítica teórica e prática da estratégia de propaganda bolsonarismo em geral e, em particular, na campanha do segundo turno das eleições de 2022, é fértil refletirmos mais detidamente sobre o papel do pensamento comum na disputa por hegemonia e direção política”, diz.
Ele utiliza, assim, o velho malabarismo acadêmico, baseado em conceitos stalinistas de Gyorgy Lukács e outros atribuídos a Antonio Gramsci, verdadeiras revisões do marxismo, para tentar explicar o que é a propaganda bolsonarista e qual o caminho para rebatê-la. Tal rebaixamento teórico, que, sendo revisionista, nega o marxismo, leva necessariamente a uma defesa do regime político e das formas como a própria burguesia controla o fascismo, quando ela precisa mantê-lo domesticado.
Por exemplo, segundo ele, “a esquerda precisa promover, por meio de mensagens e ações políticas, a autoridade intelectual das instituições produtoras de discursos racionais, no campo da erudição, como as Universidades públicas, bibliotecas e laboratórios estatais (Fiocruz, Butantã etc)”. É o que a esquerda tem feito desde que Bolsonaro foi eleito: a defesa do “SUS”, do “Instituto Butantã” e da “vacina obrigatória” como forma de defender o governo Doria em São Paulo, a defesa da “ciência” como forma de defender a direita golpista da terceira via, a defesa da “verdade” contra as “fake news” como forma de defender o monopólio da imprensa capitalista. Mas não se esqueçam: não podemos deixar “de disputar a hegemonia nessas instituições”!
Por se basear desde o princípio no revisionismo stalinista, o articulista do PCB termina por bater de frente com a única verdadeira forma de combater o fascismo: a luta de classes. Os malabarismos em torno da “manipulação do tenso comum” não servem de nada para entender a luta contra o fascismo. Tudo isso pode ser jogado na lata de lixo pelos trabalhadores e suas direções. São ideias, em última análise, burguesas.
Ideias que, além disso, consideram o povo como um gado ─ não gostam de chamar os eleitores de Bolsonaro dessa forma? Ou seja, o povo seria uma massa passiva facilmente manipulável, sem inteligência. Se fosse assim, jamais se poderia mobilizá-lo para sua luta concreta por direitos e por sua emancipação.
“Em síntese: para combater o fascismo no campo das ideias, precisamos agir para reconectar o senso comum com as referências racionais de autoridade intelectual” ─ eis o que poderia ter dito qualquer intelectual burguês, mas que é papagueado pelo PCB.
A maneira pela qual a esquerda poderá combater a propaganda bolsonarista e derrotar o fascismo é a mobilização dos trabalhadores. É convencendo os trabalhadores com base em seus interesses materiais imediatos e tradicionais, como os direitos trabalhistas e as questões econômicas e políticas, fundamentalmente. É mostrando que Bolsonaro é um político da burguesia e do imperialismo e que, portanto, é inimigo da classe operária. Isso não é levado em conta por Lessa em nenhum momento. O resto é pura propaganda da política burguesa.
Enquanto a esquerda insistir na defesa das instituições burguesas, nada mais fará do que obstaculizar e sabotar a luta contra Bolsonaro. Continuará como uma marionete nas mãos dos capitalistas.





