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Crime de opinião

Presidenta da UNE quer prender dirigente negro do PCO

Bruna Brelaz, presidente ilegítima da UNE, se junta ao STF nos ataques contra a liberdade de expressão


No começo deste ano, no dia 07 de fevereiro, a equipe de advogados da atual presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, publicou uma queixa-crime contra Juliano Lopes, coordenador do Coletivo de Negros do PCO, João Cândido, e membro da Direção Nacional do Partido.

No documento, a presidenta vem a público denunciar uma coluna assinada por Juliano Lopes para este Diário Causa Operária intitulada Mais uma negra a serviço da casa-grande. Segundo o processo de Brelaz, o militante do PCO haveria atentado contra a sua figura, cometendo “injúria” e “difamação” simplesmente pelo fato de que Lopes lhe chamou de “negra de alma branca” em seu texto. Uma crítica tradicionalmente usada pelo movimento negro para identificar pessoas negras que atuam em benefício dos interesses dos poderosos brancos.

Com isso, a presidenta da UNE requer a responsabilização penal de Juliano frente às suas acusações. Ou seja, não quer nenhuma indenização, tampouco nenhuma retratação por parte do dirigente nacional do Partido. Quer, literalmente, que ele vá para a cadeia pelos “crimes” que ele cometeu.

Mais uma caso gravíssimo de censura

Antes de qualquer coisa, é preciso ficar claro que o processo movido contra Juliano Lopes se trata de um processo político e, mais importante, um caso de censura escancarada. Ou seja, é ainda mais um ataque por parte da burguesia contra a liberdade de expressão e, de maneira geral, os direitos democráticos do povo. Algo nos mesmo moldes do que o STF vem fazendo no último ano.

Afinal, o que Juliano fez na publicação, que pode ser acessada por meio deste link, foi denunciar o caráter grotesco da capitulação de Bruna Brelaz aos inimigos do povo. Para tal, simplesmente utilizou-se de uma expressão que há décadas é utilizada no movimento para caracterizar uma figura negra que, de alguma maneira, age contra os interesses dos trabalhadores.

Finalmente, foi justamente isso que Bruna Brelaz fez. Ao tomar posse da presidência da UNE, não só reproduziu o que os mandatos anteriores estavam fazendo no que diz respeito à entrega dos direitos da juventude à burguesia. Foi além e se aliou com o MBL e FHC, algozes históricos dos trabalhadores brasileiros.

Em outras palavras, colocou a principal e a maior organização da luta da juventude no Brasil completamente à serviço da burguesia. Postura ainda mais condenável pelo fato de que sua eleição se deu de maneira estupidamente antidemocrática, com um Congresso Nacional da UNE sendo chamado às escuras pelos dirigentes pelegos do PCdoB.

Em suma, por denunciar toda essa situação verdadeiramente degradante em termos clássicos da luta dos oprimidos do Brasil, Juliano Lopes está sendo censurado e ameaçado de prisão. Uma operação verdadeiramente ditatorial contra a vanguarda dos trabalhadores.

O identitarismo como arma jurídica

Ao longo de todo o processo, um dos pilares da argumentação jurídica da equipe legal de Brelaz é o identitarismo. No começo, faz questão de ressaltar que é “a primeira presidente negra eleita da UNE”. Título que, principalmente ao lado de seu histórico nojento, não significa absolutamente nada.

Com base nisso, a pelega tenta enquadrar as críticas – muito bem fundadas, diga-se de passagem – de Juliano como racismo. Veja:

“Pela a mencionada matéria, verifica-se que o QUERELADO se utiliza da raça da QUERELANTE e da triste história de escravidão do povo negro, não só para

ofendê-la, como também todo um grupo de pessoas, fazendo paralelos e incitações odiosas e absolutamente racistas”, consta no processo.

Àqueles já familiarizados com o discurso identitário, aqui, temos mais do mesmo. Entretanto, é uma demonstração de como funciona essa política imperialista: fabrica-se um problema que é massivamente propagado pela imprensa burguesa e pela esquerda pequeno-burguesa que, posteriormente, é utilizado em prol dos interesses da burguesia.

Ao contrário do que diz a equipe jurídica de Brelaz, a luta do povo negro nada tem a ver com a cruzada identitária contra as palavras e as injúrias. É, antes de qualquer coisa, uma luta contra o estado capitalista que tem com um de seus alicerces o massacre do povo negro, principalmente por meio da Polícia Militar.

Nesse sentido, deve-se falar à Brelaz: Juliano Lopes, que você quer prender, representa a luta de vanguarda do povo negro no Brasil. Por outro lado, FHC, que você defende de joelhos, é um dos principais representantes da chacina contra a população negra brasileira.

Por esse ângulo, fica claro que a questão não é a luta entre o povo negro – que seria representado por Brelaz – e o racismo – por Juliano. Mas sim, uma luta dos trabalhadores brasileiros, em sua grande maioria negros, contra a burguesia representada por figuras como FHC, Dória e o MBL.

Contra a polarização, a favor da Terceira Via

Ademais, Brelaz procura ainda atacar a radicalização da luta dos trabalhadores do Brasil, afirmando que “o discurso radical tem se inserido em um cenário de escalada da violência no país, com linchamentos virtuais, ameaças, injúrias e propagação de discursos odiosos, tudo fruto da polarização política”.

Cabe, então, a pergunta: qual seria a alternativa à polarização política? Decerto que a resposta não pode ser outra senão a moderação, o centrismo. Logo, Brelaz demonstra, ainda mais uma vez, que serve à Terceira Via, os representantes do “centro democrático” do país, como caracteriza a imprensa burguesa.

Afinal, é esse o setor que se coloca como sendo a alternativa à polarização que tanto assusta a dirigente da UNE. Setor que, muito pelo contrário, representa justamente os interesses do imperialismo no Brasil. Interesses que têm como base o esmagamento da classe trabalhadora.

A ditadura contra a liberdade de expressão

Chama atenção o fato de que, no processo, a equipe de Brelaz utiliza um julgamento anterior para justificar os seus ataques contra os direitos democráticos do povo:

“Importante que se diga, desde já, que não há que se falar em liberdade de expressão do QUERELADO, pois, como bem elucidado pelo julgado atemporal do ex-Ministro do Col. STF, MOREIRA ALVES, tal direito fundamental não é absoluto […]”

Todavia, esquecera de expor o histórico de Moreira Alves: chefe do Gabinete do Ministro da Justiça de Médici – um dos maiores algozes da ditadura de 64 -, bem como apontado à Procuradoria Geral da República por este último. Além disso, indicado ao Supremo Tribunal Federal por ninguém mais, ninguém menos, que Ernesto Geisel, mais um ditador sanguinário da ditadura.

Passagem que escancara que o principal objetivo (político) do processo em questão é o de atacar, de maneira violenta, a liberdade de expressão no Brasil. Uma ação que caminha ao lado dos ataques desferidos pelo STF contra o PCO.


COTV

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