Mais um torcedor brasileiro foi brutalmente agredido no seu momento de lazer pela Polícia Militar. Novamente, a cena violenta foi gerada unilateralmente pelos agentes da repressão, que ironicamente são escalados para supostamente garantir a segurança dos eventos esportivos. O alvo da vez foi um jovem de 23 que cometeu o “crime” de filmar uma abordagem truculenta dos PMs na entrada do jogo entre Corinthians e Mirassol pelo Campeonato Paulista.
O jovem agredido tinha acabado de entrar no estádio quando percebeu que um dos seus amigos tinha sido barrado por um dano no cartão de entrada para o jogo. O grupo de amigos então entrou em contato com os policiais presentes para tentar resolver o problema, pois tratava-se de um problema meramente técnico, que poderia ser esclarecido. Vendo seu amigo ser mal tratado pelos agentes, o torcedor tomou uma atitude normal e passou a filmar o que estava acontecendo, uma medida básica de autopreservação diante da PM.
Para impedir a filmagem, os policiais agarraram o torcedor pelo pescoço e o imobilizaram no chão, ao ponto dele desmaiar e ser arrastado pelo chão, quando teve ainda seu braço torcido. Pouco tempo após voltar a si, o torcedor e sua namorada foram levados a um local no subsolo do estádio e passaram todo o primeiro tempo do jogo sofrendo ameaças dos PMs. Depois disso, mesmo liberados para assistir o segundo tempo da partida, decidiram ir embora e registrar boletim de ocorrência, o que não foi simples também.
Duas delegacias rejeitaram a denúncia, a primeira com a justificativa de que não havia delegado de plantão e a segunda por “excesso de flagrantes para registrar”. Apenas dois dias depois, numa terceira delegacia, o torcedor conseguiu registra a queixa, o que também não significa muita coisa. Dependendo da repercussão do caso, a cúpula da PM afasta os agentes por um tempo e nada mais. Até porque não se trata de um “erro de percurso”, mas de uma diretriz fundamental desse órgão da repressão estatal, a PM é inimiga natural dos trabalhadores, existe para esmagá-los.
O problema da PM nos estádios, inclusive, tem a ver com a questão da liberdade de expressão, especialmente sobre assuntos relevantes politicamente. A truculência da PM é tão aguda em relação à censura nos estádios que há pouco tempo, no mesmo estádio, uma menina teve seu cartaz rasgado por uma policial militar na entrada. No cartaz se lia: “Cássio, seja meu Papai Noel. Me dá sua luva e camisa. Da sua fã, Ester”.
Sendo um esporte de massas, o futebol é palco para a expressão da insatisfação popular em momentos de intensa polarização política. Em especial, as torcidas organizadas, que reúnem setores proletários e já deram diversos exemplos recentes de engajamento político contra a classe dominante. Foi o caso da denúncia da “mafia da merenda” do PSDB e da expulsão dos fascistas da Avenida Paulista, em São Paulo, ainda em 2020, enquanto a esquerda brincava de “fique em casa”. Tendo como razão da sua existência o controle dos ânimos populares, a PM está nos estádios para calar as torcidas.
A única solução para essa violência contra o povo é o fim da PM, a dissolução completa desse aparato de repressão da burguesia e sua substituição pelas milícias populares nos bairros, onde a própria população cumpriria verdadeiramente o papel de garantir a segurança.





