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Frente ampla

PCB apoiou Lula com uma política de colaboração com os golpistas

Partido atribui vitória do PT a um suposto e importante apoio de democratas burgueses


O Comitê Central do PCB publicou uma nota oficial que comprova o caráter oportunista de seu “apoio” à candidatura de Lula e que revela que o partido ainda está mais perdido do que cego em tiroteio diante da situação eleitoral de 2022. Escancara, ainda, que a política frente-amplista e de colaboração de classes com a burguesia motivou o suporte formal dado pelos “comunistas” à vitória Lula.

“Essa vitória resulta da postura de um amplo leque de forças políticas que compreendeu a importância de cerrar fileiras nesse segundo turno contra o avanço da ultradireita e a real possibilidade de extermínio das liberdades democráticas e ampliação da barbárie social que reforça o discurso de ódio, a xenofobia, os preconceitos e as ações políticas reacionárias de todo tipo”, afirma a nota.

Destrinchemos a mente confusa dos dirigentes do agrupamento pequeno-burguês. Eles atribuem a vitória de Lula contra Bolsonaro no segundo turno à atuação de “um amplo leque de forças políticas”. Ou seja, à união de diversos setores da sociedade, inclusive com interesses contraditórios, representados por Alckmin e o PSB, por Simone Tebet e os latifundiários, por FHC e alguns tucanos, por Henrique Meirelles, Armínio Fraga e seus banqueiros, por Marina Silva, Neca Setúbal e George Soros, etc. Eles teriam apoiado Lula, o PT e a esquerda porque “compreenderam a importância” de derrotar Bolsonaro e a extrema-direita. Em outras palavras, o PCB acredita que a vitória de Lula só foi possível devido ao apoio de setores minoritários e marginalizados da direita e dos capitalistas. Foi possível apenas por meio de uma política de frente ampla, isto é, de colaboração de classes com a burguesia. E mais: que essa burguesia tem um crédito moral por se opor ao fascismo, sendo, portanto, uma força social civilizada, democrática. A vitória de Lula, assim, teria sido a vitória da democracia contra o fascismo. Nada poderia ser mais despolitizado e antirrevolucionário do que um raciocínio como esse.

Vale ressaltar que no primeiro turno a maioria desses representantes da burguesia não estava ao lado da democracia e da civilização supostamente representadas pela candidatura petista ─ assim como não estava o PCB. Por que não estavam, se a candidatura de Lula já era a candidatura claramente mais antibolsonarista da disputa? Ora, porque o “apoio” desses setores burgueses é apenas um apoio oportunista, a fim de se reciclarem com a ajuda de Lula e do PT, de se passarem por “progressistas” e de influenciarem de alguma maneira o novo governo para que ele atenda aos seus interesses, sabendo que não poderia eleger seus candidatos preferenciais e que um apoio aberto a Bolsonaro seria muito arriscado, bem como uma queda no abismo caso mesmo assim ele perdesse.

Finalmente, esses setores declararam apoio a Lula. Mas no que isso ajudou à sua candidatura? Em absolutamente nada. Nem mesmo dinheiro ─ a única coisa que eles têm ─ deram para sua campanha. No segundo turno, apesar do “apoio” da burguesia, Lula foi às favelas e aos bairros populares, reuniu multidões em comícios vermelhos e radicalizou no discurso, falando para os trabalhadores e apresentando um pensamento e propostas (ainda que confusas e limitadas) que nunca poderiam agradar aos grandes capitalistas. E foi por isso que ele venceu as eleições. Venceu com o apoio dos trabalhadores, e não do “amplo leque de forças políticas” que o teriam apoiado.

Esclarecido isso, talvez fique mais fácil para os marxistas de cátedra do PCB entenderem qual a real essência da candidatura Lula de 2022 e da campanha eleitoral. Ela representou a luta da classe operária contra a burguesia e o imperialismo, que se agrupou de forma mais ou menos coesa em torno da candidatura de Bolsonaro no segundo turno. Se alguns políticos burgueses e capitalistas deram um apoio da boca para fora ao candidato do PT, a esmagadora maioria da classe dominante forneceu um apoio concreto a Bolsonaro, despejando quase 100 milhões de reais em sua campanha, coagindo seus funcionários a votarem no líder do PSL e fazendo funcionar seu gigantesco aparato estatal para manipular as eleições a favor do presidente ilegítimo.

Assim, se houvesse, com a reeleição de Bolsonaro, uma “real possibilidade de extermínio das liberdades democráticas e ampliação da barbárie social que reforça o discurso de ódio, a xenofobia, os preconceitos e as ações políticas reacionárias de todo tipo”, essa só seria possível devido ao apoio da maior parte da burguesia nacional e do imperialismo. Devido ao apoio dos mesmos que controlam o nosso maravilhoso sistema democrático, arautos da diversidade, protetores dos direitos humanos, paladinos das liberdades democráticas.

Se o PCB apoiou a candidatura Lula por causa de tudo isso ─ e seu “apoio” foi por causa de tudo isso, tanto é assim que o PCB em si não fez nenhuma campanha de rua por Lula Presidente ─, então significa que apoiou Lula em uma política de colaboração de classes e de completa submissão da independência e dos interesses do proletariado diante da burguesia. Essa é uma traição retumbante dos princípios de um partido que se reivindica marxista.

Por seu lado, o apoio do PCO a Lula não foi porque este representou a união nacional de “um amplo leque de forças políticas”, isto é, de uma frente ampla com a direita e a burguesia, para derrotar o fascismo malvado. O apoio do PCO a Lula foi, precisamente, por saber que a candidatura Lula não é nada disso que pensam os reformistas e conciliadores do PCB. Foi porque a candidatura Lula expressa a luta da classe operária contra a burguesia, e não em conjunto com a burguesia. E o caráter do “apoio” recebido por Lula dos políticos burgueses falidos e dos capitalistas sem capital (ao menos sem capital à disposição da campanha de Lula) é uma demonstração de que o conjunto da burguesia e do imperialismo não apoia Lula. A classe burguesa está do outro lado e permanecerá do outro lado, apoiando a oposição de direita e o bolsonarismo, pressionando o governo de todas as formas e, no máximo, utilizando os favores que políticos burgueses falidos poderiam oferecer a ela de dentro do governo.

A vitória de Lula, ao contrário do que diz o PCB, não é uma vitória da democracia contra uma eventual ditadura militar e que, portanto, seria melhor para os trabalhadores. A vitória de Lula é melhor para os trabalhadores por causa de sua própria luta, porque foram eles que realizaram uma ampla mobilização de classe, polarizada, contra a burguesia, e estão portanto incentivados e com moral para manter essa mobilização exigindo que o governo Lula seja, assim, um governo próprio dos trabalhadores.


COTV

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