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Trabalhador não é fascista

Largar os políticos “civilizados” e ir aos operários “fascistas”!

Lula deve governar ao lado dos trabalhadores


É comum ouvirmos pelas ruas, geralmente em tom negativo, que o cenário político está muito polarizado. Tentaram emplacar uma terceira via como alternativa aos dois candidatos mais populares, Lula e Bolsonaro, que, apesar de continuar existindo enquanto uma força política, não vingou eleitoralmente. A polarização foi consolidada.

Por mais que boa parte dos governadores e senadores eleitos, principalmente no eixo centro-sul, sejam de direita, o presidente da República escolhido pelo povo pertence e representa a classe trabalhadora. Nas câmaras estaduais e federais, também, os candidatos que se elegeram eram mais alinhados à esquerda ou à direita, fazendo com que o chamado “centro” político fosse praticamente liquidado.

Mesmo tendo sido varrido do mapa, o centro, que nada mais é do que uma direita pretensamente higienizada, não poderia ficar de fora do jogo político, pois é o principal setor estratégico para a burguesia. O bolsonarismo representa, sim, parte da burguesia, sobretudo nacional, mas partidos tradicionais como o MDB ou o PSDB são os agentes que fazem os olhos do imperialismo brilhar. Enquanto Bolsonaro possui interesses pessoais e serve senhores nacionais, esses, citados anteriormente, não têm tantas amarras, podendo seguir à risca o que seus senhores internacionais esperam.

Tem-se dito, principalmente em meios bolsonaristas ou de uma esquerda antipetista, que Lula seria o candidato da burguesia, o que é um erro de análise do cenário nacional e internacional. Os setores imperialistas não apoiaram Lula, tendo agido, através da imprensa capitalista, para mostrar como o ex-presidente não era um líder popular. Entretanto, através dos políticos tradicionais e dos seus veículos de comunicação, buscaram se apoiar em partes da popularidade de Lula para parecerem mais palatáveis, transvestindo-se de antifascistas quando, na prática, representam o puro suco dos interesses das potências capitalistas. Esses grupos, que se utilizaram do presidente eleito, buscaram chantagear a sua campanha, questionando suas relações com Maduro e Ortega por um lado enquanto, pelo outro, faziam uma campanha paralela pressionando para que Lula garantisse um programa econômico neoliberal. Se essa foi a postura adotada durante a corrida eleitoral, não será diferente agora, com a vitória no pleito. A busca da burguesia será de se aproximar do governo para tentar, uma vez que no poder, sequestrar o governo de Lula e usurpá-lo das mãos dos trabalhadores.

Como disse o companheiro Rui Costa Pimenta, durante o informe político da 33ª Conferência Nacional do PCO, “é preciso nos livrarmos dos canibais civilizados”.

Em contrapartida, o bolsonarismo não é um movimento que diminuiu por conta da derrota eleitoral. É verdade que conta com um apoio fundamental de parte da burguesia, como vimos constantemente na massiva presença dos empresários donos das lojas Havan, do Coco Bambu ou do curso Wizard, mas seria uma análise errada entender que se limita apenas a este setor. Muitos trabalhadores, vistos pela esquerda pequeno-burguesa como fascistas ou preconceituosos, não aderiram ao candidato que os representa, Lula, votando e se identificando mais com Jair Bolsonaro. Essas pessoas não são burguesas, não agem em nome do imperialismo ou sequer representam algum tipo de ideologia direitista, todavia não se viram representadas na campanha de Lula, que aparecia constantemente com artistas “globais”, que se sustentou na vitória do amor sobre o ódio – enquanto mais da metade do país se encontra em insegurança alimentar – e que, principalmente, colocou cercados em comícios e não foi às ruas, onde o apoio popular a Lula seria consideravelmente maior.

O cenário foi polarizado entre Lula e Bolsonaro e uma parte considerável da esquerda caiu no conto direitista de que a polarização deve ser combatida. Pelo contrário! Deve-se levar um programa político prático, de luta e mobilização, para os trabalhadores que se identificam com ambos os lados. Para os que estão com Lula, é preciso mobilizá-los para reivindicar por seus direitos e lutar contra a burguesia que os oprime e, enquanto reinar, seguirá os oprimindo. Em contrapartida, é fundamental levar tal programa político e conversar com os eleitores de Bolsonaro, que votaram no capitão da reserva seja por desinformação ou por desilusão com o sistema político – do qual Bolsonaro faz parte, mas se apropriou do discurso trumpista de “antissistema”.

Assim como a dengue se prolifera em águas paradas, o vírus do bolsonarismo irá procriar naqueles espaços que não forem ocupados pela esquerda. As ruas, as universidades e as fábricas não devem ser abandonadas, mas receber um programa de fato, com conteúdo político e à esquerda. A derrota de Lula em bairros operários, como foi em Itaquera, na zona leste de São Paulo, não pode ser explicada apenas como interferência de setores evangélicos bolsonaristas. O fato dado é que a campanha não conversou com os operários daquela região, que ao olhar Alckmin e Márcio França com Lula enquanto ouviam Bolsonaro se apresentar como contrário aos políticos tradicionais – o que é mentira – chegaram à equivocada conclusão que o capitão seria uma melhor opção.

Acreditar que os trabalhadores, por terem votado em Bolsonaro, são loucos ou fascistas é uma política extremamente capituladora, os entregando de vez para os movimentos de extrema-direita, e isolacionista. Agir dessa forma faz com que a esquerda se coloque, para si, no alto de um castelo moral, como se quem estivesse abaixo não fosse digno de entrar em sua morada. É preciso recobrar as questões fundamentais da luta de classes, porque o inimigo do trabalhador a ser combatido não é o irmão ao seu lado, na mesma fábrica ou no mesmo escritório, mas que votou em um fascista. O inimigo é, sobretudo, a burguesia e o imperialismo.


COTV

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