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Abaixo o golpe!

Insurreição popular contra o golpe se espalha por todo o Peru

As organizações populares se radicalizam e começam a organizar bloqueios de estradas e greves em todo o país. Em resposta, o governo golpista de Boluarte fecha mais o regime


O golpe de Estado no Peru, que derrubou o presidente Pedro Castillo, deu origem a uma enorme mobilização popular. Os trabalhadores compreendem que o golpe organizado pelo Congresso direitista em conluio com as forças armadas, a extrema-direita, o judiciário e o imperialismo é um enorme ataque a todos os explorados. As direções de esquerda foram superadas pela base e as mobilizações crescem desde o dia 07 de dezembro, quando Castillo foi destituído. Ao mesmo tempo, a esquerda brasileira não se opõe ao golpe e assume uma posição parecida com os setores da esquerda anti petista de 2016.

A mobilização que se iniciou com atos de rua espontâneos nas ruas de todo o país se desenvolveu e, no dia 15 de dezembro, já havia sido convocada uma greve geral pela maior central sindical do Peru, a CGTP. Além disso, organizações dos trabalhadores rurais começaram a organizar bloqueios em estradas em todo o país, inclusive na capital. Ao longo das duas últimas semanas, a repressão também cresceu cada vez mais. Já foram 26 assassinados pelas forças policiais e o exército oficialmente. A extrema-direita fujimorista também cresce no governo Dina Boluarte, membros da ditadura de Fujimori assumem mais cargos nos serviços de inteligência e na repressão em geral.

A Frente de Defesa do Povo de Ayacucho, em conjunto a outras organizações da região, convocaram uma greve e um bloqueio das estradas a partir do dia 20 de dezembro. Já a Frente de Defesa Unificada contra a Contaminação de Cuenca Coata e do Lago Titicaca também convocou o bloqueio das estradas da região. É uma clara radicalização das massas que tem até mesmo as organizações ambientalistas se transformando em organizações de luta contra o golpe de Estado. A situação do Peru remete a Bolívia após o golpe de 2019, que teve um ano de gigantesca mobilização popular até a derrubada do governo golpista.

As manifestações têm como pauta a libertação de Pedro Castillo, preso pela Suprema Corte golpista, o fechamento do Congresso, novas eleições e inclusive a realização de uma assembleia constituinte. De acordo com a pesquisa da Ipsos, 85% dos peruanos aprova que se adiantem as eleições presidenciais. Já o Congresso, com o apoio da sua ala fujimorista, votou para que elas se mantenham apenas no ano de 2024, garantindo assim mais de um ano de repressão para estabilizar a crise política no Peru. Esse mesmo setor fortalece a polícia anti terrorismo que é usada para atacar as manifestações.

Os bloqueios estão tendo um grande impacto no país, os comerciantes reclamam que não conseguem trabalhar em Lima. Já em Machu Picchu, o ponto turístico mais famoso do Peru e um dos mais famosos do mundo, diversos turistas ficaram presos por alguns dias devido aos bloqueios de estradas na região de Cusco. Os aeroportos ficaram fechados por mais de uma semana, alguns abriram na segunda e na terça, mas a situação ainda é muito instável. Com as novas convocações de bloqueios, o governo golpista pode perder o controle de uma grande parte do país, alguns governos regionais se colocaram contra o governo federal.

Enquanto isso, no Brasil, a esquerda não comenta muito o golpe de Estado em um país latino-americano. Os poucos comentários se escoram no fato de que há uma mobilização de ruas, o que é mais fácil de apoiar. Contudo, se colocar contra a derrubada de Castillo, contra o Congresso, contra a intervenção dos EUA, um dos principais organizadores do golpe, não é tão simples, é uma repetição da política do golpe de 2016, o “fora todos”. O sítio Esquerda Marxista, por exemplo, colocou “expulsem todos – os trabalhadores governarão!”, uma outra versão modernizada da pauta. O que existe não é um apoio ao governo derrubado ou às pautas concretas dos trabalhadores, mas aos atos de rua de forma abstrata.

O PSTU também é um dos poucos que comenta o golpe de Estado no Peru, se escorando na mobilização popular. Sua palavra de ordem é “Viva a rebelião operária e popular!” e também “fora Boluarte e seu Congresso corrupto!”. É a posição clássica de se colocar contra qualquer governo, inclusive invocando mais uma vez a questão da corrupção, uma pauta tradicional da direita, usada para derrubar o PT. O PSTU tem uma crítica semelhante a época do governo do PT, atacando o Peru Libre, partido de Pedro Castillo, “são responsáveis diretos pelo seu estrepitoso fracasso”. Eles nem sequer pedem a libertação de Castillo, o preso político mais importante da América Latina neste momento.

Mas estes setores, que entraram de cabeça no golpe de 2016 contra a presidenta Dilma, ao mesmo tempo comentam o golpe de Estado e, mal ou bem, o denunciam devido a seu apoio às mobilizações de rua. A grande maioria da esquerda prefere ignorar o golpe, alguns até mesmo apoiaram a destituição de Castillo. É uma capitulação, o golpe no Peru é um alarme vermelho que instiga a esquerda brasileira a se preparar para lutar contra o golpe que se arma contra Lula. É por isso que, à exceção do PCO, os setores anti petistas têm menor resistência a falar sobre o golpe. A derrubada de Castillo pelo imperialismo, no entanto, é um dos eventos mais importantes de 2022, mais um golpe na América Latina, que prova que o golpismo está a todo vapor.

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