No último dia 19, na cidade de Belgrado, Sérvia, o catarinense da cidade de Concórdia, especializado em arremesso de peso, Darlan Romani, de 30 anos, recebeu a medalha de ouro da modalidade no campeonato mundial de atletismo em pista coberta.
O atleta alcançou o recorde do campeonato ao chegar à marca de 22,53 metros na terceira das 6 tentativas na final, deixando pra trás, com a medalha de prata, Ryan Crouser, atual campeão olímpico e invicto em competições há 3 anos. Darlan superou o norte-americano em 29 centímetros para atingir a marca. Nos dois primeiros arremessos foram quebrados os recordes sul-americanos.
A medalha de ouro nesse campeonato não foi a primeira em sua carreira. Nos jogos mundiais militares de 2015 em Munjyeong, na Coréia do Sul, e em 2019 em Wuhan, na China, além dos campeonatos regionais como o Sul-Americano em Asuncion, no Paraguai em 2017 e no Ibero-Americano no Rio de Janeiro em 2016; a conquista já havia sido realizada pelo atleta.
No período inicial da pandemia, para poder continuar seus treinamentos, Darlan Romani precisou praticar seus arremessos nos fundos de sua casa em Bragança Paulista de maneira improvisada, mesmo sendo um atleta do Esporte Clube Pinheiros. O resultado dessas condições precárias de treinamento foi uma hérnia de disco para o arremessador, que também ficou internado na UTI em decorrência de complicações após contrair a Covid-19 em 2021, pouco antes da disputa dos Jogos Olímpicos que seriam realizados no ano anterior. Apesar das dificuldades, Romani terminou no quarto lugar.
Se para um medalhista foi necessário passar por esse tipo de situação para obter suas conquistas, podemos imaginar o que sofre os atletas q sonham um dia chegar nesse patamar. Não há por parte da imprensa burguesa e nem do estado qualquer incentivo para essas modalidades de esporte. Afinal, existe uma campanha violenta contra o esporte e, nesse sentido, a cultura brasileira que inviabiliza esse tipo de marco.
No caso da medalha de ouro, ou quando há os jogos olímpicos, a grande imprensa faz alguma campanha demagógica em relação ao atletismo de forma geral. Darlan, por exemplo, ganhou o simpático apelido de Sr. Incrível, referência a famosa animação dos estúdios Pixar, devido a sua aparência e porte físico e teve suas dificuldades transformadas em uma dramática história de superação.
E o pior: a esquerda identitária aplaude e “comemora” a narrativa fabricada pela imprensa burguesa como se representasse uma luta real dos oprimidos contra o capitalismo. Nada mais distante da realidade.
Alguns ginastas e corredores também são explorados pelos programas esportivos dessa mesma maneira. No caso do atleta ser de origem pobre fica ainda mais escancarado o cinismo do grande jornalismo. A falta de apoio do estado e dos grandes clubes, que na maioria das vezes beiram a falência, nunca estiveram em pauta.
Um exemplo do descaso do estado em relação ao atletismo pode ser percebida em São Paulo, que aprovou, por intermédio do grande inimigo do povo, o governador João Dória, a concessão do complexo do Ibirapuera para a iniciativa privada por 35 anos. Pretende-se assim transformar um centro de formação de esportistas em hotel de luxo e shopping center, permeados por restaurantes e lojas de alto padrão.
Tira-se a oportunidade de centenas de atletas que poderiam configurar como os futuros medalhistas brasileiros, podendo ter uma oportunidade de seguir a carreira do esporte para muitas vezes superar uma condição de pobreza, para que a alta burguesia paulistana possa desfrutar de um luxuoso complexo de alto consumo.
Somente o lucro move a burguesia, o estado que a representa e a imprensa que a protege e divulga. Devemos denunciar e combater esses verdadeiros parasitas da classe trabalhadora brasileira.





