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Libertador do Brasil

Há 200 anos, Dom Pedro I era coroado imperador do Brasil

A coroação de D. Pedro I foi a primeira posse oficial de um governante do Brasil, e como as posses em geral, foi menos importante que toda a luta prévia para conquistar o poder


No dia 1 de dezembro de 1822 foi coroado D Pedro I, o primeiro imperador do Brasil. Após um ano e meio de ebulição política que culminou no dia 7 de setembro em que o Libertador proclamou a Independência do Brasil oficialmente, o País adquiria o seu primeiro governo independente. A solenidade aconteceu na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a capela real, no Rio de Janeiro e foi imortalizada na pintura de Debret. Mas ela foi apenas uma importante formalidade do grande processo revolucionário que o Brasil passava desde 1821.

O filho de D João VI, Pedro, liderou a independência do Brasil com apenas 22 anos. Ele, apesar de ser príncipe regente, atuou como um revolucionário. Era um defensor do que era a esquerda na época, o liberalismo, movimento que abalou a Europa e a América desde o fim do século XVIII até o ano de 1848. Pedro não era do setor mais radical, ao estilo dos jacobinos franceses, mas era uma liderança, foi ele quem esteve de fato a frente de todo o processo que conquistou a maior independência colonial, em extensão de território, da história.

D Pedro I foi coroado em dezembro de 1822, mas o momento em que passou a ser o mais importante líder do Brasil, superando o seu pai foi em 26 de fevereiro de 1821. Neste dia a Revolução do Porto, que havia estourado em Portugal em agosto do ano anterior, chegava ao Rio de Janeiro, a capital do império. As tropas portuguesas se amotinaram em defesa da constituição, a principal pauta do liberalismo, em oposição ao absolutismo. No largo do rocio a tropa revoltosa ameaçava derrubar mais uma monarquia tradicional da Europa.

O natural seria que a revolta se desse contra a família real como um todo, contudo o príncipe Pedro era não só um liberal como tinha a disposição política para travar a luta tanto contra o absolutismo quanto pela independência do Brasil. Foi assim que ele ao receber a notícia do levante militar não tentou organizar a sua repressão mas pelo contrário foi ao largo do rocio jurar a constituição. As tropas o fizeram buscar o Rei D João VI, que era a maior autoridade do reino, o que Pedro fez e assim o rei jurou a Constituição.

Foi neste dia, quando a revolução do porto chegou ao centro político do Brasil, que D Pedro I passou a ser de fato a liderança do país. Já em abril, o Rei D João retorna a Lisboa, a pedido do governo revolucionário de Portugal, e o príncipe regente Pedro se torna também formalmente o regente do Brasil. No período de fevereiro de 1821 até o 7 de setembro de 1822 a mobilização no Brasil vai se tornando cada vez mais radical, o que inicialmente era um movimento liberal protagonizado pelas tropas portuguesas se torna um movimento pela independência com Pedro sendo a sua direção.

O que radicaliza a população brasileira são as tentativas de Portugal de recolonizar o Brasil. O país havia perdido a sua condição de metrópole quando a família real deixou Lisboa em 1807, e passados 14 anos a burguesia portuguesa queria voltar a ser o centro político e econômico do império. O governo de Portugal acreditava que conseguiria recolonizar o Brasil, o que a população brasileira definitivamente não estava disposta. A disputa ficou acerca de Pedro, enquanto ele estivesse em terras brasileiras o país não voltaria a ser uma colônia. Esse conflito culminou no dia do Fico.

O Dia do Fico, em 09 de janeiro de 1822, foi quando o príncipe regente decide desobedecer ao ultimato das cortes de Portugal para que ele retornasse imediatamente à Lisboa. É nesse momento que na prática o governo do Brasil se separa de Portugal. Pedro declara que fica e se inicia uma batalha entre as tropas portuguesas e os brasileiros, contudo dada a situação revolucionária a população em armas do Rio de Janeiro supera por si as tropas portuguesas, e ainda mais reforços chegariam. Assim a tropa portuguesa é expulsa do Rio de Janeiro pelos brasileiros liderados pelo príncipe regente.

Durante os próximos sete meses a disputa política continua mas os portugueses não recuam, mandam mais uma ordem de retorno para Pedro, ao recebê-la no dia 7 de setembro é que ele finalmente declara a Independência do Brasil e passa assim a constituir um governo totalmente brasileiro. Ao chegar no Rio de Janeiro em 12 de outubro de 1822, é aclamado pelo povo da cidade no Campo de Santana, mais uma demonstração do caráter revolucionário de todo o processo. Pela primeira vez Pedro e recebido pelo povo como o Libertador, alcunha que poucos na América Latina possuem.

A coroação em si foi uma formalidade ao estilo tradicional europeu. Ela por si só pode enganar os que não observam os fatos como um todo pois alude ao início de um novo regime absolutista. Mas não foi isso que aconteceu: o príncipe regente agora D Pedro I criaria um governo liberal no Brasil, sendo o autor da primeira constituição do Brasil (e também de Portugal). Ele como líder de todo o processo revolucionário se manteve como rei mas em um governo parlamentar. A coroação de D. Pedro I assim foi a primeira posse oficial de um governante do Brasil, e como as posses em geral, foi um evento menos importante que toda a luta prévia para conquistar o poder.

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