Na última terça-feira (05), a Toyota anunciou que encerrará as operações da fábrica de São Bernardo do Campo. A montadora japonesa pretende transferir toda a operação da fábrica de São Bernardo do Campo para suas unidades no interior paulista. A montadora anunciou ainda que a transferência ocorrerá a partir de dezembro deste ano e tem previsão de conclusão até novembro de 2023. O impacto econômico é enorme, são centenas de operários industriais e trabalhadores que podem perder seu emprego, além de uma cadeia de outros empregos que dependem indiretamente da produção da fábrica.
A fábrica de São Bernardo do Campo foi a primeira da gigante japonesa fora do Japão, tendo sido instalada em 1962. Atualmente a empresa produz peças para a fábrica da empresa em Porto Feliz, também interior de São Paulo. Com a crise que o país atravessa, resultado direto da política neoliberal que se impôs após o golpe de Estado, dado aliás com a autorização e a participação de todo o imperialismo, a política de redução drástica do investimento resultou no encolhimento do mercado interno. As empresas imperialistas que lucraram e lucram de maneira obscena, inclusive com ajuda de inúmeros subsídios governamentais, decidiram cortar gastos, ainda que isso signifique o desemprego para trabalhadores brasileiros.
Com esta mesma política, outras fábricas já deixaram o país, como a norte-americana Ford, que fechou uma fábrica também em São Bernardo do Campo e a empresa Alemã Mercedes-Benz, que também fechou uma fábrica em Iracemápolis.
É uma típica política de rapinagem que o capital internacional realiza, estabelece no país com os recursos do próprio país, lucra com o trabalho do povo, domina um ramo do mercado e quando sente necessidade se desfaz deixando todo o ônus com a população trabalhadora. A fábrica é importantíssima para a economia da região e da qual depende tem milhares de pessoas direta ou indiretamente, os operários de São Bernardo do Campo não aceitaram essa decisão ditatorial de fechamento de empresa.
Em assembleia na sede do sindicato dos metalúrgicos do ABC, nesta quarta-feira (06), a categoria aprovou estado de greve e mobilização permanente, a categoria também exige reunião da direção do sindicato com o presidente da Toyota Brasil. Nesta quinta-feira (07) os trabalhadores também se reuniram para dar encaminhamento para o plano de mobilização da categoria.
Um ataque contra os trabalhadores brasileiros e a economia nacional
A política dos grandes monopólios de fecharem suas fábricas ou restringirem sua atividade, além de um duro golpe contra a classe operária Brasileira, representa um ataque direto à economia nacional. Essa política reduz atividade econômica nacional, reduz ou elimina ramos inteiros de atuação na indústria, um ataque à capacidade produtiva nacional coordenado por interesses estrangeiros. É preciso dizer não a essa política de sabotagem econômica promovida pelos capitalistas internacionais, que lucram com o trabalho dos operários brasileiros e tão logo julgam necessário reduzem ou eliminam todo um ramo da nossa economia.
A economia doméstica não pode ser determinada pelos interesses do grande capital imperialista internacional que faz o que bem entende. Contra esse atentado da gigante japonesa, é preciso uma ação a altura. Nada de fechar a fábrica sem mais nem menos. É preciso apoiar a luta dos trabalhadores da Toyota de São Bernardo do Campo contra essa medida reacionária e nociva ao país.
Uma grande greve da categoria para forçar os patrões internacionais a manterem a fábrica funcionando com todas as condições de trabalho adequadas. Formar comitês de greve de trabalhadores para negociar com os patrões; negociação pública, que toda a categoria tenha o direito de ver o que está sendo negociado e em que termos. Elaborar já um calendário de luta com assembleias regulares, chamar a solidariedade da categoria rumo a um dia de paralisação nacional do setor metalúrgico contra demissões e fechamento de fábricas.
É preciso mobilizar toda a categoria imediatamente, os trabalhadores que já aprovaram estado de greve e mobilização, é preciso evoluir e cruzar os braços. Os patrões, sobretudo os monopólios imperialistas, só entendem a linguagem da força. As negociações só funcionam sob a base da força. A política da Toyota, assim como dos monopólios imperialistas em geral, é uma política antinacional e antipopular e tem de ser parada o quanto antes. Nesse sentido, somente a audácia é boa conselheira. É preciso passar por cima dos elementos vacilantes da burocracia sindical; os trabalhadores de base têm que tomar as rédeas do processo. Se os patrões insistirem na política de fechamento, a resposta tem de ser greve com ocupação de fábrica já!
Todo apoio aos trabalhadores da Toyota de São Bernardo do Campo! Essa é uma luta de todos os trabalhadores do país contra os poderes internacionais que querem subjugá-los e deixá-los totalmente à mercê de seus interesses. Essa é uma luta de todo o país contra a dominação estrangeira, contra a dominação imperialista que submete o país a uma situação similar a de uma colônia.




